Os sonhos são espaços eventualmente atingíveis, doces e paladares que depois também perdem a intensidade do gosto. Sonhar é manter viva a alma, e tentar realizar a obra. Mas que obra? Física? Terrena? Material? De nada valem todos os sonhos tornados realidade se pelo meio e como suporte, não houver logo a Partilha íntima da alma, em indizíveis contornos de entrega silenciosa ou gritantemente feliz!
O Amor é o sonho maior, pelo que todos os outros decorrem deste na eficácia e no êxito. Ser um grande pintor ou esculpir a pedra como se fosse a própria natureza, compor melodias que nem os pássaros entoam, ou escrever a alma sem que ela tenha vida própria, é tornar realidade um sonho vão, porque está por natureza amputado da sua essência: a Partilha e a Entrega!
De nada vale tornar em ouro como Midas tudo o que tocamos, porque se torna depois impossível de fruir e partilhar. Mas se houver espaço para a loucura do Amor (quantos não se esquadrinham em vidas muito arrumadinhas, racionalizando o próprio amor?), então tudo o resto é cesto de papéis. Tudo o resto é lixo. Não falo de um amor cego e egoísta, mas do próprio Graal, que só se manifesta se estivermos muito atentos, e ainda assim, podemos reconhecer os sinais mas não termos os meios. É que ele necessita de duas pessoas, que se têm de conhecer sem se atropelar, mas também sem grandes delongas que a Partilha não se compadece de tal desperdício.
Amor que também se manifesta com outras faces. O amor universal, oblativo, da entrega, da amizade pura e desinteressada. E então, num abraço de coração que não conhece sexo, nem idade, culto ou geografia, a vida ganha forma e cor, e todos os sonhos se manifestam, não como algo a alcançar, mas simplesmente como o que um dia decorrerá de circunstancialismos que não nos cabe determinar no amor romântico. O "outro", o oblativo e universal, deveria ser instantâneo e gratuito, porque de que valemos sem a partilha, não estendendo aos outros o que nos foi dado gratuitamente à nascença? É que do domínio da vida apenas temos o passado e uma parte do presente!
O sonho maior é o amor. Porque só temos uma vida, ainda que tenhamos mais do que um amor.
O sonho maior é o amor. Porque só temos uma vida, ainda que tenhamos mais do que um amor.

7 comentários:
De que vale a vida sem a partilha, Daniel?
É essa a reflexão que deixas, como sempre bombástica.
Boa noite, Daniel!
Ao escreveres:
"Ser um grande pintor ou esculpir a pedra como se fosse a própria natureza, compor melodias que nem os pássaros entoam, ou escrever a alma sem que ela tenha vida própria, é tornar realidade um sonho vão, porque está por natureza amputado da sua essência: a Partilha e a Entrega!" estás a resumir todo o texto e todo o pensamrnto que tao bem desenvolveste.
Ah e sim, o amor oblativo, universal, como dizes, devia ser, sem dúvida alguma, uma partilha instantãnea, uma oferta e um dom.
Belíssimo.
"Sonhar é manter viva a alma, e tentar realizar a obra... De nada valem todos os sonhos tornados realidade se pelo meio e como suporte, não houver logo a Partilha íntima da alma, em indizíveis contornos de entrega silenciosa ou gritantemente feliz!"
A Partilha e o Amor são fundamentais para alcançar seja o que for.
Magnífica reflexão..
Abraço. Bom Domingo :))
Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.
Fernando Pessoa
OLá
Já nao vinha aqui há um tempo.
Grande avanço neste blog.
A barra do lado está belíssima, mas lembro que tinhas uns questionarios ou sondagens bem interessantes. Acabaste ou é por estarmos no verão?
Sobre este texto é o clássico dilema entre a razão e o coraçao, tema que sempre tão bem exploras.
Um grande abraço
Viva Daniel:
Texto magnífico e sim, antes o coração que a razão.
Se correspondido, é a cereja em cima do bolo, se não...por muito que a dor seja acutilante, de que nos vale viver sem ELE, o amor e tudo o que lhe diz respeito???
Quero VIVER, não sobreviver...
Já agora, apaixonado?
Abraço
Falas aqui de tanta coisa que cada vez estamos mais distantes, cada vez sabemos menos partilhar, e o amor também é partilha dádiva pura.Acho que cada vez nos restam mesmo os sonhos.
beijos
Cada vez há menos pessoas que têm consciência do
que é o amor. Amor é, sem dúvida, doação, perdão.
e cada vez se veêm menos pessoas com estas capacidades.
Maria Luísa.
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