24.2.12

...CANÇÃO DA GAIVOTA...

ondulam-se as águas em giestas adormecidas
de um azul abrasador.
e em suave encanto baptizas a luz
em incontornáveis gemidos do ser

para que caiados de uma voz grandíloqua,
se façam excelsos na noite ao redor de nós
e em tudo se encontrem as estrelas
que hão-de contar os passos de um céu

partilhas-te na métrica do tempo
pontuando essa música celestial.
sempre a música, leve e solta, bela,
e tão densa e fúnebre de céus que tu conheces

e assim, possante e bela a sinfonia dos gestos
que não quer olvidar o amanhã em contínuo interregno
numa vida em suspensão
e as águas ondulam-se graciosas
entre estrelas fugidas de outros brilhos
e nesse encanto todo, imersão e universo, a música constante
típica e bela, defraudada e sonolenta, miraculosa e sentida
perfumando os poros sujos do suor da tentativa
que se repete única em cada nova esperança
teimosa e pueril de um sustenido infinito
que trará na tarde de um dia solarengo
a areia que teus pés visitaram dentro de mares profundos
na espiral cúmplice da melancolia do tempo

que revira o marulhar até outra costa, outra música, outro mundo
dentro de ti povoado em sempre eterno cosmos
que se revoga e renova depois do sonho violado

ondulante chegas a uma praia débil,
cheia de gaivotas e de luz
e estendendo a mão sobre o mar
teu sorriso impera sobre os peixes que das profundezas
se reviram em danças que não sabes.

mais musica. mais tempo. mais tu.
como se tudo parasse quando os sons inebriam o dia
e tocam na alma tudo o que ela é

rio fluído, mar dançante,
via láctea de amor universal
um som agudo e forte que se repete
sem estertor de uma vida incompleta

eis-te luz e caminho nos passos perdidos do tempo que se inquieta
ante teu caminhar errante mas livre, belo e atento
em profusões de carinho e de ternura num piano cujas teclas soltas ao falar...

assim. sempre. como uma orquestra inteira e épica,
adornada de dores e alegrias
inebriando quem passa ao redor
transformando em brilho o cinzento das cores com que se tapam
até de novo se ouvir um suspiro ritmado e convulso de pujantes sentires

em amor feito. em onduladas águas encontrado.
em pianos sorridentes de um dia assim,
espuma excelsa que devora os dias no beijo do mar
ondulando-se leve na musica que traz sereno o mundo
e caindo sobre mim como água pura de chuva miudinha
em dia cinzento e frio do mundo das fadas que agora fazem ouvir outra canção

23 comentários:

Ana Namy Echevarria disse...

Lindo Daniel!! que Quimera!!!!

Joana Vaz disse...

Muitos, muitos Parabéns!
Adorei a Ode!
Arrepiada!

beijo agradecido

XR disse...

No sorriso, na voz melancólica do piano, se diluem os espasmos dos sonhos quebrados... e a aurora beija rosada o horizonte onde se perde o olhar.

Obrigado pela partilha, Daniel.
Um beijo amigo :)

Gonçalo Duarte Reis disse...

Olá Lobinho

"a música constante
típica e bela, defraudada e sonolenta, miraculosa e sentida
perfumando os poros sujos do suor da tentativa
que se repete única em cada nova esperança"...

...Wow.. é preciso fôlego para ler
isto que tão bem acompanhas com a música e as sempre fabulosas fotos.

O teu abraço

T. Manuel disse...

“ondulam-se as águas em giestas adormecidas”
que se elevam quando passas e te ergues
“da tentativa que se repete única em cada nova esperança”…
“ondulante chegas a uma praia débil”
e a areia é a tua casa rebelde
onde se fundem os sonhos e o mar…
“assim. sempre. como uma orquestra inteira e épica”
te revestes de música e desse piano
que toca incessantemente.
assim. sempre. uma melodia completa
de rios e de mares… que são e que és tu…

Muito bom, amigo Daniel… escreves de forma sublime!!
O teu abraço e a minha admiração.

Flor Amizade disse...

"em amor feito. em onduladas águas encontrado.
em pianos sorridentes de um dia assim,
espuma excelsa que devora os dias no beijo do mar
ondulando-se leve na musica que traz sereno o mundo
e caindo sobre mim como água pura de chuva miudinha
em dia cinzento e frio do mundo das fadas que agora fazem ouvir
outra canção,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,​

LINDISSIMO, BEIJINHOS

Helena Santos disse...

eis-te luz e caminho nos passos perdidos do tempo que se inquieta
ante teu caminhar errante mas livre, belo e atento
em profusões de carinho e de ternura num piano cujas teclas soltas ao falar...

Lindo demais!!!

Cristina Russo disse...

mais musica. mais tempo. mais tu.
como se tudo parasse quando os sons inebriam o dia
e tocam na alma tudo o que ela é

Melodioso!

PauloSilva disse...

E onde o mar beija a terra, o coração é beijado pelo amor. Magnífica poesia, mas disso tu sabes, Daniel. Sempre profundo, verdadeiro. Um ritmo que não perdes! Um grande, mesmo grande, abraço!

Moonlight disse...

Querido amigo Daniel,

Ao som duma bela e tocante melodia,ao sabor do vento e como pano de fundo, um mar maravilhosamente sereno...soltasse o que existe dentro de cada um de nós em sentires vivos que tentam povoar a mente distante.Num outro tempo qualquer.
Fabulosamente lindo,parabêns´.È sempre um prazer meu aqui vir,por vezes sem tempo para te comentar.

Bjinho meu cheio de luar

Graça Pereira disse...

Uma sinfonia completa e como tudo combina bem: o mar, as gaivotas e um piano!E o teu poema lança uma ponte por sobre o abismo de toda a solidão e impõe-se a pergunta: de que serve viver senão tornarmos a vida dos outros mais feliz?
Obrigada, Daniel.
Um beijo
Graça

Ana disse...

o mar é deveras inspirador;)

Rosângela Pinho disse...

E o mar devora essas suas palavras num trago doce, como um beijo apaixonado, e as sopra em pequenas gotas de sal e luz - estrelas do céu...estrelas do mar.

Will disse...

Belíssimo suspirar poético...


Um abç!

Mark disse...

Adorável e lindo. *_* Já pensaste em compilar os teus lindos poemas e tentar que os mesmos sejam publicados num livro de poesia? A tua veia poética é admirável. :)

P.S.: Obrigado pelas palavras sempre amigas e ternas.

Um grande abraço. *

Fê-blue bird disse...

Meu amigo, perco-me nas suas palavras. Deixo-me ir ao som de cada letra, cada frase.
Eu não consigo escrever poemas longos, falta-me o sabor e embora sinta-os cá dentro não tenho esta sua fértil inspiração.
E a música escolhida, simplesmente perfeita.

Beijinhos

. intemporal . disse...

.

.

. sair das palavras pela trindade perfeita . o mar . as gaivotas e um piano .

.

. pleno .

.

. um abraço .

.

.

LopesCa disse...

Bonito e gostei da foto das gaivotas :)

Emilie S. disse...

a música parece ser uma constante nos seus textos.

Anónimo disse...

O doce embalo dessa melodia me transporta para um mundo de sonho e magia. O meu coração transborda de paz, de luz e de amor.
Que bom que você existe!!!

Ailime disse...

Daniel boa tarde,
Absolutamente genial o seu poema!
O mar, as gaivotas, o som excelso deste piano fazem-me sentir neste momento tão pequenina e tão grata por me dar o privilégio de o ouvir, lendo-o.
Bem-haja por este momento sublime.
Um beijinho com a minha amizade e admiração.
Ailime

BRANCAMAR disse...

Daniel,

É tão comovente este poema, cada sentimento pousado em cada verso, em cada nota musical que o acompanha, que não sei como dizer do encanto e da paz com que me debrocei por mais que uma vez no respirar das palavras, porque a vida está realmente lá, para além delas, no silêncio preenchido que fica para além delas...
Se pudesse dizer alguma coisa deste momento diria talvez o mesmo que a Graça que é uma boa psicóloga, fruto da sua sabedoria, de saber do amor Universal, do sofrimento, mas também da única e bela loucura que a vida nos proporciona, tantas vezes tão imensa e intensa de felicidade.

Ser apenas, em comunhão...

Beijos
Branca

Luís Coelho disse...

Queria dizer-te obrigado por estas palavras tocadas com a maresia do mar. É tudo tão belo e profundo que nem sei mais o que dizer.
Vou fechar os olhos e ficar a ouvir estes sons.