19.12.11

SUAVE MILAGRE

Natal sê-lo-á sempre que estivermos onde mais ninguém está. Como neste impressivo conto de Eça de Queiroz que desde criança me impressionou. Partilho apenas o final, porque longo. É passado na Judeia e baseado numa história da Bíblia onde são apresentados os ricos e os prepotentes, que contrastam com a dor e a miséria de uma criança pobre e entrevada que vivia com a mãe num casebre perdido na serra, longe do povoado. Passa-se numa época em que a fama de Jesus se estendia pela Judeia e em que os poderosos e ricos o procuravam. Mas a acção principal desenrola-se em torno dessa criança que, apesar da descrença e desalento da mãe, acredita fervorosamente que só Ele o pode salvar.

"– Oh filho e como queres que te deixe, e me meta aos caminhos à procura do rabi da Galileia? Obed é rico e tem servos, e debalde buscaram Jesus, por areais e colinas, e debalde correram por Jesus, desde o Hébron até ao mar! Como queres que te deixe! Jesus anda por muito longe e a nossa dor mora connosco, dentro destas paredes, e dentro delas nos prende. E mesmo que o encontrasse, como convenceria eu o rabi tão desejado, por quem ricos e fortes suspiram, a que descesse através das cidades até este ermo, para sarar um entrevadinho tão pobre, sobre enxerga tão rota?
A criança, com duas longas lágrimas na face magrinha, murmurou:
– Oh mãe! Jesus ama todos os pequenos. E eu ainda tão pequeno, e com um mal tão pesado, e que tanto queria sarar!
E a mãe, em soluços:
– Oh meu filho, como te posso deixar? Longas são as estradas da Galileia, e curta a piedade dos homens. Tão rota, tão trôpega, tão triste, até os cães me ladrariam da porta dos casais. Ninguém atenderia o meu recado, e me apontaria a morada do doce rabi. Oh filho! Talvez Jesus morresse... Nem mesmo os ricos e os fortes o encontram. O Céu o trouxe, o Céu o levou. E com ele para sempre morreu a esperança dos tristes.
De entre os negros trapos, erguendo as suas pobres mãozinhas que tremiam, a criança murmurou:
– Mãe, eu queria ver Jesus...
E logo, abrindo devagar a porta e sorrindo, Jesus disse à criança:
- Aqui estou."


9 comentários:

Ana disse...

Adorei o final, vou ver se o encontro para o ler todo.
beijinhos

Sofá Amarelo disse...

Eça de Queiroz fazia falta agora no nosso tempo!

Electric Dreams disse...

O Conto é absolutamente comovente e, sim, concordo inteiramente com o que diz no início: "Natal sê-lo-á sempre que estivermos onde mais ninguém está". Porque o resto já está garantido.

Um Feliz Natal!

lidacoelho disse...

Bom dia Daniel
Este é um dos grandes pilares da fé dos crentes.
Jesus virá se continuarmos a acreditar no Seu Amor.

Só Ele nos salvará da dor e da doença, das crises económicas e sociais...
Morrerei no dia em que deixar de acreditar, ter Fé e Esperança nesse Rabi misterioso, cheio de amor e sabedoria que os ricos e poderosos nunca terão.

Um bom Natal para ti e os teus

Ailime disse...

Amigo Daniel, bom dia,
Comovente e belo pela mensagem impressionante contida, este Suave Milagre de Eça.
A Fé nos conduz e se abrirmos o coração a Jesus, Ele se fará presente com a paz e serenidade que só Ele nos pode oferecer seja em que circunstância for.
Que Ele nos dê a graça de estarmos atentos aos seus sinais.
Feliz Natal para si e seus Familiares.
Beijinhos,
Ailime

Pelos caminhos da vida. disse...

Suave post Daniel.

Feliz Natal e um 2012 com muita saúde, paz, amor...

Farei mais 2 posts esse ano, se der passe por lá.

Um gdeeeeeee abraço.

beijooo.

Rosa Carioca disse...

É isso, Natal!
Obrigada pela visita.
Que passe um Natal cheio de Harmonia.

Anónimo disse...

Também eu,desde os meus dez anos, conheço este belo conto, que muito me impressionou, o que só denota a sensibilidade que nós temos.
Desejo-lhe tudo de bom para esta quadra festiva, e 2012 com muitos êxitos.
Obrigado pelos seus votos de Boas Festas.
Um grande beijinho.
Luísa.

Olga Moreira disse...

"Natal sê-lo-á sempre que estivermos onde mais ninguém está". -

Este ano vou fazer desta frase uma verdade incontestável. Vou estar onde poderei fazer a diferença. :)