17.5.26

DIA INTERNACIONAL CONTRA A HOMOFOBIA...


A propósito do dia de hoje, dizer desde logo que o Amor não tem sexo.

Dito isto, e para salvaguardar o direito de todos a amar - e só dizer isto já é repulsivo, como se alguns fossem apenas meio humanos sem poderem ter coração - a ONU e o Parlamento Europeu assinalaram o o dia de hoje, 17 de Maio, como o Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia.

Esclareçamos já rapidamente as diferenças que são muito mais simples do que parecem.

Homossexualidade é a orientação sexual de uma pessoa que sente atração afetiva e/ou sexual por pessoas do mesmo género (homossexualidade masculina ou feminina).

Logo, HOMOFOBIA é a discriminação ou hostilidade contra pessoas homossexuais ou contra a homossexualidade. É o preconceito contra quem a pessoa ama.

TRANSFOBIA é quando uma pessoa cuja identidade de género não corresponde ao sexo com que nasceu. Alguém nasceu como rapaz, mas identifica-se como rapariga (a que se dá o nome de mulher trans); alguém nasceu rapariga, mas identifica-se como homem: homem trans.

Nada tem a ver com sexo mas sim com IDENTIDADE e, por isso, uma pessoa trans pode ser heterossexual, homossexual, ou bissexual.

Logo, transfobia é o preconceito contra quem a pessoa É, ao contrário da homofobia em que, como digo atrás, é a discriminação contra quem a pessoa AMA!

A ONU incluiu também neste dia, 17 de Maio, a BIFOBIA, que é o mesmo que homossexualidade mas contra pessoas bissexuais.

Então, hoje que é o tal dia contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, o que dizer?

Não sei lidar com o absurdo, mas se existe, que posso eu fazer senão veementemente condená-lo, pelo menos neste contexto!?

Século XXI: como é que ainda há pessoas perseguidas, humilhadas e destruídas apenas por amarem alguém do mesmo sexo!?

Ostracizar uma pessoa homossexual, homem ou mulher, é o mesmo que culpar alguém por ter um metro e oitenta.

Aliás, um adulto que faz reparos ou outras manifestações homofóbicas; que reage com violência, repulsa e agressividade, internamente é uma pessoa muitíssimo mal resolvida para se incomodar tanto com a vida amorosa dos outros! Poder-se-á, inclusive, ver nisso, um sentido frágil da sua masculinidade ou da própria sexualidade.

E o mais absurdo é que a homossexualidade precisou sempre tanto de cura como a heterossexualidade. É o problema do normativismo. Neste caso, do heteronormativo heterossexual.

É o mesmo que falar em seres humanos. E depois haver seres humanos de cor branca, preta, amarela, o que for! Em que diminui ou acrescenta o quê, a raça, etnia, cor de pele?

Traçando um paralelismo com a homofobia, transfobia e bifobia, em ambos os casos é como se fossem dois ovos, um branco outro escuro - aliás, até há ovos de cor azul -, mas por dentro SÃO TODOS IGUAIS.

Somos fruto de uma cultura, mas também vítimas dela. Há que aceitar as diferenças, e de as pessoas viverem os afectos e a sexualidade na sua perspectiva psicodinâmica, e não apenas até onde as deixamos, sendo que, muito importante, não podemos restringir a sexualidade à genitalidade, e com isso não lhe perceber toda a sua linguagem e realização afectiva.

O problema não reside na diferença, mas na rejeição à sua aceitação e, confundindo isto, arranjamos um silogismo social e cultural que, levado ao extremo, conduz à pena de morte em determinados regimes, a sanções várias, ao bullying e à exclusão social.

Apesar disto, milhares de jovens foram submetidos às chamadas “terapias de conversão” - uma das formas mais violentas de crueldade psicológica, onde se tenta "transformar" uma pessoa - naquilo que intrínseca e estruturalmente não é -, no que queremos que seja!

É o exemplo de se querer transformar uma pessoa homossexual em heterossexual. Isto sim, é contra natura!

Poderá um peixe dar uma volta pelos céus ou um pássaro viver debaixo de água? Se ambos não entenderem que a sua diversidade é, também, a sua IDENTIDADE e razão de estar ali, que é a sua normalidade, vão passar a vida a tentar voar ou mergulhar, numa tentativa suicida de denegação existencial.

E tantos são os que o fazem, precisamente pelas atitudes de marginalização e discriminação, individuais e coletivas, sem falar nos que têm uma imensa dificuldade em aceitar quem são!

E isto traz-nos diretamente a este dia promulgado pela ONU, porque o problema começa logo na marginalização, e não na ajuda à aceitação.

E também não se trata apenas de tolerar um comportamento; é muitíssimo mais do que isso.
Porque para as pessoas amputadas à sua própria realização pessoal e amorosa por meros interditos sociais, é, além de uma desinteligência coletiva, um drama para os próprios, como se amar fosse crime.

Não escolhemos os pais, os colegas de escola, a condição física, como não escolhemos o género com que nascemos, a cor da pele, a raça ou a orientação sexual, tornando-se, precisamente por isso, um absurdo maior, rejeitar as diferenças do e no Outro!

Pelo contrário, devemos aceitá-lo, tal como aceitamos vizinhos de outras nacionalidades, por exemplo! Tal como aceitamos que somos altos ou baixos. Tal como acabámos por aceitar pessoas que antes tinhamos como escravos por não terem a dignidade de seres humanos.

É que, juridicamente, os escravos eram coisas, logo, podiam ser transaccionados, comprados e vendidos, porque não eram entendidos como pessoas, não podiam ter vontade própria.

A homossexualidade existe na prática, como uma espécie de escravatura democrática, onde o escravo é quem simplesmente é, e a democracia a aceitação social tácita do preconceito, convertendo, assim, o que é natural numa pessoa, numa anomalia, num tumor existencial para o próprio e tumor tout court para a sociedade.

E foi notícia recente, o corajoso exemplo de Miguel Salazar - e que foi divulgado pela comunicação social - ao relatar todo o sofrimento induzido pela mãe desde criança, incluindo terapias de conversão, sendo a progenitora (mãe é outra coisa) Helena Costa, uma deputada do Chega, evangélica e autora de livros apologéticos destas enormidades.

Isto traduz-se em jovens ensinados a odiar-se. A sentir vergonha do próprio corpo, dos próprios afectos, da própria existência. Jovens tratados como doentes por aquilo que eram (são) naturalmente.

Disseram-lhes que estavam errados. Que eram uma vergonha. Que tinham de mudar para merecer amor, respeito ou aceitação. E há algo profundamente monstruoso numa sociedade que prefere destruir um jovem a aceitar que ele é diferente.

A homossexualidade não impede ninguém de amar, trabalhar, criar, cuidar ou viver com dignidade.
O que destrói vidas não é a orientação sexual.
É o preconceito. É a exclusão. É o bullying. É o silêncio das famílias. É a violência disfarçada de moralidade.

E o preconceito é a defesa ignorante do que não conhecemos e/ou não aceitamos.

E talvez a maior tragédia seja esta: pessoas que passa(r)am a vida inteira a pedir desculpa por existirem.

Mas o problema nunca esteve nem está na diferença. O problema esteve e estará sempre na incapacidade de olhar para o Outro, e de o reconhecer como igual em dignidade humana.

Há preconceitos que matam fisicamente. Outros matam devagar: na solidão, na vergonha, no medo e na rejeição.

E quando um jovem cresce convencido de que aquilo que sente é um erro, não estamos perante educação, evangelistas ou valores. Estamos perante violência.

Como digo logo no início, o amor não tem sexo, e todas as pessoas que, infelizmente, precisam de um dia Contra a Homofobia... de facto e, infelizmente, precisam para lembrar à sociedade que têm os mesmíssimos direitos do que quaisquer outros!

A coisa é tão grave e violenta, que qualquer pessoa que fuja à ilusória normalidade, - a heteronormatividade neste caso - (mas o que é normal para uma aranha é o terror e a morte para uma mosca...) -, acabam por se verem impedidas de se realizarem afectivamente, hipotecando o amor e, com ele, a capacidade de uma vida livre e feliz.

E, no mundo dos afectos, não existe bitola, regra, lei, norma, jurisprudência ou mandamento que diga como é. É como cada um sente na liberdade de ser ele mesmo.

Todos devemos ao nosso semelhante, uma vénia de reciprocidade respeitosa e amiga de quem comunga a sua própria humanidade.


O senso comum acrítico, que é o senso comum das multidões, é o pior inimigo que conheço, e, é assim que estamos em pleno séc. XXI: com a Internet numa mão, e a pedra lascada da ignorância noutra!

7.5.26

COMPREEENSÃO DA DESOMNIPOTÊNCIA


"A psicanálise é, na sua essência, uma cura pelo amor", dizia Freud, nascido a 6 de Maio de 1856.
Na verdade, muitos dos nossos problemas são fruto da solidão não percebida. Fruto de suportar a todo o custo o fardo emocional da competição e do desamor.

De nos rasgarmos interiormente para brilharmos com um fulgor que esconde as nossas próprias sombras. De sofrermos traumas com uma vendetta à vista.
De querermos resgatar ou fazer contas com o passado - mas o passado apenas se pode integrar!
Da revolta pelas injustiças de que sejamos alvo, mas também das que vemos à nossa volta.
Do desespero com os mais diversos rostos - desde o desemprego à cama de um hospital ou de um diagnóstico reservado!
E, porém, embora seja lógico e legítimo passarmos por todos estes estados como se dependêssemos deles, muitos tornam -se auto lesivos, ainda que não nos apercebemos disso.
Uma das soluções que estariam mais próximas é a autorregulação emocional. Não é o que gostaríamos, obviamente, mas perante a inevitabilidade, é necessário tentar fazer esse esforço, mesmo que imperfeito, mesmo que não o consigamos todos os dias.
Como refere Freud, no que toca à psicanálise, é uma belíssima súmula: porque sim, o amor cura.
Em muitos casos, começa por nos perdoarmos a nós mesmos.
Só pelo amor conseguiremos fazer as pazes com o passado. Connosco mesmos.
Com as nossas omissões no presente, e chegar ao entendimento de situações que tínhamos como uma interpretação bizarra e dogmática sobre o viver, pensar e sentir do outro.
Mas é apenas nesse processo de (des)construção das nossas crenças limitadoras (nunca acreditar no ego; nunca outorgar à razão aquilo que não lhe compete e, por isso, não compreende) que se chega ao mistério.
E a (des)construção diária de nós mesmos, tem um alcance tão forte se o trabalho for sério, que, pelo caminho, nos permite entrever outras dimensões, com uma visão menos fechada ao divino, ao transcendente, e não apenas ao que nos damos como certo, porque este processo, este trabalho interior, desativa grilhões emocionais.
A resiliência, a persistência, o acreditar em ir mais longe e não desistir, não são a competição do mais forte ou a inflamação do ego que, não raras vezes, leva à depressão e ao psiquiatra, mesmo que se negue a síndrome da autossuficiência, campo ilusório que invariavelmente conduz ao sofá do terapeuta.
Ninguém se faz sozinho mesmo quando pensa que sim, e só é inteligente aquele que se permite sentir, que reconhece as emoções e as tenta perceber ao invés de as negar ou ignorar.
Só pelo amor chegamos a nós mesmos, à compreensão dos outros e de outras realidades, aos porquês dos nós do caminho, porque implica algo que escapa à razão
E o amor é essa capacidade de nos reconhecermos humanos no Outro, admitindo também a falha em nós!
Ser humano não é ser perfeito.
E endeusar a razão é alimentar a solidão, camuflada por um sentido de omnipotência.
É não perceber que aquilo que faz o coração bater, que nos faz levantar diariamente, sonhar e ter objetivos, é tudo menos a razão ou a mera inteligência a que chamo de cognitiva.
Ninguém ama pela lógica. E usamos as ferramentas erradas, forçando-as a um espelho onde nos vemos poderosos.
Criamos um viés cognitivo, porque o Homem é um ser relacional, e todos precisamos de todos.
Freud tinha razão quando dizia que a psicanálise era uma cura pelo amor.
Não porque seja esse o único caminho, mas sim por ser o último recurso quando se esgotaram as hipóteses de reconhecermos em nós mesmos a fragilidade da condição humana e, consequentemente, de ninguém estar imune à vulnerabilidade.
Só a humildade permite o autoconhecimento, já que este nos pode revelar facetas obscuras ou que nem queremos conhecer!
E só o autoconhecimento pode conduzir à mudança; certos, porém, de que esta nunca existirá, se não reconhecermos que não existe nenhuma omnipotência humana e, só por isso, é muito pouco inteligente quem se vê como o super homem.
A mudança vem sempre de dentro. Sempre.
Mas sem reconhecimento de andarmos erráticos e cheios de nós - ou quaisquer outros problemas que nos impeçam de baixar a altivez do ilusório autossuficiente, então a mudança não se opera.
É como se fosse uma lei da física. Tudo o resto é uma auto ilusão que nos compromete o discernimento e a lucidez.
Só então muitos conseguem reconhecer a própria vulnerabilidade e fragilidade, mas que por orgulho, soberba ou medo, passaram uma vida inteira a negá-las... e, com isso, nunca se permitindo, por uma abstrusa condição egóica, serem o que sentem, e não o que pensam.
É, de resto, a vulnerabilidade - quando assumida com a mesma naturalidade dos nossos feitos e glórias - o denominador comum que nos torna verdadeiramente humanos.
O seu oposto, seria uma espécie de existência robotizada, matematizada, auto programada e, como tal, sem vida, sem encanto, sem esperança e, como diz Freud ainda que com uma nuance, sem amor...

8.3.26

NEM TODAS SÃO MULHERES

As mulheres não têm o estatuto pré-definido que os homens têm, como se houvesse uma casta humana, fruto da fabricação de preconceitos.
A desigualdade é um preconceito, tal como tudo o que ostraciza em função de uma ideologia pessoal e coletiva, acrítica e seriamente danosa.
Começa na dignidade da pessoa humana, efetivando-se também nas causas, nos direitos e na falta de respeito pelos valores alheios.
Foi, aliás, precisamente por isto que, a 8 de março de 1857, as operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque tiveram a coragem de se opor e fazer uma grande greve, ocupando a fábrica para reivindicar melhores condições de trabalho, nomeadamente a equiparação de salários com os homens.
O desfecho foi horrendo: a manifestação foi reprimida com tal violência que as trancaram dentro da fábrica, posteriormente incendiada, tendo morrido cerca de 130 tecelãs carbonizadas.
Mas podia ter sido apenas uma, que o drama não diminuía.
É esta a poesia que hoje celebramos. E, em 1975, a data foi oficializada pela ONU, precisamente como homenagem a estas mulheres e à sua luta, estendendo-a a todas as mulheres.
Celebramos, então, o Dia da Mulher.
Mas há tanto para dizer sobre o que é ser Mulher.
Uma alma guerreira que nada deve ao género masculino, sem, por isso, deixar de ser uma referência humana.
E aqui há que tocar também na forma como muitas reivindicam, legitimamente, mas insensatamente, o seu papel de mulher.
Porque nem todas são Mulheres, caindo em extremismos de afirmação, ou em altivez de condição social ou soberba intelectual.
Mas estas, as Mulheres que não vão por aí, têm a resiliência que falta a tantos, que passa também pela atitude compassiva que muitos homens, na sua arrogância e altivez, desprezam.
No entanto, são igualmente delicadas, como se não tivessem enterrado as mãos na terra.
Como se não lutassem e sofressem, sem que nada ou ninguém pareça fazer jus a uma tal luta interior e social.
Mas o sentido de justiça não nos deve tornar justiceiros, nem impiedosos, nem o contrário do que é suposto reivindicar.
É por isso que, a quem é verdadeiramente Mulher, não se instaura no seu espírito, de forma definitiva, nem o desprezo nem a raiva da generalização.
Uma verdadeira Mulher sabe acolher com o perfume do amor e a suavidade da generosidade.
Precisamente por conhecer aquilo com que o próprio Homem e a vida as esbofeteiam, tendo-as deixado nas cinzas do abandono e da solidão.
Caso contrário, seriam muito mais parecidas com os homens.
Aqueles que não sabem ser Homem.
Que são instintivamente brutos, insensíveis, olho por olho, dente por dente.
Que têm uma superioridade doentia, a abarrotar de complexos de masculinidade pelas suas atitudes — ou pela falta delas — revelando, paradoxalmente, uma masculinidade frágil.
E quantos homens foram, por este exemplo de Mulheres que conseguem ser firmes mas suaves, convertidos ao que é ser Pessoa.
E isto não é para todos.
Nem para tudo o que é do sexo feminino.
A Mulher é uma espécie de contrapeso na temperatura da Humanidade.
Sabe vestir-se com o dom da oblação e da partilha, da sensualidade e da retidão de sentimentos, de agradecimento a si mesma, à vida e a quem sabe que lhe quer bem.
Sabe dançar e pisar o tapete vermelho das suas próprias glórias sem que, por isso, cobre nada do que faz, ou sequer ostente o seu dorido troféu.
É o domínio de si mesma.
O conhecimento de si e das imperfeições.
É o espelho da sua própria liberdade interior.
A liberdade que só o é quando se reclama o que é seu por direito e nunca por tolerância. Que, sendo humana, se mantém, porém, firme.
Depois há as outras: as ruidosas, as que são mais reivindicativas do que lutadoras e que se consideram um exclusivo onde só legitimam o que querem.
É por isso que não conhecem, nem sabem,
o que é a elegância da alma, da formação humana, eventualmente camuflada em títulos académicos.
Não sabem o que é a dor ou o sofrimento.
O que é pôr as mãos na lama das adversidades.
Mas uma Mulher, uma Mulher de verdade, mesmo injustiçada nos pântanos sociais -tantas vezes travestidos em falácias - não deixa, por isso, de saber ser Pessoa.
E é isto que lhe dá autoridade:
não o contínuo vociferar em estéreis ruídos que também escondem maledicência.
E, claro, há que falar da hercúlea polivalência da Mulher no quotidiano real, e não em meras considerações filosóficas.
É que, ao contrário dos homens, preocupam-se menos com considerandos e egos, e mais com o pragmatismo e os afetos.
E, só por isso, são já uma lição para tantos.
E esta dupla qualidade
não é qualquer pessoa que a tem.
Tem-na quem possui a inteligência do coração.
A bravura da alma, não dos punhos ou do vociferar, qual criança birrenta e mimada por si mesma.
A sapiência de que nem tudo é oito ou oitenta.
De que muitas coisas não invalidam outras.
O sentido da retidão e da Justiça, combinados com a grandeza da alma e uma contínua lição de Amor.
Sim. Porque o Amor é exigente.
Exige, antes de tudo, respeito por si mesmo.
Mais: não se comparam nem invejam quem quer que seja, porque sabem que a responsabilidade é sempre individual na condução da vida.
Este calibre de pessoas de que tenho vindo a falar não existe apenas por se ser da condição feminina.
Existe naquelas que verdadeiramente
sabem o que é ser Mulher.
E, só por isso, são já uma lição
para tantos homens.
A firmeza simples de Ser,
sem submissão nem medo,
mas também de se saber dar como Pessoa.

20.3.25

O QUE É, AFINAL, A FELICIDADE? (DIA INTERNACIONAL DA)


O que é a felicidade? Comemora-se hoje o seu dia, mas o que é, afinal, a felicidade?


Cada um poderá ter para si um conceito mais ou menos difuso, mas há alguns conceitos que precisam de ser desmontados, sob pena de auto viés. O dinheiro, por exemplo. Proporciona bem estar, conforto, prazer pessoal, potencia a própria felicidade, mas não é a felicidade em si.

O poder, fama, sucesso. Mantém o ego nas alturas, proporciona um sensação de omnipotência, potencia (ou tem esse potencial) a própria felicidade, mas não é a felicidade em si.

Senão vejamos: uma pessoa deixada numa ilha paradisíaca com tudo ao seu dispor, depressa esgotava a sua verdade existencial. Porquê? Porque está na nossa própria inscrição genética, que o Homem é um ser relacional.

O dinheiro (de tão necessário que é, mas que apenas o refiro na ótica do seu peso naquilo que verdadeiramente torna uma pessoa feliz), não compra o Amor, os Amigos de Verdade, a Saúde ou o Tempo.

Tal como não compra os valores universais dos imperativos éticos. É, aliás, por isso, que também o dinheiro não evita a injustiça, a incompreensão, o desamor e a desestruturação como pessoa.

Porque o dinheiro, o sucesso, poder, fama, potenciam o sentimento de felicidade, mas não a substituem. É uma das mais perfeitas ilusões. Mas se formos felizes, o dinheiro abrilhanta a própria felicidade. Porém, o contrário não acontece.

É que a Felicidade vem de dentro, e é totalmente insuscetível de avaliação pecuniária. É sentir que caminham connosco, que somos compreendidos e amados, que somos apreciados.

Então e agora que faço com todo este dinheiro, suposta fonte de felicidade, se não tiver quem me ame nas diversas vertentes do Amor (universal, de amizade, fraternal, romântico...)!?

A suposta felicidade oriunda dos bens materiais, é igual à de um náufrago sobrevivente de um luxuoso cruzeiro numa ilha deserta e perdida, com tudo ao seu dispor. O próprio sentido de auto preservação seria corrompido. Tal como tantas vezes acontece por falta de significado na vida.

E não há significado que não esteja intimamente ligado à nossa necessidade relacional. É sempre nas coisas simples e na relação com o Outro, que a Felicidade desponta.

E não se é feliz todos os dias, mas não por não termos amor.

É, aliás, também, por isso, que devemos estar continuamente atentos àquilo que sentimos, porque essas tensões de equilíbrio, essas emoções, surgem, precisamente, para nos alertar para a toxicidade de outras.

Tudo o resto é importante, mas acessório a que possamos dizer com propriedade que somos Felizes. Porque sem Amor, o Homem nunca se realiza, nem que seja ajudando o outro, porque existe recompensa instantânea.

O dinheiro brilha, tenta e confunde. Mas não cura um coração ferido. Não se compadece da mais profunda dor. Não traz de volta quem nos perdeu ou quem perdemos. Só o Amor.

Sim, o dinheiro é uma das mais perfeitas ilusões, já o disse, de tão reluzente! Mas só até ser ofuscado pelo sol. Aí percebemos o que verdadeiramente brilha.

E, é este sol que confundimos com a luz artificial das coisas, que nos faz bater o coração e acordar todos os dias com um propósito. É ele que nos dá o verdadeiro sentimento de felicidade. Voltamos ao exemplo do náufrago com tudo ao seu dispor e, porém...

Tal como alguém com os maiores luxos, casas palacianas, infindos bens materiais, mas sem ninguém que o ame pelo que é.

Só por amor conseguimos aliviar o peso de um coração triste. Só por amor conseguimos aliviar a fome de um mendigo que verdadeiramente a tem, ou tornar menos pesada a cruz dos que, habituados à dor, já nem se queixam ou estendem a mão.

Só por amor somos resgatados de uma existência fúnebre, doentia, como quem foi traído nos alicerces que nos trazem vivos.

Só pelo amor dos outros suportamos a doença, a injustiça, a maldade, a inveja. As lágrimas de quem nos partiu como que levando um pedaço de nós.

Só o amor extingue a solidão. Um coração que sangra, uma depressão que se instalou.

A felicidade existe ao ver o Bosquinho tão confortável no seu dormitar, que passou a ser minha. Existe, quando, no hospital, recebemos a notícia de que já podemos ir para casa. Ou de que, quem fomos visitar, continuará vivo e não morrerá, como pelo seu quadro se julgava.

A felicidade existe, sempre que amamos e somos amados. Tudo, literalmente tudo, incluindo os bens materiais e a capacidade financeira que nos abrilhanta a vida, vem sempre depois do Amor.

É aí que reside a Felicidade.

Porque só o Amor dá razão à existência! 

16.3.25

ISTO NÃO É POLITICA








A política nunca me moveu. As raras vezes em que opino, é por uma questão de se ter tornado uma situação tão absurda, surreal ou desconcertante, que, invariavelmente concluo que, raramente, a culpa é dos políticos, mas da bomba atómica tão mal e vulgarmente usada pelo iluminado néscio povo, e que é o voto popular!

Basta olhar para Trump (não os Estados Unidos que ele ainda não representa, e que, felizmente, não são nada do que vemos, assim venha um Obama libertar a nação)!
No mínimo, há que ter, ainda, esperança, mesmo com um mundo já com alterações substanciais no terreno.

É difícil, depois de tantos iluminados terem dado, de novo - e após uma tentativa de reposição da liberdade democrática com todos os seus defeitos, mas livre, com Joe Biden -, outra vitória ao inominável autocrático Trump.

Dito isto, que o meu sentido de justiça e objetividade (não neutralidade), sempre se auto impôs em detrimento das próprias amizades, se necessário, e até de pessoas hierarquicamente superiores a mim, a quem devo lealdade ou arriscar aquilo que é, objetivamente justo... (**)

...é-me gratificante, no meio dos urros da populaça que em massa vão pela rama das coisas, ou ideologicamente cegas e, por isso, sem nunca conseguirem atualizar as suas decisões, aconteça o que acontecer, partilhar dois pequenos extratos de entrevista, onde um partidário do PSD e outro do PS, conseguem a rara objetividade.

Irmos para eleições pela terceira vez, num espaço de tempo ridiculamente curto, é uma das maiores pirrónicas teimosias de qualquer partido na oposição, desde que Portugal é uma democracia.

Uma birra infantil por dá-me o chocolate, que contribuiu para a queda vergonhosa, na forma e no conteúdo, deste governo de minoria, apenas eleito há um ano e, durante o qual, não obstante nada ser perfeito, estava a realizar um trabalho mais do que razoável, considerando o momento porque passamos, e o facto de ser uma minoria.

Pronunciando-se sobre a situação, os atuais comentadores políticos, na generalidade, legitimam o PS tentando fortemente convencer quem não vê para além do seu umbigo, que estamos nisto graças ao governo e, em particular, a Luís Montenegro cidadão (que, por acaso, ocupa o lugar prestes a deixá-lo oficialmente, de Primeiro-ministro). Lá vamos gastar milhões porque sim.

Mas vemos aqui, dois exemplos raros de quem sabe ser intelectualmente sério, na apreciação dos factos e de todo o enredo em que isto se tornou.

Pelo PS, não temos apenas mais um a tentar colar culpas objetivamente superficiais ao governo agora dissolvido.

Sérgio Sousa Pinto tem pensamento próprio, e encara tudo isto que, infelizmente, se passou, como um lavar de roupa suja, exaltando-se se poderiam ou não falar de política, já que, era por isso que ele estava ali.

Ou seja, percebeu, ab initio, que a sua interlocutora, defendendo o mesmo partido dele, não tinha, porém, capacidade objetiva pessoal e séria, de não sucumbir a tudo o que, no dizer do seu colega socialista, é "pôr a roupa na máquina", perguntando exaltado, à condutora da entrevista, se podiam falar de política, ou seja, agora que temos um facto triste e revoltantemente confirmado, o que se seguirá politicamente?

Porque são esses, para si, os cenários que importam discutir.
Esteve Sérgio Sousa Pinto amarrado à ideologia política que perfilha, quais apoiantes de Sócrates e António Costa, - tal como comentadores a imitar o que de pior já o povo faz tão bem - e, para quem, ambos foram um exemplo de governação, dado que a cruzinha não saiu do seu lugar?

Não, Sérgio Sousa Pinto soube separar as águas. Porque não deixou um milímetro de ser socialista. O que não o impede de ser crítico. Pelo PSD, temos Miguel Monteiro, ou seja, Sérgio Sousa Pinto em versão social democrata. Tal, também não o impediu (apesar de frontal e factualmente lembrar a realidade das coisas, gostemos ou não, por não serem opinativas), de criticar o PSD, a forma como o próprio governo se deixou infetar na manhosa ratoeira do PS, chegando este a sugerir que apresentasse uma moção de confiança, se se sentia tão certo e seguro de si.

Infelizmente, na escalada acusatória e defensiva dos dois maiores partidos, acabou mesmo por levar o governo a apresentar a tal moção de confiança, depois de duas ridículas moções de censura pelo Chega e PCP, e nem trago, sequer, à colação, a CPI do PS.

Ou, seja, sem deixar de opinar (ao contrário do que fez Sérgio Sousa Pinto, focando-se naquilo que, agora, é importante, e não a lama do que ficou - posição que subscrevo), lembrando quão frágeis são os telhados de vidro do PS (dado ser graças a este que o governo ficava ou caía), e de como nada disto, alguma vez, seria um caso político, dramaticamente acusatório e alimentado por birra e espiral destrutiva e egóica, por puro aproveitamento partidário socialista, se fosse Pedro Nuno Santos, o justo Sócrates ou o dissimulado inocente António Costa, a estarem no lugar de Luís Montenegro.

Mas, e aqui reside a diferença, faz fortes críticas ao que entendeu dizer do PSD, o partido que milita, naquilo que é a minha bitola pessoal, ou seja, olhemos os factos; retiremos as preferências pessoais por mais enraizadas, punhamo-nos, aí sim, no papel de um juiz que fosse chamado a dirimir esta mexicana novelesca situação e, apenas assim, teria conseguido, com seriedade, ajuizar do que lhe fora pedido.

Pessoalmente, acho tão degradante a maneira como se faz hoje política em Portugal que, não foi por acaso que escrevi há uns dias, não sobre a atual administração norte-americana, mas como foi possível voltar a legitimar uma criatura com um ego tão patológico e doentio, que só encontra par nos regimes ditatoriais.

Basta lembrar o "Animal Farm" de George Owerll, - traduzido como "A Quinta dos Porcos", e que até já foi leitura obrigatória na disciplina de Inglês do 12° ano -, onde, de palavrinha mansa em palavrinha mansa, todos os animais acabam seus escravos, de tão candidamente acreditarem na "diplomática lábia" dos porcos, originando, a conhecida epítome de que "todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais do que outros".

_________________
(**) Sem que dependa de interpretações pessoais, segundo cada interesse, dado ser factual (o heliocentrismo não é uma teoria, mas um facto cientificamente comprovado que terminou com a "evidente" observação de que era o Sol a girar à volta da Terra, e não o seu contrário, por mais negacionistas que existam no mundo, tal como o fazem com a alunagem, ou com o Covid).