
A educação cheira a visita de museu, e a frontalidade resvalou para arrogância. Neste nevoeiro do conhecimento todos os dias temos os mais variados corsos onde o papel principal é sempre o nosso. Daí que o dia de carnaval seja hoje uma mera festa pública para miúdos e graúdos, porque a verdadeira, a genuína e formal, é aquela em que os carros alegóricos (pessoais ou colectivos) passam todos os dias por nós. Entre a defesa e a hipocrisia, entre o real e o intencional, as máscaras são produto de personalidades prensadas no despotismo de muitos. Neste aspecto valorizo os simples, a simpatia do riso, a desresponsabilização salutar por tantos males do mundo! E esses sim, sabem brincar. Sem precisar de corsos ou trajes forçados. O homem médio é sem dúvida o mais feliz. E passadas as vinte e quatro horas permitidas ao excesso, entra-se num período de reflexão. É a Quaresma com início no dia seguinte, a Quarta-Feira de Cinzas! “Lembra-te que és pó e ao pó hás-de voltar”! O tempo que se inicia a seguir ao Carnaval, não devia ser um tempo avulso de reflexão ou um workshop de crentes, tal como a catarse lúdica não deve concentrar-se num dia colectivo que é o dia de hoje, o de carnaval. É muito bom brincar, mas se é carnaval, esperemos que tempo haja para não brincarmos às guerras. Ainda que aquelas onde as próprias pessoas são os campos de batalha...