17.4.09

Amizade e (Im)parcialidade


É um engano dar às nossas opiniões um peso de verdade superior ao que elas têm. Dar a nossa opinião é válido e legitimo desde que tenhamos consciência do seu carácter relativo. Se é uma opinião, é porque não é uma verdade absoluta. Quem pensa que sabe tudo, não aprende nada. Temos de nos esquecer de nós mesmos muitas vezes para não cairmos na tentação de fazer o mundo girar só à nossa volta, e que só é válido aquilo que pensamos que é. Porque a realidade pode ser outra, e então cometemos injustiças.

Precisamos de ter um sentido de realidade ajustada, com o devido respeito que todos os outros merecem, e não partir do pressuposto que se penso assim é porque é verdade. O mesmo se aplica a quem ouve estórias, versões, sem confrontar as partes. Por maior amizade ou amor que tenhamos a alguém, acreditarmos piamente no que nos dizem sem cuidar de saber do outro lado (porque a realidade é uma), é aviltarmos o nosso próprio sentido de justiça.

Quantas vezes cometemos injustiças sem cuidar das versões. E isso, meus amigos, é o pior que pode acontecer no ser humano. Lobbies, grupos, partidarismos. Talvez seja por isso que sou crente sem ser acrítico; que não sou adepto de nenhum clube de futebol mas torço pela Selecção (sentido de unidade com todo o respeito pelos ferrenhos de clubes que em parte não deixa de ter a sua graça se de forma saudável, já que ferrenho não é o mesmo que fanático); não perfilho nenhum partido mas estou atento aos sinais; sou open-minded; e, em cada conjuntura eleitoral chamo o Lampadinha do Walt Disney (por vezes o grilo da consciência)para saber em quem hei-de votar (sim, que os partidos são tudo menos constantes).

Dá-me uma maior liberdade para tentar não aviltar nada nem ninguém. No máximo, defender a minha honra... quando a não confundem com outra coisa qualquer. Há quem nao se preocupe minimamente com o que dizem deles. Mas há quem se sinta indignado e injustiçado, apenas porque é mais frágil e não tem os outros como referência. Há tanta vaidade velada. Tanta simplicidade fingida. Tanta amizade sonegada.

A vida encarrega-se de nos arranjar sofrimentos inevitáveis: não acrescentemos ainda mais dificuldades à nossa existência.

E para este longo pensamento / reflexão não ficar muito pesado, desejo-vos uma boa 6ª feira, deixando-vos com este filme hilariante, ainda que o conheçam... :=)

Até já! :)



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