28.2.09

QUANTO BASTE À DOR



Não pretendo fazer a apologia do sofrimento, nem tão pouco um elogio, mas ao contrário do que muitos de nós pensamos, o sofrimento educa-nos para outros valores, outros prismas da mesma realidade. Por meio dele tornamo-nos mais homens, mais fortes, mas empáticos. Por meio dele aprendemos a nossa frágil condição humana, e paradoxalmente, é este diferente sentir que nos confia o mister de viver.

Nietzsche escreveu que “só o grande sofrimento é o grande libertador do espírito”, e Camus refere que é ele que ensina tudo! O próprio Cristo é a face visível do sofrimento, mas não de uma forma estóica ou masoquista, antes de uma força libertadora que provém do próprio sofrer. Não se fala aqui de coitadinhos, de curiosos, de reality shows, mas de acidentes reais do viver que, por sinuosas estradas nos levam a sofrê-los por inteiro, sem dó nem piedade, como o trepidar de uma bala de canhão. E sofrer faz doer, estigmatiza-nos até à medula, cristaliza as lágrimas e deixa-nos num longo e estéril deserto até à insensibilidade! Mas a nossa atitude perante a dor pode ser o passo de gigante que de outra forma talvez nunca déssemos. Exangues no sentir, física e psicologicamente depauperados, moralmente abalados, tristemente vivos. É talvez nesta fase de atitude de aceitação para a mudança, que se compreende melhor aquele frase de Sting: “how fragile we are”!

O jornalista Jean Paul Kauffman (que foi feito refém durante três anos em Beirute) escreveu depois da sua libertação: “Estes anos foram atrozes. Chegámos ao grau mais próximo da estupidez humana a que um ser humano pode chegar, mas quando uma desgraça assim nos bate à porta, temos de saber usá-la para fazermos marcha atrás, para, de certo modo, nos testarmos. O sofrimento revela muita coisa. É horrível dizê-lo, mas eu podia ter morrido idiota, se não tivesse passado por tudo aquilo”!

Estes juízos de experiência, tornam-nos focos transmissores de pacificação. Talvez aqui se compreenda a afirmação de que só os homens sofrem e os animais sentem dor. E fortalecidos pela não-lógica, podemos então ver os outros nas suas verdadeiras relações, e não já nessas aferições dogmáticas que apenas diagnosticam o exterior. Procurar o sofrimento é do mais patológico que há, mas saber aceitá-lo quando se interpõe no caminho, com uma atitude de resistência activa como quem procura retirar o que de produtivo possa haver nisso - por mais que o termo possa parecer estranho e desqualificado -, é sabedoria e inteligência de vida. Mas é, acima de tudo, a capacidade de perceber o sofrimento nos outros, por menos racional que possa ser a sua fonte, que nos deve remeter para a experiência humana da humildade. E, dessa forma, lutar até ao limite pela dignidade diminuída, mesmo nos aspectos mais desonrados.



HUMOR ;)













27.2.09

Ambição

Se é mau não ter aspirações,
também o é não encontrar nunca
um tecto para o que se deseja.

Aspirar a mais pode ser uma fuga em frente
da qual dificilmente se poderá escapar.

Aqui reside, a meu ver, a explicação
para este tipo de vida
(desmesuradamente activa),onde o homem
fica reduzido a um brilhante currículum
e ao êxito profissional.

Se nos descuidamos, o primeiro valor a ter presente
deixará de ser a categoria moral das pessoas,
passando a sê-lo a conta bancária
ou o número de mestrados realizados no estrangeiro.


Não se é melhor pessoa pelo facto de ter mais títulos
tal como não é por ter mais jóias que se é mais elegante.


Devemos ser "alguém na vida",
mas também temos de saber a que preço...

Eu é que estou certo...

Somos fundamentalmente nós próprios
que temos de corrigir os nossos erros.

Mas em primeiro lugar devemos admitir
a possibilidade de nos enganarmos.

Teoricamente, é fácil admiti-la,
porque nenhum de nós se considera perfeito.

A dificuldade surge quando temos de reconhecer
que uma determinada atitude nossa está errada.

Se não conseguimos ter uma certa desconfiança de nós próprios,
ficamos sem auto-crítica e, sem esta, não nos podemos corrigir.

Do Auto-Engano



A maturidade exige conhecimento próprio e o conhecimento alheio.
Essas formas de conhecimento levam à autocrítica e ao autodomínio.

Pressupor que qualquer pensamento, palavra ou ideia está certa porque procede da minha inteligência náo é só uma tolice.

É também uma atitude que nos leva inexoravelmente ao engano.



25.2.09

O Deus da Montanha



foto tirada no museu de Cera de Cristo


Aceitar a nossa história, é saber ser Homem. Cristo compreendeu mais do que ninguém a psicologia humana, e foi assim que não se expôs sem primeiro reflectir. Um revolucionário arranca as palavras do seu interior como quem atira pedras. Um revoltado maldiz o mundo. Mas Cristo soube fazer a denúncia do achincalhamento da dignidade humana sem se render aos poderes instituídos, políticos e religiosos embora também sem os desrespeitar. Geraram-se grupos à sua volta que o apoiavam como o libertador de querelas políticas, mas Cristo sabia ler acima das minudências e manigâncias. Diz que somos seres humanos com toque do divino, sem no entanto desrespeitar a hierarquia existente ou convidar à insurreição. Mas não pactua: denuncia. E soube denunciar com frontalidade e coerência ao ponto de perder amigos, como previra com a negação de Pedro ou a traição de Judas!

A História da Humanidade tem tanto de heroísmo como de cobardia. Certo é que serpenteamos entre a ética e a coisificação; entre o amor e o poder; Para muitos, o tempo quaresmal que se inicia em Quarta-Feira de Cinzas e que culmina no Domingo de Páscoa, é simplesmente desconhecido. Iliteracia religiosa. Mas reveste-se para os crentes de especial significado. Todos os anos fazemos férias, pretendemos revigorar energias, esquecer a ditadura do relógio e dos dias da semana pela leveza da despreocupação e por uma maior partilha e contacto com os outros, de alguma forma impedida ou pelo menos muito mais limitada durante os restante onze meses do ano. Ora a Quaresma não se assemelha a umas férias, mas tem como ponto de contacto a necessidade de recuperar o sentido da vida, retemperar forças a todos os níveis reforçando-as por um retiro interior, uma reflexão sobre as nossas atitudes, quer na relação connosco mesmos, quer com os outros, quer com a espiritualidade (que não é o mesmo que religiosidade). Espiritualidade é ter noção do que está para além de nós, do que nos transcende e ultrapassa, mas nem todos os crentes têm esta prática de espiritualidade e muitos não crentes têm uma intensa vida espiritual. E talvez assim vejamos com outros olhos o que teimosamente ignoramos, o que orgulhosamente ocultamos, e o que simplesmente desconhecemos de nós mesmos. Porém, nada disto poderia ser feito sem uma paragem no nosso tempo interior! Não para nos determos nele, mas para avançar cada vez mais fortes e conscientes na vivência cristã do amor, que paradoxalmente é o corolário do sacrifício.

É desta forma que se inicia a Quaresma como um tempo de reflexão, de interioridade e comunhão. De pensarmos Deus à luz de tanto ateísmo e de talvez assim percebermos a “solidão de Cristo”, ou se preferirem, a “humildade de Deus”. Um ateu é um órfão que nega a existência de um pai. Prefiro os agnósticos. De compreendermos o mistério da Cruz que é afinal o mistério do Amor, e toda a trama política, religiosa e social que o envolveu. De olhar para o Crucificado despojados da nossa soberba intelectual e do nosso ostensivo ateísmo, como quem passa um certificado de menoridade intelectual a quem crê! E olhar silentemente a figura de Jesus sem efervescências racionais que impedem reflectir com abertura!

Subir à montanha! Há que subir à montanha. A montanha do silêncio. Do silêncio sem pensar, sem discutir, sem pretender... e assim talvez revermos Cristo ausente da nossa auto-suficiência, do nosso horizonte falho de humildade, e do nosso desdém pelo divino. E desta forma, em vez de o voltarmos a crucificar pela cobardia da nossa ignorância, devíamos tentar antes fazer um espaço dentro de nós, para que nos ensinasse, nos falasse, nos calasse, nos amasse ainda mais, e podermos então simplesmente dizer: “Aqui estou”! Ainda que sem crer. É o mistério do Amor.


Diz uma história que certo dia um homem ia a passar quando viu Cristo crucificado na cruz. Ficou tão entristecido que o quis ajudar. “Deixa-me tirar-te daí” – pediu o homem. Mas Jesus respondeu-lhe: “Não! Vai antes pelo mundo e diz aos homens que encontrares, que há um homem pregado na cruz”...

24.2.09

Fábula da galinha vermelha

Esta fábula ficou mais conhecida quando foi divulgada por Ronald Reagan, nos anos 70, quando o presidente reduziu a carga tributária e conseguiu aumentar a arrecadação nos EUA. A história da galinha vermelha que achou alguns grãos de trigo e disse a seus vizinhos: 'Se plantarmos trigo, teremos pão para comer. Alguém quer me ajudar a plantá-lo?' 'Eu não', disse a vaca. 'Nem eu', emendou o pato. 'Eu também não', falou o porco. 'Eu muito menos', completou o ganso. 'Então eu mesma planto', disse a galinha vermelha. E assim o fez. O trigo cresceu alto e amadureceu em grãos dourados. 'Quem me vai ajudar a colher o trigo?', quis saber a galinha. 'Eu não', disse o pato. 'Não faz parte de minhas funções', disse o porco. 'Não depois de tantos anos de serviço', exclamou a vaca. 'Eu arriscar-me-ia a perder o subsídio de desemprego', disse o ganso. 'Então eu mesma colho', disse a galinha, e colheu o trigo ela mesma. Finalmente, chegou a hora de preparar o pão. 'Quem me vai ajudar a assar o pão?' Indagou a galinha vermelha. 'Só se me pagarem hora extra', falou a vaca. 'Eu fugi da escola e nunca aprendi a fazer pão', disse o porco. 'Caso só eu ajude, é discriminação', resmungou o ganso. 'Então eu mesma faço', exclamou a pequena galinha vermelha. Ela assou cinco pães, e pôs todos numa cesta para que os vizinhos pudessem ver. De repente, todos queriam o pão, e exigiram um pedaço. Mas a galinha simplesmente disse: 'Não, eu vou comer os cinco pães sozinha'. 'Lucros excessivos!', gritou a vaca. 'Sanguessuga capitalista!', exclamou o pato. 'Eu exijo direitos iguais!', bradou o ganso. O porco, esse só grunhiu. Pintaram faixas e cartazes dizendo 'Injustiça' e marcharam em protesto contra a galinha, gritando obscenidades. Quando um agente do governo chegou, disse à galinhazinha vermelha: 'Você não pode ser assim egoísta'. 'Mas eu ganhei esse pão com meu próprio suor', defendeu-se a galinha. 'Exactamente', disse o funcionário do governo. 'Essa é a beleza da livre empresa. Qualquer um aqui pode ganhar o quanto quiser. Mas sob as nossas modernas regulamentações governamentais, os trabalhadores mais produtivos têm que dividir o produto de seu trabalho com os que não fazem nada'. E todos viveram felizes para sempre, inclusive a pequena galinha vermelha, que sorriu e cacarejou: 'eu estou grata', 'eu estou grata'. Mas os vizinhos perguntavam sempre porque é que a galinha, desde então, nunca mais fez porra nenhuma... Nem mesmo um pão.

Palestina / Israel

Num discurso nas Nações Unidas um representante de Palestina diz:
"Antes de começar a minha intervenção, quero dizer-lhes algo sobre Moisés:
- Quando partiu a rocha e inundou tudo de água, pensou, "que oportunidade boa para tomar um banho!" Tirou a roupa, colocou-a ao lado sobre a rocha e entrou na água. Quando saiu e quis vestir-se, a roupa tinha desaparecido. Um Israelita tinha-a roubado."
O representante Israelita saltou furioso e disse:
"O que é que você está a dizer? Os Israelitas não estavam lá nessa altura."
O representante Palestiniano sorriu e disse:
"E agora que se tornou tudo claro, vou começar o meu discurso."

23.2.09

Do Desafio

Fui desafiado pelo Peter Pan a escrever nove coisas sobre mim, sendo que três são mentira! (Não sei como é que com tantos jogos destes ainda não me tinha calhado nenhum)...

Não me suscita particular interesse, mas on a second thought, não só seria indelicado não corresponder ao convite do Peter Pan, como penso contribuir para um maior conhecimento entre os bloguistas que, por vezes, acabam por ter uma espécie de amigos em rede com poucos circuitos alternativos, ou seja, é natural que sigamos blogues com os quais mais nos identificamos, mas penso pertinente uma heterogenia para que todos tenhamos mais rosto, mais "ser", e não sejamos apenas seres virtuais que partilham e se "correspondem", existindo, também, assim, maior interactividade. Fica, então, o meu contributo:



* Nunca dancei em cima de colunas numa discoteca
* Sou viciado em wrestling
* Adoro lasanha
* Tive um cão
* Aprecio carros mas não conduzo
* Já passei uma semana sozinho nas Berlengas
* Numa viagem de avião fui visitar o cockpit
* Criei uma associação sem fins lucrativos e fiz radio
* Sou apartidário, não tenho clube de futebol e gosto de 3D

E agora, como é bom quebrar as regras, passo-o a mais alguns com o critério acima referido (heterogéneo e não apenas os amigos com os quais mais nos identificamos ou que nos seguem). Caso alguém já tenha não apenas recebido, como também partilhado o convite, o meu obrigado na mesma, e obviamente ignorem... ou repitam-no com outras afirmações :) Uma outra sugestão, seria nós mesmos (quem quer que seja) criar outros deste tipo mas mais interessantes. De momento estou sem imaginação nenhuma. Falta de gotas, portanto ;)


Então aqui ficam:


JotaSP; Arms; André Couto; Hugo de Oliveira; Ângelo Meneses; Fábio Lopes; Alberto Velez Grilo; Luis Marques da Silva; Hydra; João; Heartbeats; Tiago Reis; Sócrates da Silva; António Frazão; Do You Believe In Angels? No Limite do Oceano; Skizo; Lampejo; AstroBoy; Carlos Veiga; Voador; Luís Galego; Paulo ; NanBanJin; Ominoma; Ana Gonçalves; Mona Lisa; Francisco Castelo Branco;


Thks to all... e quem não estiver aqui, ou já tenha respondido ao desafio de outras pessoas, que tal novos desafios?
Abraços e beijos a tod@s.

Oscares 2009


Melhor Filme: 'Slumdog Millionaire'

Melhor Realizador: Danny Boyle - 'Slumdog Millionaire'

Melhor Actor: Sean Penn - 'Milk'

Melhor Actriz: 'Kate Winslet - 'The Reader'

Melhor Actor Secundário- 'Heath Ledger - em 'The Dark Knight'

Melhor Actriz Secundária: ’Penélope Cruz em‘Vicky Cristina Barcelona’

Melhor Filme de Animação: Wall-E

Melhor Filme estrangeiro: 'Departures' do Japão

Melhor Argumento original: 'Milk'

MelhorArgumento adaptado: 'Slumdog Millionaire'

Melhor banda Sonora: Slumdog Millionaire

Melhor canção Original: '‘O Saya' - ‘Slumdog Millionaire'

Melhor Montagem: 'Slumdog Millionaire'

Fotografia: 'The Curious Case of Benjamin Button'

Guarda-Roupa: 'The Curious Case of Benjamin Button'

Best Sound Mixing (Som): 'Slumdog Millionaire'

Edição de Som: 'The Dark Knight'

Caracterização - 'The Curious Case of Benjamin Button'

Direcção artística - 'The Curious Case of Benjamin Button'

Efeitos Especiais - 'The Curious Case of Benjamin Button'

22.2.09

Petição

Salvem os Museus Nacionais dos Coches e de Arqueologia e o Monumento da Cordoaria Nacional!

basta carregar no link acima para assinar a petição. Vejam as fotos no blogue do Luis Marques da Silva

Do Carnaval


Não vesti este fato nem usei estes sabres: é uma fotomontagem, obviamente, mas quiçá mascarar-me-ia de Jedi, se ainda tivesse pachorra para os apitos e chapéus na cabeça, serpentinas, comboinhos de pessoas ao som de uma qualquer música, e tudo aquilo que parece desnortear as pessoas neste breve interlúdio.


Não gosto particularmente de folias, muito menos das do tipo carnavalesco. Mas como tudo, o dia de Carnaval como interregno lúdico e livre que é, não passa da representação de uma sociedade no que seria se se declinassem as normas. A máscara tem o sentido catártico de uma disciplina socialmente imposta. As personagens que representamos confundem-se no real e no imaginário, porque tanto somos aquilo que pensamos ser, como as personagens que apenas pensamos representar. Mas hoje não é preciso haver dia de Carnaval. Carnaval é todos os dias. Há uma consciência emergente do provocatório como mais-valia pessoal, e com ou sem sentido do ridículo, somos autênticos palhaços em manifestações isoladas do quotidiano.


A educação cheira a visita de museu, e a frontalidade resvalou para a arrogância. Neste nevoeiro do conhecimento todos os dias temos os mais variados corsos onde o papel principal é sempre o nosso. Daí que o dia de carnaval seja hoje uma mera festa pública para miúdos e graúdos, porque a verdadeira, a genuína e formal, é aquela em que os carros alegóricos (pessoais ou colectivos) passam todos os dias por nós. Entre a defesa e a hipocrisia, entre o real e o intencional, as máscaras são produto de personalidades prensadas no despotismo de muitos. Neste aspecto valorizo os simples, a simpatia do riso, a desresponsabilização salutar por tantos males do mundo! O homem médio é sem dúvida o mais feliz. E passadas as vinte e quatro horas permitidas ao excesso, entra-se num período de reflexão. É a Quaresma com início no dia seguinte, a Quarta-Feira de Cinzas cuja iliteracia religiosa muitos devem desconhecer.


O Carnaval, não devia ser um tempo avulso como se fosse um workshop circense; não devia ser uma catarse lúdica concentrada num dia colectivo. E da carnavalada tantas vezes grotesca e inominável à Quarta Feira de Cinzas do dia seguinte, dia de reflexão numa perspectiva cristãs, ficam exemplos quotidianos de quem sofre e de quem ri.


É muito bom brincar, mas se é carnaval, esperemos que tempo haja para não brincarmos às guerras.

21.2.09

AVIAÇÃO JOVEM

Crise mundial: aposentados surdos e trémulos voltam às funções na aviação ;)

20.2.09

Duas coisas giras



Novos selos para lamber... E aqui podem ver um humoristico filme sobre... vão lá ver... só têm de perceber inglês... mas não é difícil apanhar o inglês. Vejam ;)

ÉTICA NO FUTEBOL

Não me move o futebol, nem a política. Move-me o que sinto como justo. Que pode ser futebol, politica ou outra coisa qualquer. Neste vídeo na Holanda, um jogador da equipa de vermelho e branco (Ajax), tinha sofrido uma falta e estava no chão com dores. Então como sempre, a equipa adversária (de amarelo), pôs a bola para fora para que o jogador fosse assistido. Após o atendimento, o jogador do Ajax foi devolver a bola e sem querer, acabou por fazer um golo. Todos, inclusive o jogador que fez o golo, ficaram sem graça, mas o golo foi validado pelo árbitro. Ao reiniciar o jogo no meio do campo, os jogadores do Ajax não se mexeram, permitindo que a equipa de amarelo fizesse também um golo.

São estas coisas que mexem comigo. Muito bonito.

Foto do Dia


Foto da frente de combate ao incêndio que está a devastar a Austrália.

18.2.09

Eu é Que Sei

Somos cerebrais, inteligentes e modernos. Sabemos tudo. Só não sabemos que somos farrapos da nossa condição. Socializámo-nos à exaustão. Engolimos pedaços de nós mesmos acreditados que estamos na ditadura do pragmatismo e da racionalidade.

Para além de habitarmos um mundo confuso e desordenado, legitimamo-lo pelas nossas acções e pelos nossos silêncios. Em nome do progresso, da mudança, dos interesses pessoais e de uma felicidade de plástico; em nome do dinheiro e do status, das conveniências e do orgulho, legitimamos o senso comum e chamamos de ultrapassado aquilo que deve ser imutável, como os valores morais e humanos regidos por uma ética, mas a que torcemos o nariz como quem olha uma peça de vestuário perdida num sótão e que teve o seu tempo.

A amizade passa a companheirismo, a honra a falsidade, a palavra a verborreia, o amor a sexo, a verdade a cinismo, a alegria a um espectáculo artificial. A tudo isto junta-se uma boa dose de know how social, um jogo de cintura encapotado com as mais nobres intenções, e vamos lá esquecer a ética, a moral, ou gestos tão desusados como a capacidade de entrega, o desinteresse e a simplicidade.

Tornamo-nos sarcásticos, violentos, depressivos e instáveis. Inalamos a poluição humana com um tal sentido hiper-crítico, que nos tornamos elos de uma massa escudada em si mesma. Somos educados para ter sucesso, mas não somos ensinados a amar. E imiscuimo-nos fatalmente na multidão anónima que, irónica e paradoxalmente, padroniza este modo de viver. Assistimos a uma descaracterização do ser humano. Ao contrário do que muitas vezes pensamos, a felicidade não reside na acumulação de bens ou na figuras de engraçados e espertalhaços que fazemos perante os outros. Precisamos uns dos outros. Como aquela frase que diz que precisamos de mãos para nascer, mas são outras mãos que nos enterram!

De que vale a pequena ou grande erudição se não formos capazes de gestos de amor? De que vale um dia de quarenta e oito horas de trabalho, se cavarmos depressões a médio prazo? De que vale, enfim, o nariz torcido, se quando nos atiramos para a cama no final do dia continuamos tão mortais como quando acordamos? Julgamo-nos omnipotentes e infalíveis. E um dia damos connosco a rir de tanto disparate... se formos a tempo. Basta ver a solidão e a desistência de tanta gente. Mesmo sem a admitirem. Outros acabam por viver virtualmente bebendo na vida dos outros...

É necessária a aprendizagem do Amor, mais do que a simples empatia da solidariedade. Ou seriamos meros filantropos elogiando aos nossos amigos os nossos actos. Para invertermos esta quase patológica realidade, não basta o QI; é necessário o Q.E. (quociente emocional). E esse é que é o verdadeiro passaporte para a condição de ser Pessoa. Porque a inteligência não faz uma pessoa. É a pessoa que se unifica e depura. Caso contrário, encontraremos doutores que são umas bestas, e pessoas simples do povo que são uns sábios. Pelo meio temos pedantes ou civilizados. Cabe-nos a nós actualizar as nossas decisões. Antes que nos desumanizemos sem dar por isso.


Humor - Montagens

Hoje a minha pachorra é nenhuma. Deixo-vos estas coisas interessantes que o humor também fala. Guess who is who...
















































And the oscar goes to...