28.2.10

SELOS E POSTS MANUSCRITOS

Do Gonçalo Duarte Reis (a quem agradeço e a quem peço desculpa pelo atraso na publicação bem como aos de baixo), recebo este selo que ofereço à

Susana Duarte (da Terra de Encanto)
Pedro Ferreira (Pt Fotografia e Maravilhoso Mundo)
Malu
Luis Gonçalves Ferreira (Suor de Um Rosto)
Nando 
Armando (clips de Vidro)
Do You Believe In Angels
JSP (Sítio Peludo)
                                       Paulo (Intemporal)
                                       Richy (Divagações Psicossomáticas)


Da Ana Paiva, e com o mesmo agradecimento e atraso na publicação,
recebi este selo que ofereço à

Graça Pereira (Zambezina)
Ana Serrano
Divinus
Carla (Tatuagens)
Ana (Pelos caminhos da Vida)
Pedro T. do Rosário

                                    

Da Susana da Terra de Encanto, que tal como os de cima amavelmente se lembrou de mim e a quem agradeço e peço desculpa pelo atraso na publicação, recebi este selo que vai para

Bete 
AnAndrade (Caimbras Mentais)
Ailime
Nathalie
Eva Gonçalves (The Big Chill)
Helga
Fernanda (Viajante da Vida)


Da Carla (do Tatuagens) e do Armando (do Clips de Vidro), recebi há muito este selo que obviamente agradeço e peço desculpa pelo atraso e que vai para a Carla do Arco Íris, In-Senso, Miguel Ribeiro (Em cada Despedida),  Tiago David, Direitinho, Mocho Falante, Ysse, Ana Paula Sena, Lídia Craveiro, Electric Dreams, mf (pqueno ouriço),Charlotte, Indian Summer, Teresa Santos, Jobé, Tenessee, Pedro Moura, Eli Rodrigues, Fatucha,  Élio-Filomena, Fragmentos Repartidos, Fragmentos Culturais, Suasana (Entre a Terra e o Mar), Bruce, Korrosiva, Psimento, Sofá Amarelo, Gato do Castelo, Gonçalo Cardoso, Rui (In-Provavel), X-Bear, Pena, Pedro T. do Rosário, Electric Dreams.


Tudo isto é simbólico, obviamente, mas com carácter de entrega e também da maneira como vejo que os meus selos são acolhidos quando os ofereço. Apesar da virtualidade e das falsas certezas que ela nos traz, lidamos com o que temos, e o que tenho até prova em contrário não são apenas estes amigos a quem vos ofereço sentidamente os selos, mas seria exaustivo nomear todos, sendo que muitos dispensam que os agracie por motivos óbvios de convivência pessoal ou mesmo blogosferica.

Gostaria de chamar a atenção para os posts manuscritos que costumo actualizar na barra aí ao lado (brevemente o da Helga e o da Fatucha). Foi uma ideia lançadaa pelo Luis Ferreira e onde as pessoas dão mais de si pela simples partilha da caligrafia. Basta colocarem o post manuescrito no vosso blogue e avisarem no meu para eu actualizar e partilhar com quem me lê os vossos bilhetes. É uma espécie de selo pessoal transmitido gratuitamente e com amizade dando um pouco mais de nós.

Até ja e obrigado a todos.

27.2.10

POEMA DA NOITE


Chora na noite,  às estrelas.
Atrás de ti ficam as casas iluminadas
 e os dias que foram teus.
Agora nada te pertence, tudo é escuro.

Chora na noite, grita ao universo.
 Há sempre um silêncio desconhecido
que te traz de novo a alegria.

24.2.10

A 1,5 CM DA ALMA

Quando Luísa viu aquele par de calças, foi amor à primeira vista. O namoro com aquele trapo de estimação não durou muito pois, com medo de que qualquer eventual cliente se lhe antecipasse, Luísa foi logo no dia seguinte à boutique comprar aquelas calças que a tinham fascinado. É verdade que o preço não era convidativo, mas era um investimento – desculpou-se – pois, decerto, mais tarde seriam ainda mais caras. Voltou para casa tão satisfeita consigo mesmo que nem reparou no mendigo que lhe estendera a mão, numa atitude de humilde súplica, e que, ao contrário de outras vezes, não teve a esmola costumeira, nem outra resposta do que a indiferença da sua precipitação.

Chegou a casa e experimentou a compra. Desembrulhou com cuidado o presente que magnanimamente se concedera, retirou as etiquetas e vestiu finalmente as calças. O tecido era macio e parecia de boa qualidade, a altura era a ideal e a cor não podia ser mais o seu género. Mas, quando tentou abotoar as calças, não o conseguiu. Repetiu a operação uma e outra vez, contraindo-se o mais que podia, mas a verdade é que a cintura estava muito apertada e, por mais que se esforçasse, o botão fugia à respectiva casa com uma teimosia tão irritante que Luísa impacientou-se. A diferença era apenas de 1,5 centímetros, mas era o suficiente para que as calças não lhe servissem e, como na loja não havia nenhum número maior, resignou-se à rigorosa dieta que se impunha: para grandes males, grandes remédios!

Não fazemos sacrifícios pelos outros mas nem que seja despropositado, conseguimos faze-lo por egoismo ou vaidade. Por isso foram dias a fio de sacrifícios, alimentando-se apenas de sopas, frutas, legumes e iogurtes magros, mas cada milímetro a menos pesava uma tonelada de dolorosas privações, que Luísa padecia estoicamente, por amor às calças.

Foi num dia de chuva que, ao atravessar a rua apressadamente, Luísa foi colhida por um táxi a grande velocidade. A brutalidade do choque, que a projectou a vários metros de distância, teve o efeito imediato de lhe produzir um sério traumatismo craniano, que a induziu num estado comatoso. Era confusa a sua percepção: sentia dores, mas parecia-lhe que não eram dela, embora fossem do seu organismo. Notou vagamente a azáfama dos populares, polícias, maqueiros, enfermeiros e médicos à sua volta, mas o torpor do seu corpo desfeito foi progressivamente alienando-a de tudo o que a rodeava e que lhe parecia cada vez mais longínquo. O seu último pensamento foi para as suas calças novas, que estreava.

Depois, viu-se definitivamente desprendida da sua materialidade e atraída pela misteriosa luz de um outro mundo. Mas quando se dispôs a cruzar o limiar da eternidade, Luísa não o conseguiu: por 1,5 centímetros a sua alma não coube na porta estreita que conduz à Vida.

23.2.10

SOCRATES E A VERDADE DA MENTIRA


No séc. XXI como é que alguém vai à televisão mostrar que fala verdade? Provavelmente como ontem o Primeiro Ministro, vestindo um fato cinzento escuro, numa gravata tom azulado, olhando nos olhos de quem lhes faz perguntas. (Quem disse que os olhos eram o espelho da alma, engana-se muito bem). No séc XXI já não procuramos a verdade nos livros, nos filmes ou nas músicas. Passámos mesmo a ler os jornais como meros roteiros de hipóteses de verdade.  Neste mundo culturalmente tão pobre, esperamos que a televisão seja o altar da verdade. Mesmo que víssemos claramente o primeiro ministro a afogar-se num poço de mentiras, dir-se-ia que desistimos de pensar e olhar à nossa volta.

(Não tenho tido muito tempo para a net em geral mas leio tudo o que me escrevem :) Aderi ao facebook apenas pelo blogue; tal como eu dizia, nao vejo grande diferença do hi5, exceptos jogos de quintas e de creditos, mas para isso ja houve os tamagotchis, muito mais reais para quem quisesse. Na parte que posso retirar de proveito, coloco apenas o blogue. Desculpem nao aparecer muito nos vossos blogues mas assim que me for possivel voltarei com mais tempo... e a calma que sempre preconizo num mundo em ebulição. Obrigado por estarem aí).

20.2.10

PROZAC, BARULHO E ILUSÃO


Há uma falha no Tempo. Há uma falha em mim. São muitos facebooks, muitos twitters, muitos posts sobre nada, muitas quesilias encapotadas, muitos telemóveis, ipod's, portáteis e televisões. Muitas luzes de néon, muitos bares e cafés, muitas lojas sem nada, muito ruído humano. Muitas palavras debitadas de cor, muitos clichés, muita superficialidade. Quem é quem, onde e como? Faltam os coches da sinceridade e nobreza de espírito em vez dos bólides topos de gama. Falta o significado do gesto, de cada gesto, em vez dos rituais cegos e automáticos de cumprimentos e beijinhos e olás sem cumplicidade, encanto, ou delicadeza. Vivemos amassados por tanta informação, por livros e jornais, revistas e televisões, rádios e blogues. Desacreditam-se os valores genuínos que não mudam de pessoa para pessoa na sua essência. Cada um é que os rapta por falta de delicadeza própria. E de razão. Vivemos anestesiados no poder tecnológico, no bramir do dinheiro, na angústia do futuro e de uma velhice confortável quando ainda mal sabemos o que é a comunicação da alma. Falamos sobre tudo mas não sabemos nada. Somos ignorantes da nossa própria condição. Habituámo-nos à personagem e não à pessoa. Ostentamos cobardemente humildade e serviço, bondade e modéstia. Colocamo-las na lapela do ego mesmo quando não nos apercebemos logo disso, até nos confundirmos com o que desejaríamos ser e passamos mesmo a ser. A sinceridade passa a irrefutável certeza, o amor a orgulho, a ideia que fazemos de algo a convencimento, e rasgamos as estrelas até perdermos a mão no Infinito onde nem a noite nem a luz nem nada nos abre os olhos para a obesidade de seres informados mas pouco formados.

Tomamos Prozac, aspiramos pela idade económica, submergimos no alguidar da matança social (onde vemos corrupção, mentira, desonestidade, conluios e arrogância como naturais numa sociedade de futuro mas pouco civilizada) o pulsar do coração pela entrega oblativa, incondicional, sem freios nem medos, sem receios nem taras. Vivemos numa sociedade de taras, de sociopatas, de emergência do ruído, de palmadinhas nas costas quando nos identificamos. Vivemos num Tempo onde juristas e  psiquiatras são imprescindíveis. Não vendemos chocolate, como no filme. Nem emanamos inocência, como no Fabuloso Destino de Amélie. Não nos entregamos como em Thelma e Louise, nem supomos a dúvida como em Kate e Leopoldo. Sabemos de cor as lições do Principezinho, o "Amigo" de Vinicius de Moraes, ou algumas frases soltas do Dalai Lama. Comentamo-nos uns aos outros e falamos rasgada e abertamente em cafés e encontros programados porque não há tempo para nada como no coelho da Alice no País das Maravilhas. Extasiamo-nos com efeitos 3D do Avatar mas conformamo-nos com uma história que já é nossa. Patetizamos quem caminhe em sinal contrário, acreditamos no que nos dizem ao ouvido como sereias encantadas, somos cordiais mas pouco autênticos, julgamos sem receios e agimos em conformidade. Há um remédio em que ninguém já acredita e diz ser uma lenda. Porque os homens tornaram-se pouco pessoas, e com o passar do tempo as denúncias do jornal Sol, como antes do Independente, do Jornal de Sexta-Feira ou... se tornaram simples mentiras para uns, difamações para outros, matéria a defender por algumas consciências... pouca incredulidade!

Sim, falta-nos conduzir o Tempo e não de ser levados animalescamente por ele. Falta-nos soltar as palavras belas e inconfundíveis como se fossem, pequenas fontes de água fresca e não uma sucessão verborreica a imitar um esgoto que a espaços convulsos deita água suja ao mar. Falta o Encontro. Aquele em que saimos de nos. O Encontro que não é escravo do tempo nem da razão nem dos interesses dos amigos. Falta voltar ao ponto onde uma bissectriz turvou os valores e desfazendo a vida a muita gente tornou-as rancorosas e odiosas sob capas de imensa honestidade. Projectam nos outros e no mundo os males que padeceram, qual Cristo pregado na Cruz com alguns pregos da nossa raiva. Se é Deus, não devia erradicar todo o mal à face da Terra? Que Deus é este? E então como a razão não alcança, entra o cinismo ou a fé. A fé está para além da razão. Ultrapassa-a. Mas quem a não tem, e porque há crises de fé, não se pode legitimar a escarnecer do mundo e a culpar Deus e o Homem por aquilo que lhe aconteceu ou pelos valores que desacreditou. Deus não é responsável pelo que nos acontece, da mesma maneira que um pai e uma mãe nao sao responsaveis pelo que vai acontecendo aos filhos por mais que velem por eles. Não podem, não conseguem evitar que sofram e que penem e que agonizem, por maiores os ensinamentos. Se soubéssemos o mesmo que Deus, seríamos nós Deus. Mas há um mistério. O Mistério da criação que nem o Acelarador de Partículas em Geneve consegue decifrar. Quando se fala em sofrimento eu vejo do outro lado a liberdade. E o Mistério. O Mistério da Dor e a Liberdade do Homem ser exactamente o que quer. Cruel, insidioso, bom, amigo, suave, abjecto, digno. Deus nao intervém com o Sol para uns e a chuva para outros conforme as pretensões. Deus nao intervém com castigos para uns e prémios para outros conforme cada um julgue ser merecedor do prémio ou ver um castigo aplicado. Amar pode ser um mistério em si mesmo, e muitos dos que julgamos maus podem ser fruto de outra maldade, o que redunda, não na justificação mas na compreensão do comportamento. São tantas a variáveis, e no entanto ditamos sentenças com um dedo de conversa. Atribuímos a Deus a ganância dos homens e depois dizemos que há fome, miséria e guerra. Ou nos queixamos de um Deus ditador ou de um Deus que permite a liberdade de cada um escolher e fazer caminho. E quanto ao Homem, nem sempre é responsável por os outros terem histórias de canhão e, com isso, mais uma vez, se acharem legitimados a ler o mundo pelo sabor das suas experiências.

Falta-nos reflectir de forma isenta, imparcial, retirando-nos a nós mesmos nesse exercício, qual juiz no seu poder discricionário. Falta-nos a leveza de um pensamento leve. De nao sermos mirabolantes a cada gesto, a cada ideia, a cada situação, como se tudo tivesse de ter segundas intenções ou se todos desejassem fazer mal ao próximo. Nessas alturas não aguentamos e difamamos. Levamos outros a incorrer no erro com o pretexto de que somos ajuizados, sabemos o que estamos a dizer e temos provas... ainda que nas nossas cabeças. E é neste impulso suavemente intermitente que vamos envenenando toda uma cadeia humana a partir dos que nos são mais próximos. Não o fazemos por mal, mas o resultado é sempre esse. Porque ser justo não depende do que achamos ou do que nos dizem. Tomamos Prozac, embebedamo-nos, fazemos do amor um momento, da amizade uma conveniência. Mas existe um remédio. Um remédio natural. Preenchidos na existencial necessidade de amar e ser amados, toda a nossa vida emocional se reequilibra e conjuga forças que já não pensávamos ou ousávamos ter. Amar não é apenas ser amigo. É ir muito mais longe no coração afectivo e  amoroso. É olhar o outro como inteiro e não como parcial, já conspurcado por avisos e idéias que nos trazem como que digladiando fileiras num exército que não existe. Só precisa recorrer a um psiquiatra ou um jurista quem não sabe, não quer ou não pode amar. Um amor que preencha e complete a essência que somos e para a qual fomos destinados, que nenhum Prozac, nenhuma experiência de vida, nenhum deus pessoal, nenhuma filosofia nem nenhuma energia cósmica, poderão alguma vez substituir. Esse Amor exige conquista e serenidade. O Santo Graal da sabedoria. O resto é a vida.  

17.2.10

NÃO DESCEREI DA CRUZ

Hoje é Quarta Feira de Cinzas. Não vou falar sobre o que representa isso como início de Quaresma nem vou abordar nada na perspectiva divina, apenas falando de Jesus Cristo como pessoa e não como Deus feito Homem. Feita esta distinção, reparem na pessoa de Cristo. O Cristo histórico. Dissociá-lO da dimensão divina é retirar-lhe história, mas fá-lo-ei para os agnósticos e ateus que me leiam sem pensarem na questão divina. Cristo foi, sem dúvida, um pedagogo, não olhava para ontem -"deixem que os mortos enterrem seus mortos" - mas também não sobrevalorizava o futuro. A cada dia o seu trabalho, o seu momento, a sua dor. Enfatizava a realização plena do ser humano. Não apontava para futurismos, xamãs, astrologias ou linhas da mão. Não iniciou a New Age onde tudo é simultaneamente (in)certo. Apontava na direcção da dignidade do ser humano em contraposição ao achincalhamento que hoje se mantém tão hodierno. Coisificámo-nos há mais de dois mil, anos e por isso a mensagem é sempre actual. Fez menção a um caminho feito de simplicidade e entrega, de alegria e disponibilidade. Sobretudo de compromisso. Quem hoje se compromete com o quê ou sequer com quem? Falava no amor ao próximo como a nós mesmos e não de esferas pessoais egotistas e infantis como se pudéssemos prescindir do nosso semelhante. Todos precisamos de todos. Boa alegoria, é esta: precisamos de mãe e pai para nascer, mas são outras mãos que nos enterram.

Cristo era prático, concreto, inteligente e sensível. Corajoso, frontal e audaz. Firme mas sereno. Evitava aquilo que seria hoje propaganda política, não era um insurrecto e por isso respeitou os poderes instituídos, mas desmascarando-os. Cristo foi vítima de uma trama política, caso ainda não tenham pensado nisso. Ao contrário de Sócrates em que ele mesmo se trama e depois se angeliza. Mas e nós? Cobardes, fugitivos, arrogantes, convencidos, imodestos. Como Sócrates. Como os arguidos do processo Casa Pia, como os autarcas corruptos mas que nada é com eles. Apenas julgamos que as nossas acções e omissões são menos importantes e permitimo-nos ser coisas ou seres humanos de conveniência. Pegamos no bolo de aniversário que nos deram e começamos a conjecturar, a cortar fragmentos do bolo analisando o creme e os enfeites com grandes teorias, e quando sabemos que não temos resposta para o todo, já o bolo está desfeito, sem graça e sem enfeite, sem consistência para sequer o degustarmos. O bolo é a vida que nos foi dada e a análise é a forma como a vivemos, ou seja, como acabamos por não comer o bolo empenhados como estamos em querer saber os segredos do universo e marcarmos as nossas posições como inerrantes e que nem as coloquem em causa porque nós é que estamos certos e ponto final. Meus amigos, não pode haver pior julgamento do que aquele que se acha certo. Ouviu ambas as partes? Indiferenciou um facto? Puniu pelo que viu? Julgou por intuição?

O Homem é um ser crítico e sem esse sentido de crítica a ciência não teria evoluído, mas ter um eye clinic lacto até ao absurdo, é tornar vã uma vida que é única e irrepetível, pelo menos neste nosso estado de tempo. Tudo deve ser posto em causa (inclusive os amigos) mas salvaguardando um núcleo de valores e princípios que devem ser imutáveis. Os valores não passam de moda e isso não significa moralismo mas liberdade, tal como Cristo, e no entanto somos de uma hipocrisia socialmente aceite. Estamos presos numa cela escura que nos traz rasgos de luz e esquecemo-nos que não vale a pena sermos aprendizes de feiticeiro. A psicopatologia e a neurofisiologia, a auto-análise ou a terapia e outras ferramentas no mundo diverso da ciência, são acessórios bastantes para enveredarmos por conta própria em labirintos solitários e orgulhosos de um pedantismo camuflado. Viver, definitivamente, é algo mais do que estar vivo, é agarrar com as duas mãos o sentir único de uma vida única, e aceitar vivê-la como um desafio que é... ou hipotecá-la. Dizia S. João, um dos discípulos de Jesus: "Deus é Amor". Mas um amor concreto, não de sorrisos em paz armada. De um amor que aponta como quem corrige e não como quem julga, que ama sem interesse e não como quem desconfia. Cristo não desceu da cruz. Não se insurgiu injustamente contra ninguém, mas denunciou claramente o lixo humano do qual hoje até nos orgulhamos, de tal maneira vendemos e trocamos valores, julgando-nos bons, honestos, sensíveis... até à próxima ferroada.

Voltando a Cristo neste início de Quaresma, há uma história que talvez conheçam e que sintetiza melhor o que pretendo dizer do que todo este post. É a história de um homem que caiu num poço. Confúcio diz-lhe: "Se me tivesses escutado, não estarias agora nesse poço". Buda disse: "O teu poço é apenas o teu estado de espírito". Um gabarolas exclamou: "Isso não é nada; havias de ver o meu poço". O psicólogo aconselhou: "Tudo o que tens a fazer é convenceres-te que não estás dentro de um poço". O optimista disse que podia ser bem pior e o pessimista que as coisas ainda iam piorar. No final da história vem Jesus de Nazaré. Vendo o homem, pegou-lhe na mão e tirou-o para fora do poço...

16.2.10

QUANDO É CARNAVAL?

Não gosto particularmente de folias, muito menos das do tipo carnavalesco. Mas como tudo, o dia de Carnaval como interregno lúdico e livre que é, não passa da representação de uma sociedade no que seria se se declinassem as normas. A máscara tem o sentido catártico de uma disciplina socialmente imposta. As personagens que representamos confundem-se no real e no imaginário, porque tanto somos aquilo que pensamos ser, como as personagens que apenas pensamos representar. Mas hoje não é preciso haver dia de Carnaval. Carnaval é todos os dias. Há uma consciência emergente do provocatório como mais-valia pessoal, e com ou sem sentido do ridículo, somos autênticos palhaços em manifestações isoladas do quotidiano.

A educação cheira a visita de museu, e a frontalidade resvalou para arrogância. Neste nevoeiro do conhecimento todos os dias temos os mais variados corsos onde o papel principal é sempre o nosso. Daí que o dia de carnaval seja hoje uma mera festa pública para miúdos e graúdos, porque a verdadeira, a genuína e formal, é aquela em que os carros alegóricos (pessoais ou colectivos) passam todos os dias por nós. Entre a defesa e a hipocrisia, entre o real e o intencional, as máscaras são produto de personalidades prensadas no despotismo de muitos. Neste aspecto valorizo os simples, a simpatia do riso, a desresponsabilização salutar por tantos males do mundo! E esses sim, sabem brincar. Sem precisar de corsos ou trajes forçados. O homem médio é sem dúvida o mais feliz. E passadas as vinte e quatro horas permitidas ao excesso, entra-se num período de reflexão. É a Quaresma com início no dia seguinte, a Quarta-Feira de Cinzas! “Lembra-te que és pó e ao pó hás-de voltar”! O tempo que se inicia a seguir ao Carnaval, não devia ser um tempo avulso de reflexão ou um workshop de crentes, tal como a catarse lúdica não deve concentrar-se num dia colectivo que é o dia de hoje, o de carnaval. É muito bom brincar, mas se é carnaval, esperemos que tempo haja para não brincarmos às guerras. Ainda que aquelas onde as próprias pessoas são os campos de batalha...

14.2.10

NÃO AMES UMA ILUSÃO


Quando se conhece uma pessoa, construímos uma imagem. A imagem tem a ver com as nossas expectativas e mais ainda com o que ela mostra de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se a pessoa for parecida com a imagem que projectou em nós, desfazer-se dela, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e a outra acreditou, virá um processo mais lento: a de desconstrução daquilo que se achou que era real. Desconstrói-se a Ana, desconstrói-se o Pedro, desconstrói-se a Carla. Milhares de pessoas vivem os seus dias aparentemente normais, mas por dentro estão a desconstruir ilusões. Tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, as pessoas "vendam" mais as qualidades que os defeitos. Ninguém vai iniciar uma história a dizer "muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco". É a hora de fazer charme. Uma vez o romance encetado, as defesas são postas de lado e a pessoa mostra-se quem realmente é, as gracinhas, manias e imperfeições. Isso se for honesta. Os desonestos são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia se cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, sem perceber absolutamente nada.

Quem se apaixonou por uma mentira, tem que desconstruí-la para "desapaixonar". É um sufoco. Exige que se reconheça ter sido seduzido por uma fantasia, que a pessoa é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo é mais forte do que a perspicácia. Significa encarar que alguém por quem se dedicou um sentimento não chegou a existir, que tudo não passou de uma representação. Talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem se conheça a si mesma. Diferente é quando se sabe com quem se lida: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído manter-se-á de pé. Afinal, todos, resistimos muito a aceitar que alguém que gostamos não é, e nem nunca foi especial.

No dia dos namorados gostava de lembrar precisamente isto: os que não têm namorad@ e as pessoas românticas que estão apaixonadas, não pela pessoa mas pelo que imaginaram delas. E isso traz sofrimento porque a pessoa real não corresponde à pessoa por quem se apaixonaram. Daí advém um sofrimento absoluto, mas que é necessário encarar até que ponto era o outro o errado, ou se fomos nós que fizemos projecções. Pela consciência dos factos, conseguimos amenizar o sofrimento para não hipotecar a capacidade de entrega e estarmos sempre receptivos a amar. Porque pior do que construir uma imagem sobre o outro, é alguém fechar-se em si mesmo, valorando quem não merece ou quem simplesmente ainda não é.

11.2.10

DIA MUNDIAL DO DOENTE


A saúde é o melhor bem que podemos ter e desejar. Todavia, é quando estamos doentes que o apreciamos de forma particular e com mais intensidade. A vida desenrola-se com os inevitáveis matizes da doença e é nesta situação que a dignidade e a serenidade devem marcar uma presença forte onde o conforto, o carinho e a amizade são uma constante a criar e a defender. A doença é uma escola de aprendizagem para todos, é preciso aprender a viver com ela, incluindo o próprio doente, mas sobretudo, a lutar pela vida, com paciência e esperança, sabendo que esta nos leva à descoberta de infindáveis capacidades para superar os limites da vida no tempo. Não entra dentro das nossas possibilidades eliminar o sofrimento, mas ele interpela-nos e conduz-nos à construção de uma nova perspectiva de sentido, mais amplo e global. A capacidade de aceitar a tribulação e a dor conduzem a uma aprendizagem interior, porque também há os doentes da alma.

Perguntamo-nos o porquê de catástrofes naturais como no Haiti (mas se são naturais porque nos perguntamos?...) ou o sofrimento daquele povo e de todos os fustigados em qualquer parte do mundo neste mundo em ebulição e mudança constantes, mas se olharmos para os doentes, entubados, intervencionados, ventilados, com bilhas de oxigénio, pre-senis ou dementes, com doenças do esquecimento ou dores físicas e da alma, então a agonia passa a ter resposta e já nao precisamos de cataclismos para nos beliscarmos se estamos acordados e se isto está mesmo a acontecer. Os doentes são portadores de uma vitória sobre a imanência, naquele instante no qual o presente e a eternidade se tocam e onde o tempo que falta encontra a transcendência que o completa. Com tudo o que isso tem de mistério. E de dor.

9.2.10

MAIS POSTS MANUSCRITOS



Do Fragmentos Repartidos, eis mais uma contribuição neste postar de bilhetes manuscritos :)  Obrigado amigo. Já sabem: basta escrever um bilhete, digitalizar (ou fotografar) e colocar na vossa pagina avisando também aqui ou no post mais recente para eu publicar também. A partilha é o que me move, e os posts manuscritos fazem tanta diferença no tempo das tecnologias :)=

Obrigado.

Aqui fica o bilhete do R. de O Gato do Castelo

Contrinuem, a colocar nos vossos posts e façam menção para aqui. Obg :)



A MZ do blogue "Afectos e Dúvidas" deixa o seu contributo :)



Este é o bilhete da Helga :)  Obrigado. Continuem.



Aqui temos, desta feita, o post manuscrito da Fatucha do blogue Para lá das lentes :) Com muito de si.  Carreguem na imagem para visualizar em tamanho grande. Obrigado. Continuem :) 




Da Eli, do blogue O Amor Acontece, aqui fica mais uma partilha. :)




Ora aqui temos o bilhete da Natália do blogue Tout Sur Nathalie. Obrigado. Venham mais de quem quiser :)


Desta feita, o bilhete da Laura que viu no Clips de Vidro, o blogue do Armando cujo biljete também está mais abaixo :)



E aqui fica o bilhete da Helga  que digitalizou no trabalho :) Continuem :)



Aqui fica mais um bilhete postal ;) desta vez da Lala   Sei que o desafio não está mais disseminado por vários bloggers pela impossibilidade, na maior parte dos casos da digitalização, mas em qualquer lado se faz, por isso tentem ;)  Em última instância enviem-me por correio que eu depois envio-vos por mail pronto a postar :)


Eis o bilhete do Armando do blogue clips de vidro


 Ora aqui está já um desafio respondido :) É do amigo Richy, blogger do Divagações Psicossomáticas. Irei colocando para terem acesso a todos ;) Continuem :)



                     Este foi o meu bilhete de resposta ao desafio do Luis Ferreira (ver abaixo)

                   Tudo começou aqui, neste post do Luis Gonçalves Ferreira :)

8.2.10

DESAFIO MANUSCRITO


 
Ora como podem ver abaixo, o Luis Ferreira teve uma belíssima ideia ao publicar há uns dias no seu blogue um post com uma nota escrita pelo punho, desafiando outros a fazerem o mesmo. Achei muito gira a ideia, e embora sem regras instituídas, aqui fica: escrevam uma nota manuscrita (isto parece um plenonasmo na era da comunicação, mas não é), publiquem a nota de quem vos desafiou e a vossa, num gesto simples de partilha da escrita. O meu já está acima e deixo o do Luís abaixo. Então agora fico a aguardar quem queira partilhar a caligrafia. É até mais giro do que simplesmente responder a perguntas um pouco superficiais :) Até já  a todos! E, como diz o Luís, obrigado por aqui estarem... :)

  

7.2.10

FALSAS CERTEZAS


Ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão de um Quase! É o Quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo o que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga! Quem quase passou ainda estuda! Quem quase amou não amou! Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna. A resposta está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença de um Bom Dia quase que sussurrado. Sobra cobardia e falta coragem até para ser feliz. É preciso em tudo o meio termo, dizemos. Mas não. Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo o mar não teria ondas e os dias seriam nublados! O nada não ilumina. Não inspira! Não aflige! Não acalma. Apenas amplia o vazio mesmo daqueles que se julgam demasiado bem consigo próprios. Talvez demasiado bem consigo próprios. É porque alguma coisa vai mal.

O arco-íris em tons de cinza prefere a derrota prévia à dúvida da vitória. Para os erros, perdão (mas temos de admitir perante nós mesmos que errámos). Para os fracassos, hipóteses, novas chances. Para os amores impossíveis, tempo! De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar a alma. Só temos uma vida para viver. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor, não é romance. Não podemos deixar que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Não podemos deixar driblar-nos por nós mesmos em falsas certezas, qual espelho distorcido do nosso interior. Desconfia do destino e acredita em ti. É preciso fazer mais do que sonhar, fazer mais do que planear, viver mais do que esperar. Porque embora quem quase morreu esteja vivo, quem quase vive, já morreu. Isso, e as falsas certezas.  Bom fim de semana :)

4.2.10

SIMPLESMENTE SER



A felicidade é um estado de satisfação interior. Ser feliz não é a ausência de problemas até porque são factor de crescimento, embora vivamos no mito idílico de que a felicidade é o mais ter sem cuidar do ser. Em situações ditas normais a pessoa oscila entre a alegria e a tristeza, a coragem e o medo, a serenidade e a cólera, o amor e o ódio. E as emoções são o motor das atitudes e comportamentos. Senti-las e exprimi-las não é apenas fonte de higiene mental. É também um acto moral obrigatório. Diria mesmo um dever para que nos possamos realizar em plenitude. Se conseguirmos incorporar e viver a coragem, o amor e a alegria, quanto o desencanto, a decepção, o espanto, a glória e o triunfo, a tristeza ou o fracasso, não apenas nos aproveita a nós porque o exprimimos como a quem é testemunha ou destinatário dessa expressão, já que nos tornamos agentes naturais de pedagogia do comportamento na realização do ser. A gestão dos afectos e a permanente escuta de quem somos, devia ser a nossa norma orientadora de vida como pessoas sempre inacabadas e sempre em crescimento, aprendendo connosco e com os outros, o que requer humildade, coragem e luta. Exprimir as emoções pode ser uma aprendizagem contínua e mesmo trazer dissabores ou, no limite, inimizades, mas pela qual vale a pena lutar.

Tal como eu respondia na pergunta do desafio que lancei do Prémio Lobinho sobre se faria alguma coisa por amor/amizade, somos humanos, não andróides, só temos uma vida e este é o local para a expressarmos. Porque o mundo é a nossa casa. Se nos pensarmos auto-conhecedores, não apenas estagnamos como passamos a cometer injustiças. Ainda que involuntárias. Há pessoas que gostam tanto delas mesmas que nem se apercebem que não são capazes de amar os outros.

2.2.10

IN A MOMENT OF PEACE

"The future is a world that tries to live without the engine of the heart" - escreve Morrison.  Ligo o aparelho e avivo recordações. A música é mítica. Bate, bajula, espreme, adora, consente. Ponho a cabeça entre as mãos. A literatura fervilha-me no cérebro e as palavras de Jim apunhalam-me, empurram-me sem coesão. Só. Com verdade. Levanto-me com a música atrás de mim. Transportando-me. "And we, being young only once, see it, for we see an enormous string attached to the puppets of the world" grita Morrison. Fecho o raio do livro. Desligo o aparelho e a música fenece no espirito. Ah vida, se te pudesse contar as outros... Nas fibras ondulantes do meu pesar soam palavras cantadas: "I must wake for the sunrise, i must think of a new light and i mustn't gave in"... é Streisand quem as canta. E prossegue num crescendo emotivo: "And a new day will begin"... Parou. Suspensão. Só a música permanece como um búzio que ecoa.

Silêncio. O tempo que pare. Abro a janela e permito um aluvião de sentimentos. As mãos continuam teimosas agarrando a cabeça. O vento bate-me na cara. Saio de casa e erro na magia da noite. O sol é negro e o meu sonho profundo. Sento-me ali. As memórias representam-se à minha frente e um carro passa perto deixando escapar a voz de Barbra: "Touch me, it's so easy to leave me all alone in the memories of my days in the sun".... O carro continua a marcha e a voz sumiu-se, mas continuo a ouvi-la mentalmente: "If you touch me you'll understand what hapiness is..." - não quero recordar mas ela termina: "Look... a new day... has begun"...

Parou. Parei. Parámos. Silêncio na luz da noite. Vazio incomunicável. Volto a casa. Cheio de nada. Ou de mim. Dispo energicamente alguma réstea não percepcionada de fingimento, doces palavras, ou subtis correcções. Da educação de sentimentos à legítima revolta, vai o mesmo passo de se fazer julgamentos contra alguém e daí advir a fúria de um justo. Não gosto de doces a saber mal em bonitos papéis de celofane. Muito menos de respostas que se alvoroçam na suposta razão. O que é a razão? Não há duas realidades, excepto em académicas discussões filosóficas. Ou erraste ou não erraste e se para ti o conceito difere, é porque o alteras. E se o alteras, estás novamente a errar. Diz o que tens a dizer. Sem ser rude ou intragável, ou diplomata, qual viperina lingua que esconde e não diz. Mas diz. Se depois me calo, te ignoro, ou subitamente argumento no seio do que julgavas ser um exemplo apenas para embalar, então revê os teus conceitos. Sejas tu quem for. Depois porei um música que me encanta e traz a paz do amor universal. Suave, mas firme. Num momento de paz. Sou aquele a quem a montanha odeia por a ter movido.

1.2.10

MÃOS UNIDAS


Na sequência do anterior post por ocasião do Dia Mundial dos Leprosos, aqui fica este em particular para a Teresa Santos.  Teresa, perguntavas no comentário se eu sabia alguma coisa e como ajudar, apesar de eu não costumar responder aos comentários. Um dos motivos que também me inibem um pouco a responder é não ter a certeza se depois voltarão aos comentários (embora possam voltar ao post) e não lerem a resposta. Digam, pois, de vossa justiça. 

Ora aqui fica uma associação a Associação Mãos Unidas Padre Damião (basta clicar neste link) e já o tive em destaque aqui no blogue durante  muito tempo, tendo acabado por deixar ficar apenas a Revista Cais para os sem-abrigo.

Susana (Terra de Encanto), mal de mim se não tivesse lido as tas respostas entre tantas outras :) O facto de não ter comentado não significou nada: apenas no geral não comentei. Até respostas de outros blogues que não conhecia eu li, que ia apanhando acidentalmente, embora não me dissessem tanto quanto as pessoas que costumo ver por aqui, numa relação de amizade blogsferica... ou nem tanto! :) Mas o caso que referiste já se passou: desafiaram-me a mim mesmo com o meu prémio e por isso acabei por responder :)

Fatucha, gostei muito de ler o que escreveste sobre as minhas respostas :) Já sabes o que penso das tuas e foste das raras a quem comentei o estilo :) Fico feliz por gostares da minha playlist e a ti também, Tiago David, que dizes que não és o único quando viste a resposta da Fatucha :) 

Bem, eu poderia continuar a escrever respostas (vêem?) mas aqui teria a certeza de saber serem lidas pelo facto de ser novo post, é por isso, também, que geralmente não comento (embora por vezes as saboreie apenas, as interiorize, sem que precisam de qualquer réplica minha /(caso do Luis Gonçalves Ferreira e do Pedro Ferreira no post onde respondo às perguntas, e me deixam assim... envergonhadito ;)  mas contente, mas feliz, porque efectivamente nada digo ou faço daquilo que não sinta. 

Desculpem se não tenho ido muito aos vossos blogues, mas sou sincero: por vezes vou sim, apenas não comento porque uma rodada de blogues equivaleria a um imenso tempo, e eu gosto de fazer as coisas com sentido e não por obrigação :)

A todos muitos beijinhos e abraços, e continuem aí... eu continuo aqui, grato por vos ter na sinceridade que leva sempre à Amizade.

Até já :)