31.5.09

VIAGEM DE PASSAGEM

foto tirada o ano passado em Roma



Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo no Egipto, com o objectivo de visitar um famoso sábio.O turista ficou surpreendido ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco. Onde estão os seus móveis? Perguntou o turista. E o sábio, olhou à sua volta e perguntou também:- E onde estão os seus...? - Os meus?! Surpreendeu-se o turista.- Mas estou aqui só de passagem!- Eu também... - concluiu o sábio. A vida na Terra é apenas uma passagem. No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente.


***

A propósito do post anterior "Quem quer ir de férias", agradeço, desde já, a quem me escreveu. Tive também três e-mails e aqui desfaço as dúvidas. Quanto mais cedo for avisado, melhor, como é natural. E o que digo para férias aplica-se também a saídas normais: espectáculos, dar uma volta, filmes, whatever... Para já, os meses que me são mais favoráveis para saídas maiores, são 2ª quinzena de Julho, Agosto, meio de Setembro, princípio de Outubro. Para saídas de um dia ou dois, ou uma tarde ou uma noite, sempre que possível, é uma questão de combinar. @s amig@s de sempre, nem sempre têm a mesma disponibilidade, ou saem com as namoradas, ou têm horários rígidos, ou.... e por isso, tendo sempre @os amig@s, não invalida este convite para dias em que nao tenha ninguém. Por vezes queremos ir a um lado e não temos com quem. Vale sempre a pena perguntar. Por mim continua o repto feito que não se esgota numa saída ou duas. Santos populares, eventos, espectáculos, viagem maior dentro ou fora de Portugal, simples saídas, logo se vai vendo. Obrigado.



30.5.09

Quem quer ir de férias?


Olá a tod@s

Obrigado pelos comentários, antes de mais. E pelos e-mails também :)
Sobre a sondagem cujo resultado está ao lado, sim é verdade que a pílula anticoncepcional aumenta a possibilidade de contrair lúpus em mulheres com essa tendência. Assim o diz um estudo feito na McGill University em Montreal, que chegou a essa conclusão.

Relativamente ao facto de as férias poderem ter um efeito negativo se as pessoas viajarem de avião e alterarem os hábitos diários, a maioria que votou acertou. É verdade, de acordo com Organização Mundial de Saúde.

Estão já novas sondagens ao lado para durante a semana. Obrigado pela participação.


Sou entretanto premiado pelo Gonçalo Marques com este selo. Obrigado, Gonçalo. "É um prémio que homenageia os melhores blogues e tem a sua simbologia nas cores que utiliza. A cor azul representa a paz, profundidade e imensidão. A cor dourada a sabedoria, a riqueza e a claridade de ideias. O prémio em si representa a união entre os blogueiros.”




(i) Colocar o prémio em situação visível ou linká-lo; (já está e coloquei na barra lateral)
(ii) Anunciar através de um link, o blogue que o premiou (também já está);

Ofereço-o a quem me segue, indistintamente.


Bem, tem estado MUITO CALOR, mas dentro de dois dias a temperatura vai suavizar até uns aguaceiros. Confesso que não me importo nada. Gosto do verão, mas não do calor abrasivo, tórrido e abafado. Confesso que prefiro as temperaturas amenas, primaveris e outonais. Mas por falar em férias, este ano estava a pensar.. não sei... qualquer coisa de diferente. Como diria aquele anúncio do Ferrero Rocher, "Ambrósio, apetece-me algo", e por isso se alguém não souber o que fazer às férias ou não tiver com quem ir, escreva-me. Eu também não tenho nada pensado nem marcado e olha, fica a sugestão. Alguém quer ir comigo de férias seja em que altura for? And i mean it... Vai-se vendo, boa?


E é tudo.


Até já.

27.5.09

JÁ FIZESTE O TEU UPDATE?



E tu? Fala-me de ti. Mas que iria eu dizer? Podia dizer que estava no horário zero da vida, como dizem os professores, por opção ou serviço. Ou seria imposição da própria vida? Que aceito a humildade, prezo a simplicidade, o riso escancarado, a autenticidade de quem sabe ser sem que para isso se perfile num só horizonte, e que por isso mesmo perceba muito melhor a ignorância de quem se pensa inteligente sem saber sequer que foi escrutinado. O que me entristece. O domínio da língua nem sempre é o melhor, a cultura parece restringir-se às áreas aprendidas, e a formação humana espraiada nas relações interpessoais deixam-me atónito porque se pede mais a quem conhece mais, e todavia apenas parecem saber o que qualquer mediano português faz: a lei da esperteza a saca rolhas, o sorriso escancarado que mente uma natural falta de paciência, as conivências sem cuidar da isenção (quantos se sabem ver ao espelho sem se apoiarem nas opiniões de terceiros?) e o noblesse oblige das simpatias que nem sempre o são. Prefiro ser fiel a mim mesmo do que ao socialmente correcto. É por isso que costumo dizer que se fosse deputado, seria independente. Paga-se em silêncio e solidão o que outros perdem, sem saber, em falsos encostos e consciências pseudo-tranquilas.

Nem tudo nos pertence, nem tudo dominamos e aquilo que é felicidade para uns não o é para outros. Cada dia é a felicidade, ou não. Somos nós quem comanda o nosso mundo pessoal, e como as emoções provêm do pensamento, há que saber dominá-lo. Para o bem e para o mal. Ser feliz pode ser sentir-se simplesmente bem no aqui e agora. É o meu caso. De onde te vem tanta energia? Tanta alegria? És contagiante. Mas as pessoas não sabem que essa alegria me vem da consciência da serenidade da vida, do efémero da existência, e das próprias pessoas que estão comigo. Há muita gente que vive hipotecada no futuro do euromilhões ou de ressaltos inesperados que lhes tragam efeitos práticos similares aos jogos... se ganhassem. Mas é uma desinteligência. Como é uma desinteligência a arrogância, a soberba intelectual e o nariz emproado de quem pensa que por ser assim tem mais crédito que os outros. Mas não tem. Pelo menos como pessoa. Se não devemos ser ingénuos, também não devemos usurpar a nossa capacidade de doação, de entrega, de nos abstrairmos dos outros para que possamos continuar a ser nós mesmos, e, dessa forma, sermos felizes porque não entramos completamente no jogo. Mas darmo-nos é um acto só dos grandes. E do alto da sua redoma de vidro, talvez muitos sejam pequenos para isso.

Vivemos numa época cheia de paradoxos e contrastes. Basta mexer no rato do computador para irmos de Portugal a Nova Zelândia ou do Brasil à Coreia em questão de segundos. Porque será que aprendemos tão depressa mil e uma coisas sobre tecnologia e nos custa tanto progredir na maneira de nos relacionarmos uns com os outros? Como poderemos ter um mundo mais seguro, se não investirmos no diálogo, na compreensão, na paz e na justiça? Poderemos ser felizes enquanto a comunicação por meio de clics e de ratos com estranhos e desconhecidos substituir a abertura do coração aos amigos e à família? Talvez por isso eu pugne sempre tanto por uma web menos digitalizada e mais humana. Virtuais, mas nem tanto...

Se não formos capazes de sair de nós mesmos, das nossas certezas, de actualizar diariamente as nossas decisões, de não nos ficarmos só pelo que até ali tomávamos como mais certo e garantido - (infelizmente surpresas, quer nas situações, na vida em geral, quer em pessoas que julgávamos conhecer bem) -, e acalentar aspirações e os desejos mais nobres que brotam do interior de nós como pessoa, estaremos a criar uma sociedade de homens e mulheres que se procuram uns nos outros para fugirem da sua própria solidão, mas que não acertam no encontro consigo mesmos.


Até já.

26.5.09

A IMPORTÂNCIA DO JORNAL NACIONAL


Quando do Jornal Nacional da TVI na passada sexta-feira, muitos blogues trouxeram o tema com vídeos e opiniões, "cascando" na Manuela Moura Guedes. Os poucos que comentei, disse que M.M.Guedes não esteve bem na forma fazendo de advogada de acusação, mas centrei-me mais nas denúncias de Marinho Pinto à Justiça, dado que são denúncias que todos conhecemos mas que vindas dele, têm outro peso, por representar o poder que nós não temos. Isso foi para mim o mais importante naquele Jornal Nacional. Hoje, de forma diferente, João Miguel Tavares aproveita a sua crónica para também dizer do Jornal Nacional o que pensa (e não tanto dos intervenientes), pelo que, se eu aflorei a denúncia feita pelo bastonário de tudo o que sabe e vê estar mal (e vindo de quem tem poder é diferente de uma crítica do cidadão comum), o colunista de quem de seguida cito algumas passagens, fala do Jornal Nacional em si. Partilho inteiramente do que passo a citar (o bold é meu):



"A peixeirada entre Manuela Moura Guedes e António Marinho Pinto não foi um momento edificante, é certo. Mas convinha que ela não fosse aproveitada para alimentar o desejo mal escondido de muito boa gente: acabar de vez com o Jornal Nacional de sexta-feira e enviar Moura Guedes de volta para a prateleira da TVI. Os defensores do Portugal compostinho certamente aplaudiriam a decisão, com o argumento de que "aquilo não é jornalismo". Só que o País ficaria a perder. Porque apesar do sensacionalismo e da ocasional falta de rigor do seu Jornal Nacional - que deve ser apontado quando ocorre, se necessário aos gritos, como fez Marinho Pinto -, há ali um desejo de incomodar, de denunciar, de escarafunchar, de meter o nariz nos podres do poder que a comunicação social portuguesa precisa como de pão para a boca. (...) No entanto, ainda sei distinguir o estilo do conteúdo. O facto de ela despejar o frasco da demagogia por cima de todos os textos que lançam as peças, sempre com aquele tonzinho de "isto é tudo uma corja", não significa que as notícias do Jornal Nacional, em si, não sejam relevantes. Hoje em dia nós aguardamos pelo telejornal de Moura Guedes como no tempo do cavaquismo aguardávamos pelo Independente. Ora, esse "deixa cá ver de que forma é que eles vão estragar o fim-de-semana ao primeiro-ministro" é de uma enorme importância num país como Portugal, cuja cultura democrática está ligeiramente acima da da Venezuela e o Governo tem um poder absolutamente excessivo sobre as nossas vidas. Dir-me-ão que aquilo é desequilibrado e injusto. Muitas vezes, sim. Tal como o Independente. E para dirimir os excessos existem tribunais. O próprio Independente foi condenado em vários processos - mas o seu papel foi inestimável. É que o que está em causa não é a nossa identificação com aquele tipo de noticiário. É, isso sim, a defesa da sua existência num país onde o primeiro-ministro diz que um dia feliz é um dia em que o seu nome não sai nos jornais, lapso freudiano bem revelador do seu desejo de silenciar. As intervenções histriónicas de Manuela Moura Guedes estão à vista de todos, e por isso ela está sujeita a ser criticada da mesma forma que critica. O que não está à vista de todos - e por isso é bastante mais perverso - são os jornalistas que calam, que não arriscam, que se retraem com medo das consequências. O Jornal Nacional tem muitos defeitos, mas pelo menos tem uma independência e uma capacidade de incomodar que advém da mais preciosa das liberdades: a das empresas que têm sucesso, dão dinheiro, e não precisam dos favores do Estado. Em Portugal, infelizmente, isso é um bem raro. Convém proteger os casos que existem."


24.5.09

CONFESSO-ME PROVISÓRIO


Viver à altura do nosso tempo significa assumir a finitude provisória do humano.. Provisório, porque tudo o que sabemos, mesmo os conhecimentos que nos parecem mais seguros, não passa de simples hipóteses mais ou menos verosímeis. Tivemos de nos ir acomodando, pouco a pouco, e com tanta tecnologia, à incerteza. De repente, o futuro acabou por evaporar-se. Não sabemos o que nos espera e até agora todos os prognósticos se mostraram falsos. O futuro, de dado conhecido, transformou-se em incerteza total, sem podermos distinguir o que realmente nos vai acontecer, conscientes, isso sim, dos muitos perigos que nos ameaçam, mas também de que talvez contemos com os instrumentos adequados para evitá-los. O pessimismo parece-me tão pouco fundado como o optimismo.

O futuro, mesmo o mais próximo, apresenta-se com uma enorme interrogação. A incerteza sobre o nosso destino faz-nos viver no provisório. Temos os meios para destruir o mundo, logo destrui-lo-emos. A incógnita é quando. Ora bem, porque sabemos que podemos destruir o mundo, é necessário que nos esforcemos por salvá-lo e que o consigamos. Se de alguma coisa temos a certeza, é da nossa finitude. Comprovamos diariamente as nossas limitações. Que vivamos condenados à morte não me angustia, até porque dá à vida uma enorme ânsia de vivê-la da melhor maneira possível, ou melhor dizendo, razoavelmente. O razoável consiste em fugir à guerra de tudo contra todos que deriva de satisfazer os nossos desejos sem nos importarmos com os meios para consegui-lo.

A vida só é razoável se vivida em comunidade com os outros, e um princípio fundamental de convivência é que do meu comportamento surja a convicção de que o bem do outro coincida com o meu. Que cada um procure o bem do outro e não o seu particular, e viveremos em paz e liberdade.

Cada um deve tirar o máximo partido daquilo que nos foi entregue, seja muito seja pouco - tudo o que temos, corpo, inteligência, carácter, educação, recebemo-lo -, sabendo que unidos ganhamos todos, enquanto que, se nos pusermos a afiar o dente uns contra os outros, todos perdemos. O mal da lei de Talião, olho por olho, é que no fim ficamos todos cegos. Nas lutas entre humanos não perdedores nem ganhadores, porque no fim somos todos perdedores. Reconhecer isto é o principio da convivência de qualquer vida razoável, que só o é em paz e na liberdade. Infelizmente, pessoas há que nem a consciência têm que são mortais, da sua efémera vida, quanto mais dos seus actos.

Quando morrer, e se acreditando na sua existência, Deus vier ter comigo (?) e me perguntar o que fiz na vida, dir-lhe-ei que num mundo opaco e sacana tentei viver de um modo razoável, mesmo quando o fazia contra mim, julgando os outros pelo meu comportamento, e que, se tivesse a possibilidade de viver outra vez, alegando como desculpa ter nascido com tão grandes limitações, num mundo que mudava com tanta velocidade, não tinha sido fácil encontrar o caminho, mas que se não o tinha encontrado, pelo menos tinha passado a vida a procurá-lo.


Até já.


23.5.09

Desafio e sondagens


À pergunta da semana passada, de qual o maior monumento entre Cristo Rei (Almada), Marquês de Pombal (Lisboa), Estátua da Liberdade (Nova Iorque) e Cristo Redentor (Rio de Janeiro), os votantes deram o 1º lugar ao monumento do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, (57% dos votos), o 2º lugar à Estátua da Liberdade (35%) e 7% ao Marquês de Pombal, sendo que o Cristo Rei, em Almada, não recebeu nenhum voto.

Todavia, como nem tudo o que parece é, aquele que não recebeu nenhum voto, foi quem "ganhou". É o maior monumento de entre os quatro que pus como opção. Ora vejam:

Cristo Rei (Almada): 110 metros
Estátua da Liberdade: 93 metros
Cristo Redentor (Brasil): 38 metros
Marquês de Pombal: 36 metros

Relativamente à pergunta sobre quem fará de Lady Marion na nova versão de Robin Hood no filme de Ridley Scott que terá como actor principal Russel Crowe, a resposta certa entre os nomes, Gwyneth Paltrow, Cate Blanchett e Jennifer Garner (tendo os votantes deixado as duas últimas em 1º lugar ex-aequo) é Cate Blanchett.

Quem quiser, tem já nova sondagem à sua disposição aí ao lado para a semana que entra. Obrigado.

Agradeço, entretanto, à Carla Silva do blogue Tatuagens, o prémio J'adore tien blogue que já tinha recebido de outros bloguistas, e que, por isso, não posto aqui mas acrescento o nome onde está o prémio. Obrigado, Carla. Podem ir buscá-lo como sabem, aí na barra lateral direita onde estão os prémios, mimos que recebo e agradeço.

Também o David, do blog Sentado na Lua, me ofereceu o prémio "Este blog é tão bom que até arrepia", mas tal como o anterior, dado que o tinha recebido de outros, acrescento o teu nome onde está o logotipo do prémio. Obrigado, David. Recebo, agradeço e passo a quem quiser.

Por último recebi pela primeira vez o prémio abaixo, que fica dedicado a quem o quiser repassar. Foi uma gentileza da amiga formiga (blog a formiga tem catarro), mas vem com um desafio.

Respondo ao desafio, e repasso os prémios e desafios a quem acha giro estas interactividades (eu acho).




"Publicar o selo e linkar quem ofereceu.
Escolher cinco situaçoes da vida para passar em câmara lenta. "

Passar a quem quiserem (neste caso, seriam 12 blogs).

Hum... cinco situações da vida para passar em câmara lenta?

- Quando se mete um dia entre dois feriados ( sábado ou domingo) e eternizar esse dia que não é o primeiro nem o último;

- Momentos de alegria provocados por gestos simples;

- Quando e/ou se conheço novas pessoas (ficar por conta é bom em vez de olhar para o relogio)

- Quando o meu pai me faz cafunés (tadinho... sabe tão bem...)

- Virar-me para o lado e poder dormir (adoro dormir).


***********

Até já.

13 Outubro 1917



A propósito do post "E tu? Acreditas" e apesar de escrever isto com algum "atraso", é muito impressivo o testemunho indirecto do relato aqui publicado, de onde retiro esta foto, 13 de Outubro de 1917. Que partilho com vocês, independentemente das crenças de cada um.



19.5.09

SEMANA ACADÉMICA


Estamos na Semana Académica, que termina dia 23. A bênção das fitas aqui por Lisboa realizou-se às 11h30 na Alameda da Universidade presidida pelo Cardeal Patriarca de Lisboa e a festa contou com mais de 60 mil pessoas. De resto vi alguns blogues (curiosamente não eram de Lisboa) onde colocavam fotos suas e/ou com amigos num momento tão importante da sua vida académica e pessoal. É, de facto, um momento marcante para não se deixar de postar. E é marcante mesmo para os que não têm licenciatura, mas assistindo é comovente. Tal como Fátima o é, mesmo para os não-crentes na procissão do adeus, ou o juramento de bandeira para os recrutas.

No entanto, dados vindos a lume revelam que os estudantes universitários pouco ou nada lêem, que não vão ao teatro ou a exposições, e vêem muita televisão. Não me parece novidade. As manifestações académicas são curto-circuitos propalados por uma interacção grupal e não tanto pela convicção do que defendem. Tornou-se moda contestar, reivindicar uma sociedade à altura de uma geração que se quer feliz. Mas não se deve fabricar ideologias sobre escombros disfarçados. Seja esta uma geração nova no âmbito das novas tecnologias, ou simplesmente o institucionalizado direito à indignação (também não vamos pelo caminho de Vicente Jorge Silva que do alto da sua sapiência a apelidou de rasca), o facto é que é uma geração sem referências, de famílias fracturadas, numa sociedade que não se conhece a si mesma. Não me admiro, pois, que se colmate com ânsia e euforia, o que falta no entusiasmo de outras actividades académicas e praxes culturais. Em Direito, por exemplo, fica a saber-se que interessa a área de económicas, e em Economia e Gestão fica sempre o idílico de grandes gestores e economistas numa espécie de entronização do homo economicus. Lá vão sobrando algumas áreas que por inerência obrigam a uma diferente abordagem da realidade, mas pelo caminho ficam aqueles enésimos cursos que mais parecem o cumprimento de uma lei avulsa. Existe uma apropriação demasiado pessoal e técnica dos cursos frequentados (sendo muitos os de recurso), em detrimento de um interesse cada vez mais apagado pela cultura em geral, pela tertúlias literárias, pelos fados cantados com dor, pelos intercâmbios e jornais de estudantes, por concursos e experiências de campo, e tantas outras formas de enriquecimento, geradoras de verdadeiros profissionais qualificados. Desapareceu o gosto pelo saber, e tudo o que importa é passar até poder dizer ao mundo que se é doutor! Mas quanto a isso já advertia Sócrates sobre a douta ignorância!

Arredados das verdadeiras relações humanas (que não são o mais ter e o mais saber), os jovens universitários revelam um quadro emocional francamente baixo, com decisões robóticas, encontros insípidos e confusas personalidades. A necessidade de afirmação nunca foi tão premente. Depois lá vêm as queimas das fitas, e centenas de jovens um pouco por todo o lado, participam neste pequeno frenesim como corolário e início de uma caminhada. Todavia, mais importante do que ser doutor ou engenheiro, gestor ou arquitecto, é saber usar os conhecimentos adquiridos sem nunca relegar a diacrónica formação humana, ou teremos médicos sem escrúpulos e gestores desumanizados. A felicidade não se compra, apesar de pensarmos que sim. A ideia de felicidade é que se auto-sugestiona pelo tilintar das moedas, e decididamente que muitos percebem isto. Mas há becos e travessas, demasiados estímulos e desnorteio de valores prefigurando-se como resultado dois grandes caminhos: uma exótica e tentadora corda bamba que esconde falhas podres, ou uma ponte marginalmente construída. É por isso que não valem apenas as capacidades técnicas, mas também o discernimento, a sensatez e a ética que não se adquire num curso. E este discernimento é tão mais importante quanto o mundo em que vivemos sofre constantes e importantes mutações, obrigando a uma ponderação equitativa e correcta de novas soluções face a novos casos.

O saber não é a acumulação de conhecimentos, mas a vivência humana de uma vastíssima realidade. E se aquilo que nos move é o afecto, e a decisão vem do sentimento, (é uma constatação cientifica já vinda de António Damásio) então este não é o caminho.

Entretanto, parabéns a quem vive agora este acontecimento.

Até já. :)

18.5.09

ABRAÇA-ME



Damos um abraço a alguém que conhecemos e gostamos muito. Mas uma campanha nascida na Austrália tem espalhado pelo mundo "abraços grátis". Não é fácil abraçar um desconhecido mas dá gosto ver os sorrisos que ficam no rosto de quem participa nesta corrente. Talvez nos ajude a perceber que, às vezes, um abraço é tudo o que precisamos. É de uma expressividade imensa o gesto simples de um abraço.


Fazermos da nossa pele uma fronteira, e à nossa volta uma terra de ninguém, é desumanizarmo-nos.

17.5.09

DESAFIOS e CHARADAS

Olá a todos!

O resultado da sondagem desta semana aqui está. O significado do termo inglês stunning é, de facto, impressionante/notável, e sim, é verdade que que o autismo infantil pode melhorar se as crianças tiverem contactos com animais domésticos. Ainda não existe cura e pouco se sabe, mas a ciência vai lá aos poucos. Esperemos. Como o esperamos para tanta outra coisa :(

Está já outra sondagem para a próxima semana. Quem quiser, esteja à vontade para votar :)


Entretanto recebi este selo do blog do Teórico, um jovem amigo além fronteiras, com grande sentido de humor e de uma grande sensibilidade, como são as pessoas de quem mais gosto. Simplicidade, humildade, humor, verticalidade nos valores, sentido de justiça, e sensibilidade, são as características que mais prezo nas pessoas. A inteligência de nada vale se não houver sensibilidade. Não somos seres cognitivos. Somos um todo. Obrigado, Teórico. médico de profissão, mas humano de condição. E dizem as regras que se devem dizer cinco coisas na vida de que mais gostamos e indicar quem ofereceu o selo e postar o mesmo. Atribuo, este prémio a quem quiser, como sempre faço, bem como o desafio (e podem ir mais atrás buscar os outros desafios e prémios, criando a tal interactividade que sempre preconizo).

Hum... cinco coisas que mais gosto? Vou dizer o que me vem à cabeça, que é sempre o mais natural, e sem ser por ordem alguma. Assim de repente cinco coisas de que mais gosto são:

* o sentido de Partilha
* o mar (não a praia)
*o sentido de Justiça
*ursinhos, galinhas e animais fofinhos (sim, galinhas, daquelas castanhinhas e bonitas e limpinhas qual é o problema?) ;)
* Amigos autênticos e família

Prémio e desafio passados a quem quiser.

Também o Renato aquele amigo virtual de grande sensibilidade mas nunca transparecendo, me presenteou com este prémio, embora já o tivesse recebido do Do You Believe In Angels, por isso já está colocado na barra direita dos prémios, que passo igualmente a quem quiser e cujo desafio é indicar sete coisas que nos façam sorrir. É mais difícil, este. Sem ser por ordem, cá vai novamente:


* quando vejo dois apaixonados na rua a trocarem mimos ou de mãos dadas;
* penteados tipo Einstein (quer em homens ou mulheres) - é mais rir, mas pronto ;)
* receber mails e/ou cartas
*receber s.m.s. (nunca sei quem é, e prefiro-as à voz; acho mais bonito ;)

...ainda faltam 3... humm

*alguns blogues
*sentido de união entre pessoas
*fotos antigas

Obrigado, Renato. Desafio e prémios passados. Já sabem que o meu prémio personalizado "Prémio Sair das Palavras" se encontra na barra aí ao lado, no final, e podem levá-lo, podendo oferecê-lo a quem quiserem, inventando as vossas próprias regras. Giro não é? JUST DO IT. Montes de regras diferentes a circularem seria muito giro porque inventadas por cada um. Lá vem a interactividade e a humanização dos blogues que tanto preconizo.

Esta semana foi muito cansativa, senão vejam as fotos abaixo:

Confundiram-me com o cão de água português dos Obama e numa primeira impressão privada de dólares norte-americanos, imprimiram a minha foto. Tadinho, eu, um pedinte. Mas que gostei do resultado, gostei :)


Grafittis pela rua num concurso "Quem é este tipo?"


Tentativa de Convenção "Sair das Palavras" onde não compareceu ninguém (a foto era para sinalizar o local;)



Uma homenagem ao meu sempre Star Wars (apesar de vos recomendar a humana história, mais do que ficção, do personagem Wolverine que me surpreendeu pela conquista do Bem sobre o Mal, num desenvolvimento muito humano e menos ficcionado ou técnico de Wolverine)


Ah, isto era um cartaz onde se devia falar no blogue, mas como vêem pelas pessoas, ninguém ligava. Ligam vocês, é o que me interessa ;)


Ah não. Apareceu uma incauta estrangeira e como pensou que eu era alguém importante, pousou para a foto com uma minha. Era para ser a tal "Convenção" ;)



Acho que tenho de reformular o meu prémio ou criar outro. Algo deste tipo? Acham que faça um segundo prémio menos formal, embora o actual dê um ar de credibilidade, como me dizem e eu fico muito contente? :):):)

Mais concursos dos graffiti acima mencionados.

Com um ar muito cansado (meio nerd com tanta zombaria)porque ir à Lua e vir numa semana não é qualquer coisa.



Devido às gaffes dos dólares norte americanos e ao concurso dos grafitti todos me punham em cartazes, antes de saberem que eu era um perfeito desconhecido. ;)


Montagens com lâmpadas de que gosto muito. Das montagens, não das lâmpadas. Não está tão giro? Abaixo há mais.



Ah, isto foi a visita de uma escola em que estou ao fundo colocado naquele quadro, e enquanto a professora nao vinha todos olhavam para os livros e cadernos mas não reconheciam a figura.


Aqui foi apenas aproveitamento do "rapaz dos dolares, do concurso dos graffiti e da convenção que nunca houve". Acho que foi no Red District Zone de Amesterdão ou no Bairro Vermelho em Paris, qualquer coisa assim. Ou foi no Intendente?


A tal foto da nota norte americana, num quadro que nem o Putin numa reunião à pressa julgando tratar-se de uma guerra monetária, reparou. Como sabem ele é Primeiro Ministro mas acaba por ser quem governa. O Presidente é apenas o rosto do que ele diz. E então lá ficou a foto.


Mais uma homenagem ao sempre Star Wars (muito à frente, muito à frente).


Pois, aqui é mais do mesmo, foi uma empresa de outdoors que pensava com este cartaz recuperar da crise em que também está, mas afinal ninguém lhes pagou nada.

Eu nao disse que gostava de galinhas bonitinhas, castanhinhas e limpinhas? nao encontro foto melhor, fica esta. Adoro cahorrinhos (gatos nao) e animais fofinhos e urisnhos tipo forever friends sempre tão nhicos. NHICOS é uma expressão minha para indicar ataques de fofura :)Claro que ninguém vai perceber como é que esta galinha é fofinha, mas lá está, é como o rosa do Principezinho no meio das outras todas; só ele reconhecia qual era a rosa. :)


Vou revelar um segredo que nunca revelei. Eu estive em estado criogénico durante muito tempo até ha cinco meses ter criado este blogue. Esta é uma foto num livro antiquíssimo. Sou mesmo muito antigo.


Cá está, tipo Codigo da Vinci, uma ficção historica que o proprio autor diz ser, mas depois apresenta como factos. Tal e qual como je. Na altura eu nao era assim, mas prontes ;)

Outra montagem de lâmpadas. Esta é uma das minhas preferidas. Não está lindíssima?

No filme "Frame parada". As pessoas quase jogavam na sala, mas sempre foi melhor do que aquele da Branca de Neve do João César Monteiro, em que nao se via nunca nada. Lembram-se? Eu não vi mas sei que era assim.

Primaveril.


Techno/pop



Aqui sim. Uma homenagem ao meu Star Wars com o sabre do Bem para alturas mais civilizadas, como dizia Obi Wan Kenobi. Sim, que eu sou um Jedi.


Lá está. Sou tão antigo, que ainda nao havia televisão a cores e lá estava eu a falar da virtualidade sem que alguém me percebesse.


Também gosto muito desta. Luz-Luz


Pinturas de carvão a partir da foto, e aqui se vê: eu com uma galinha NHICA. A fazer uma festinha. Foi uma nota preta ;)



Cunhagem privada de moedas, mas esta legalizada aqui em Portugal como se pode ver. Cada moeda vale imenso. Mas eu nao recebo nada. Humpf!

Sempre gostei de imagens holográficas. A partir de agora vou falar assim com os amigos. Quem nao está presenta representa-se na imagem holografica. Enquanto nao tiverem façam como eu: postem fotos vossas, normais do dia a dia. (Esta parte foi a sério: novo convite a colocarem fotos vossas).


Uma exposição de Andy Warhol em que usaram uma das raras fotos em que tenho fato e gravata. Claro que, mais uma vez, me confundiram...


"Cuidado que me deixam cair". Um grupo de jovens que pensavam que o meu blogue estava ali dentro só porque dizia "posted".


Afinal no filme "Frame Parada" havia duas frames. A outra e esta :) Como continuam a ver, o pessoal até oferecia frango e coca cola uns aos outros e punham a conversa em dia.



A Milkinha, como ja referi noutro post qulquer, é a alcunha que pus à minha sobrinha e afilhada (tem lá a foto comigo e com ela, nesse post) e Pipinho é o nome com que me trata (e algumas pessoas amigas, ehe eh). Por ser o padrinho. E vai daí fiz uma sessão com ela do Sing Star essas modernices das playstations que nao conheço nada. Como ela tem 14 anos, tive de pôr o resultado em que era eu a vencer a cantar os Abba. ô-ô. ;) Mas nas outras todas a vencedora foi sempre elas. Weeeeeeeeeeeeeee. Uma fofinha, a minha Milkinha.
**************
Bem, amigos, depois desta tralha toda, desejo uma feliz semana, agradeço mais uma vez os comentários todos que vão colocando, embora saibam que nao costumo responder porque a minha opinião é o próprio post (o que nao invalida que nao o possa fazer de quando em vez, claro), e das muitas participações que houve no post que fiz mais sobre a forma como devemos discordar e criticar e nao tanto do Papa. Muitos dos comentários levaram mais para a figura do Papa, a sua actuação etc., mas o que eu pretendia era apenas chamar a atenção da FORMA e nao tanto da substância como criticamos tudo e todos, e dizemos sempre mal de tudo, e nunca nada está bem. Há coisas e pessoas boas no mundo. Nao digamos sempre mal de tudo. Mas reparei que muitos dos comentários postados se retiveram mais no Papa, mas não era dele que queria falar. Apenas aproveitei a sua viagem ao Médio Oriente e estar a ser falado por essas alturas nos media.
Eh pa. Isto cansa. Dou sempre muito de mim em tudo, e faço o mesmo no blogue, mas cansa. Vou "redesejar" uma feliz semana a todos, e obrigado pelo vosso carinho e apoio.
Até já.
Daniel (Lobinho)

14.5.09

Matem o Papa



Eu penso que devemos respeito a todos. E o Papa é igualmente uma pessoa de bem. Já li comentários de pessoas a dizer que por elas lançariam uma bomba atómica sobre o Vaticano, ácido sulfúrico para cima desta gentalha toda, etc etc etc.

Penso que crentes e não crentes devem ser críticos em relação à política, à sociedade, à religião, à cultura... mas isso não lhes confere o direito de achincalhar as pessoas que, por mais desonestas ou desonradas, merecem respeito. Claro que é difícil entender-se o respeito nos países islâmicos e não só, onde o terror político, social, pessoal e humano imperam, mas entre falarmos de ditaduras, de discordâncias politicas ou culturais ou religiosas, saibamos fazê-lo com o mínimo de elevação.

Não me parece que os dentes afiados e as críticas corrosivas levem a algum lado. Muitas vezes afirmamos que temos o maior respeito pelo outro, mas é formal, não é interior, é show off. Ter respeito é fazer coincidir a atitude e o coração, e não apenas palavras bonitas de que devemos respeitar todos, e claro que ninguém vai dizer que não respeita, mas no fundo têm ódio de morte. Isto aplica-se a cada um de nós no nosso quadrado de existência como a qualquer pessoa no mundo em geral. Acenamos que sim, que respeitamos, claro, mas se pudéssemos dar asas aos nossos instintos básicos e primários, nem a faca era precisa para anular o outro. E há muitos maneiras de o fazer.

Sobre o Papa, ele sabia que a sua visita ao Médio Oriente não iria ser fácil, dadas as cicatrizes com que os conflitos politico-religiosos marcaram aquela região e os seus povos. Ao chegar a Israel o Papa teve a confirmação da dificuldade da sua peregrinação de paz. Apesar da atmosfera tensa ele mantém o ar calmo que o caracteriza e prossegue o itinerário que traçou antes de deixar Roma: visitar e orar nos lugares santos de judeus e muçulmanos. Em defesa da construção da paz.

Abriu mesmo um precedente ao ser o primeiro Papa a entrar na mesquita dourada ou Cúpula do Rochedo, descalçando-se,muitas vezes referida como o terceiro local santo do Islão. Orou também junto ao Muro das Lamentações, tudo para de forma muito especial e determinada, defender Jerusalém como a "cidade universal da paz". Apenas isso.

Entretanto apoia a criação de uma pátria soberana palestiniana, critica a manipulação ideológica da religião e afirma o respeito pelo Islão entre outras coisas que não ando a seguir a viagem dele. Mas quis deixar este apontamento. Sejam crentes, ateus, agnósticos, mas sejam-no com elevação. O mesmo noutras áreas da sociedade em que vivemos. Todos apelamos a corações abertos, respeito e mais não sei o quê, e todos confirmamos esse mesmo respeito. Mas será que é mesmo verdade? Respeitamo-nos uns aos outros MESMO ou simplesmente o dizemos porque ficaria mal dizer o contrário?

Eu tenho crises de fé, porque a fé é um dom e não se incompatibiliza com a religião. Não se chega a Deus pelo esforço intelectual que d'Ele possamos fazer, e a Razão e a Fé são conciliáveis, apenas com métodos diferentes, porque também não cabe à razão experimentar o meu amor por alguém, nem à agricultura definir se aquele edifício está esteticamente bom, ou à culinária pronunciar-se sobre o Cosmos. Se o pai natal, e os duendes e as fadas madrinhas fazem parte do imaginário necessário a um crescimento saudável psico-afectivo de qualquer criança, a ideia de Deus não se perde com o crescimento intelectual.

blogues que falam visceralmente mal de tudo. Não do Papa em particular. E ironias à parte quando se criticam situações e são ironias muitíssimo bem feitas e hilariantes, há aqueles blogues e aquelas pessoas que criticam tudo e todos: uma parede mal pintada, um Papa de quem nada sabem a não ser as palavras debitadas nos media (sabiam que por exemplo o papamobile onde se desloca o Papa tem um motor da Ferrari que custa milhões porque a Ferrari o quis oferecer ainda no pontificado de João Palo II? E o que vem na comunicação social? Vaticano tem papamobile com a última geração de motores da Ferrari. O que se deduz? Que o Vaticano comprou. Sabem que Prada quis calçar o papa? E vem nos media "Papa calça Prada" o que se infere que ele mandou comprar. E sabem das obras e instituições da Igreja que no silêncio, e por todo o mundo, fazem mais que governos inteiros?

Não estou a defender o Papa, que o considero conservador mas digno e justo, mas não o achincalho nem deixo de ver as motivações do que diz, possa ou não concordar. Se nos tivermos a nós mesmos como guias inerrantes de tudo, então seremos os únicos que estamos certos à face da terra. E se nos considerarmos assim, então ninguém estaria certo porque cada um tem a sua visão e prisma que devem ser respeitados tal como as críticas devem ser feitas com o mínimo de elevação e não com maldade encapotada, quando não directa.

Não defendo o Papa. Defendo o Respeito e a Justiça, mesmo quando dizemos que sim, mas na realidade é só para ficarmos bem na foto.

Será que não há pessoas boas no mundo e se houver são apenas aquelas que no nosso conceito permitimos ser? Será que as estradas são todas tortas, a comida é toda intoxicada, os supermercados estão armadilhados com bombas que podem detonar a qualquer hora, nenhum edifício é bonito, todas as pessoas vestem mal, as nuvens movem-se depressa e o sol não vem, a chuva há-de ser culpa de alguém, a net quando enguiça já se sabe que é defeito próprio, as pessoas que comentam diferente de nós são autênticas bestas que precisam de uns belos comentários ou interpostos puxões de orelhas para saberem o que é a verdade, a posição correcta face seja a que situação for?

Matem o Papa, vá. Mas a seguir mais ninguém ficaria no mundo, a começar pela cobardia ilustrada com brilho de respeito da própria pessoa que acossa o seu semelhante, que está em todo o lado. Somos virtuais mesmo na rua. Está uma pessoa estranhamente a precisar de ajuda e não me refiro aos mendigos. Que se arranje. Querem deixar passar? Vão-se lixar. Enfim, sabemos sempre tudo, somos sempre inerrantes, dizemos mal de tudo, achincalhamos seja quem for, mas dizemos sempre: "eu respeito as diferenças. Eu respeito o outro".

Vá lá. Matem o Papa, já que não têm coragem de matar o vosso dark side. Por mim tento ser justo, mesmo que isso se volte contra mim. Porque não são apenas posts bonitos de poesia ou blogues onde todos temos os mesmos interesses e como tal, trocamos galhardetes. A paz é aquela que se vive no meio da luta, mas lutar não é matar. É honrar a própria honra... de quem ainda a tem.


Até já.