21.10.18

OTHER SELF MADE MAN

O nosso crescimento é mais interdependente do que supomos. A ideia da independência e autonomia, é apenas uma projecção no espelho relacional, já que, para sermos livres, precisamos de não sermos prisioneiros do eu. Quem se julga um selfmademan, não vive, nem progride, nem se realiza como pessoa, se apenas olhar para o seu umbigo, até porque mesmo para o mero hedonismo de uma vida com tudo ao seu dispor, necessitaria sempre do(s) outro(s), e de alguém que o conheça em toda a sua interioridade, e o respeite e aceite por isso, (sob pena de não ter uma verdade existencial) e, nessa liberdade, seja ele mesmo, porque alguém lhe legitima a existência...

2.10.18

DESCONSTRUÇÃO DO EU

A desconstrução do eu requer muitos recursos. Humildade para nos reconhecermos mais falíveis e finitos do que nos pensamos, o que é nova machadada no ego sempre sequioso de mais brilho e poder! O ego é um centro de comando que necessita continuamente de vigilância, sob pena de autismo de valores e capacidades! Um pouco mais abaixo, e surgem complexos de inferioridade; um pouco mais acima, e já nos julgamos omnipotentes!
 
Outro recurso necessário à desconstrução do eu, sempre maquilhado com preconceitos, valorações distorcidas e percepções erradas da realidade, é a coragem para enfrentar a mudança, os medos e até as críticas de uma nova visão por parte de quem ainda não conseguiu esse trabalho.
 
A resiliência é outro recurso indispensável à mudança na dsconstrução do eu, dado que são vários os escolhos no caminho, lento o resultado, e obriga a caminhos mais solitários até à plenitude da assunção do eu, na sua fragilidade e no seu vigor.
 
Sem a noção de que sem uma atitude constante de autocrítica seremos balofos a massajar o ego, a mudança não se faz, e o crescimento fica comprometido. Importa sermos grandes naquilo que verdadeiramente somos...

24.9.18

AMOR OU PROZAC

Há muitas luzes de néon, muito movimento, muito ruído e também muito vazio! Muitas palavras debitadas de cor, muitos clichés, muita superficialidade. Faltam os coches da sinceridade e nobreza de espírito em vez dos bólides topos de gama. Falta o significado do gesto, de cada gesto, em vez dos rituais cegos e automáticos sem cumplicidade e sem encanto, sem delicadeza e sem amor!

Vivemos amassados por tanta informação, anestesiados no poder tecnológico, no bramir do dinheiro, na angústia do futuro e mal sabemos o que é a comunicação da alma. Falamos sobre tudo mas não sabemos nada. Somos ignorantes da nossa própria condição. Habituámo-nos à personagem e não à pessoa. Falta humildade e serviço, bondade e modéstia; prevalece o ego e o endeusamento da finita razão. 

A sinceridade passa a irrefutável certeza, o amor a orgulho, a ideia que fazemos de algo a convencimento, e rasgamos as estrelas até perdermos a mão no Infinito onde nem a noite nem a luz nem nada nos abre os olhos para a obesidade de seres informados mas pouco formados.

Falta-nos a leveza de um pensamento leve. De não sermos mirabolantes a cada gesto, a cada ideia, a cada situação, como se tudo tivesse de ter segundas intenções ou se todos desejassem fazer mal ao próximo. 

Mas existe um remédio. Um remédio natural. Só se perde quem não sabe, não quer ou não pode amar. O amor universal, desinteressado, oblativo. Um amor que preencha e complete a essência que somos e para a qual fomos destinados, que nenhum Prozac, nenhuma experiência de vida, nenhum deus pessoal, nenhuma filosofia, nenhum ego nem nenhuma energia cósmica, poderão alguma vez substituir.

19.9.18

DISCERNIMENTO

Nos tempos do culto do eu, da auto estima, do sucesso pessoal, o que sobra do amor? Nos tempos em que o Outro é secundário, em que tudo deve girar à volta do bem estar pessoal, o que temos de verdadeiramente importante? Que valores, afinal, nos guiam, que rumos tomamos como ilhas vaidosas em luzes de néon disfarçadas de amor? 

Que restará de coisas simples como a simplicidade da entrega, a entreajuda, o amor desinteressado, a gratidão, os gestos simbólicos, as atitudes singelas, o agradecimento, a oferta e não o preço, o elogio e não a mera crítica, o enlevo, a preocupação pelo que não é apenas "eu", o abraço gratuito, a justiça em vez do populismo, a ética em vez da moda, a verdade em vez da realidade aumentada?

Nos tempos do culto do eu, da programação neurolinguística e do sucesso pessoal, torna-se ainda mais importante a capacidade da sageza e desse valor que reputo ainda mais importante do que a própria inteligência cognitiva: a lucidez, o discernimento, para aferir da verdadeira importância das coisas e do verdadeiro significado do que é ser humano!

É muito fácil inebriarmo-nos com o mero bem estar pessoal, mas é sempre e só na relação com o Outro, que o Homem verdadeiramente se faz, até com o sacrifício esporádico que, por amor, deixou de o ser.

5.9.18

MODUS VIVENDI

 
 
O tempo em que vivemos rouba a cada pessoa espaço para si mesma, para a contemplação e para o espanto, incluindo sermos nós próprios.
 
A actividade é tanta e a dependência do relógio tão absorvente, que não nos permite olhar para dentro de nós, e quando não estamos em contacto com as nossas emoções, muitas disfunções acontecem.
 
A sociedade ensina técnicas e metodologias para vencer na vida e esqueceu-se de educar para os desafios emocionais, mas vive mais autenticamente quem mais ama e não quem mais triunfa!

26.8.18

EGO E FELICIDADE

 
 
Endeusamos sempre muito o intelecto, a inteligência cognitiva, e fazemos tábua rasa da inteligência emocional. E batemo-nos pelo ego como se fosse o alimento primordial, a massa unificadora de uma humanidade egoísta, outorgando à razão uma legitimidade que não tem. Pretendemos que entenda aquilo que lhe escapa, mas há valências que não são o seu escopo, mesmo que queiramos que sim.
Somos muito mais do que pensamentos calculistas e aritméticas de vida, e não é no ego nem na in...teligência cognitiva que está a realização pessoal; o ego precisa de ser cuidado até onde deve, garantindo a auto estima necessária, mas o resto é vaidade ou sobranceria.
 
A melhor maneira de sermos, é sabermos quem somos, e geralmente apenas sabemos o que somos! E metidos nesta cegueira, deixamos o ego alastrar selvaticamente cortando cerce manifestações mais nobres de entrega, porque subservientes ao nosso eu racional que comanda a nossa vida com a idiota vaidade de quem julga saber tudo! Mas só a consciencialização das nossas verdadeiras motivações e porquês, o que implica um exercício de auto-análise e humildade, nos livrará da arrogante opressão do eu, permitindo a liberdade de podermos ser nós...
 
Só assim poderemos ter outra compreensão do mundo, do outro e de nós mesmos, e perceber que as dinâmicas da vida escapam ao desejo autoritário da visão egotista de quem não consegue ver mais além... É sempre nas coisas simples da vida e na partilha desinteressada, que verdadeiramente somos felizes...

19.8.18

CONTEMPLAÇÃO ACTIVA

Para se ser Pessoa integral precisamos de ter mundo mesmo que não sejamos viajados. Precisamos de ter noção da brevidade das coisas e com isso relativizar o que não deve ser empolado.
 
Precisamos de ter carácter, firmeza e bonomia, sem cair em concessões frouxas ou em rupturas anacrónicas, e sem termos de andar com atitudes austeras como quem acha que a vida tem mais valor se formos humanamente distantes!
 
Precisamos de saber que não somos eternos, que a morte não é um acidente, e que por isso o Agora e o Aqui têm uma importância infinitamente maior do que aquela que lhe concedemos.
 
Estamos sempre hipotecados no futuro, esquecendo-nos que pode não chegar como o sonhamos, porque a vida é dinâmica e não existem cauções.
 
E precisamos também de sonhar. A beleza existe sempre que vemos além da superficialidade diária. E precisamos de voltar atrás em tantas decisões, de refazer diariamente o nosso guia de valores e atitudes, actualizar o nosso caminhar. Quem não muda já se afundou na soberba da sua suposta razão.
 
Precisamos ainda de apagar os fogos diários de lixo humano tóxico (recriminações de tudo e de nada, altivez, arrogância, vulgaridade) e de arranjar tempo para arejar a alma e parar deste carrossel exagerado de estímulos que mata a contemplação e o pensamento, suga as energias, mitifica a razão e endeusa o vazio.
 
Vive-se num constante estado de espectáculo mas somos muito mais que marionetas em grupos de lazer ou com funções sociais.
 
E com humor e alegria, mesmo que seja para espantar a fealdade da vida, fazermos também nós a parte que nos cabe, descobrindo a cada instante novos caminhares...

13.8.18

DO SENTIDO DA FORÇA


Inculcámos em nós esta convicção do mais, de que podemos sempre mais, da eficácia e da força, do ser mais e ter mais, da competição tácita, do tempo ocupado! Muitos workshops e coaching são centrados nessa vertente de auto realização, mas não há qualidade de vida nem de tempo sempre que o ramerrão nos escraviza em baratas tontas que já nem sabem que o são, nem a realização pessoal se faz sozinha. Um homem deixado numa ilha solitária com todas as mordomias ao seu dispor, depressa esgotava a sua verdade existencial!!


Os cursos quando bem centrados na inteligência emocional ou na programação neurolinguística, são uma ferramenta poderosa e muito útil; o problema é quando descambam ou indirectamente transmitem a falsa ideia de que tudo podemos sozinhos, bastando conhecer as ferramentas... Não pode haver maior engano e há pessoas que acabam por julgar que se bastarão a si próprias...


Aquela ideia de que temos de ir sempre além de nós, é falsa. Como tão bem diz Carl Jung (outro grande nome da psicologia e que foi colaborador de Freud): "Na verdade não existe algo como dever-ir-além-de-si-mesmo. Por isso não aconselharia ninguém a querer ir além de si mesmo. Além disso, esta expressão também é falsa; não se pode ir além de si mesmo, mas apenas avançar mais para dentro de si mesmo!"


O caminho é sempre o da interioridade. Endeusar o ego e acreditar que nos realizamos sozinhos, é robotizarmos o que somos numa das maiores falácias de vida! Somos vítimas de nós mesmos sempre que não sabemos respirar a alma. E viciosamente encontramos argumentos e desculpas para o nosso próprio vazio!

6.8.18

NÃO É A VIDA QUE COMANDA


Só desapertando os nós da alma, insuflamos esse oxigénio de higiene mental que permite ver a vida em perspectiva, evitando as energias sem qualidade com que nos gastamos ao sobrecentar os problemas! Só arejando a alma e limpando a mente de emoções tóxicas e sufocantes, desbravaremos caminho para a libertação interior, que não se faz iludindo o que nos rasga a pele, ou negando o túnel sem luz onde tantas vezes nos encontramos, antes elevando-nos acima do próprio problema, concedendo-lhe apenas o espaço que tem, sem o aumentar nem diminuir, mas não lhe permitindo tornar-nos reféns dele!

A vida é dinâmica e o problema pode persistir, mas é a maneira como o encaramos que conta e não tanto a adversidade em si! Quando chove, enquanto uns se molham, outros apreciam a chuva; o que mudou não foi a chuva, mas a atitude face a ela. E é por isso que é possível haver pessoas felizes no meio dos problemas, sem os negar nem os agigantar ou alimentar! Porque a paz é aquela que se vive no meio da luta, sem energias mal gastas ou pensamentos desgastantes e inúteis com que nos consumimos na voragem de querermos abolir tudo o que de mal nos apareça, mas não definha nem morre quem sente a alma devastada: definha e morre quem fica preso na dor, com lamento ou raiva, sem oxigenar esse jardim que é ele mesmo, capaz de sofrer e seguir em frente, porque assume a natureza humana e os seus contratempos pessoais como parte integrante da caminhada que não pode nem deve ofuscar a capacidade de nos darmos e de rirmos e brincarmos, não porque se nega, mas precisamente porque vale mais do que uma tempestade que só aparentemente parece querer ficar para sempre... 

E nesse caminhar mais lento, apressar o passo sorrindo e indo, porque a vida passa depressa e nós perdemos muito tempo a dar ouvidos à dor, essa que traz mais solidão e desencanto, cuja cadeia nos cabe quebrar além do que já é! Aceitar com serenidade o que não podemos mudar, mesmo que seja só por enquanto, mudarmos o que pudermos, colocar as coisas em perspectiva, e dar tempo à dinâmica própria existencial, estarmos além dos problemas, comungando com optimismo e esperança, brincando e relevando, num resgate psicológico imediato que só depende de nós.

Há tanto para amar e descobrir, tanto para sorrir e partilhar, mesmo nas noites mais escuras, e o tempo é sempre o Agora, mesmo que coxos em feridas que julgamos sempre que nos matam, mas que necessariamente vão passar... 

Há que saber viver a vida na nossa comum condição da fragilidade humana, mas também na sua força brutal e redentora, pulsante e pujante da criatividade e glória que tantas vezes lhe recusamos...

30.7.18

DIA INTERNACIONAL DA AMIZADE

 
 
 
 
 
Hoje é o Dia Internacional da Amizade! E a Amizade é todo um  tratado. Como escrevia Saint-Exupéry:
                
                 "eu não preciso de ti
                  e tu não precisas de mim,
                  mas se tu me cativas,
                  nós precisaremos um do outro!"

A Amizade não são essencialmente as grandes jantaradas e eventos, onde o sentido colectivo fala outra linguagem; antes o gesto presente nos dias comuns e anónimos, de presença na ausência, de sorriso e partilha, de silêncio e palavras! O quotidiano carece tão mais de gestos amigos do que longos momentos em que todos brindam para depois todos voltarem a ficar sós. É aí, no dia a dia, que se revela em toda a sua verdade!



27.7.18

PENSO, LOGO ERRO!

 
 
 
Sem uma constante autocrítica e análise, facilmente caímos em verdades que não existem, excepto na nossa cabeça, o que nos limita, não apenas na percepção da realidade, mas sobretudo quanto ao mundo do outro. Se acho é porque é, é uma falácia que requer diariamente uma desconstrução do eu!
 
 
O ego é sempre cego e facilmente comete injustiças. E é por isso que temos de estar sempre muito auto vigilantes, sob pena de lermos mal o mundo e os outros quando, afinal, o erro somos nós...

(RE)VALORIZAÇÃO

Saber precisar daquele que amamos, pode ser uma prova de amor, mas a primeira prova de amor é sempre no respeito connosco mesmos, e sempre que não nos amamos o suficiente (não como quem se idolatra mas como quem se dignifica), ficamos reféns de um príncipe ou princesa que pode não apenas não existir, como nem sequer ser melhor do que nós! E da nossa necessidade de amor e protecção, nascem valorações exageradas ao outro, muitas vezes diminuindo-nos, quando, afinal, somos grandes, e aumentando a importância que o outro pode não ter!
 
O Homem é um ser relacional, e estarmos nos braços e no coração do outro, vem das necessidades mais profundas de vínculo e protecção, mas facilmente nos desvalorizamos sobrevalorizando o outro, que tanta vez é mais um apego do que uma identificação. E neste caminhar, precisamos também de aprender que, no fundo, somos seres solitários, precisando do outro, sim, mas não devendo emprestar ao tempo uma espera por alguém que verdadeiramente nos ame, se nós não formos os primeiros a conseguir essa própria construção...
 
Seguir o Amor é lindo e necessário; mas só se nos soubermos amar também a nós, porque muitos amores são apenas um afago do ego... E se tivermos a sorte de sobrevir esse Alguém, de nunca hipotecarmos a felicidade numa imagem construída do que gostaríamos que fosse e não do que verdadeiramente possa ser, dando a esse Amor o que merece e partilha, mas sem nunca endeusarmos o objecto dessa entrega, sob pena de mendigarmos algo cuja riqueza, afinal, está em nós...

8.7.18

...PORQUE ELE CONHECE...

Porém...
Ele estará contigo,
porque conhece as tuas manhãs e madrugadas.


E ficará contigo ...
mesmo quando nada tem para oferecer
a não ser ele mesmo!


E então sentirás que te perdes,
e que viver fica do outro lado da vida,
se não abraçares sem deixar o presente,
a entrega que está por fazer.


E a felicidade é um rodopio social,
onde ninguém conhece verdadeiramente
as tuas noites e manhãs,
os teus anseios e dúvidas,
a tua sensibilidade e abraço.


Mas ele conhece.

Como quem te olha de dentro
porque também és tu,
mesmo nas tuas negações,
mesmo quando achaste ser esporádico.


E quando a noite do espírito
te invadir,
grita por ele,
ergue o facho da tua alma,
e lembrar-te-ás quem te beijou as mãos,
porque só ele, o Amor, conhece as tuas manhãs e madrugadas...

3.7.18

SAGEZA E REIVINDICAÇÃO

Uma fila enorme à minha frente com carrinhos de compras a abarrotar. Uma senhora atrás de mim com três pequeninos artigos. Algazarra e reclamações. Pessoas quase à estalada. Digo calmamente à senhora com ar infeliz atrás de mim que, por mim, obviamente lhe dava o lugar, mas a fila é extensa e seria muito melhor para a senhora pagar nas máquinas automáticas, pelo que lhe pergunto se tem cartão e prontifico-me para a operação. A senhora quase se ajoelha em agradecimento. Por azar as máquinas estavam bloqueadas e lá consegui numa fazer as compras da senhora, um saquinho de pão, três maçãs e uma caixinha de qualquer coisa. Entretanto havia pessoas na minha fila a reclamar do meu carrinho abandonado, e um casal fazia-me sinal de que estava tudo bem. Despeço-me da senhora que não sabia mexer nas máquinas automáticas e que está profundamente agradecida, e corro para o meu lugar. Repito o que, aparentemente, já tinham contado, as pessoas acalmam-se, com mais alguns minutos acabam por falar de outros assuntos, uma senhora, a mais aguerrida, com ar de dondoca, acaba por se mostrar extremamente afável quando, entretanto, tudo parece mais apaziguado, a rapariga da caixa que estava a ser alvo de violentas críticas deixa de ser o centro das reclamações, porque insisto, em duas ou três frases sossegadas mas assertivas, que ela obviamente não tem culpa nenhuma, e que nos resta a todos esperar. E se a senhora dondoca afinal era tão simpática, e se as outras pessoas que tinham visto a senhora com os três artigos queriam ajudar mas nada faziam, e no fim as reclamações passaram a conversas de circunstância de situações particulares de quem intervinha, e a senhora de ar infeliz foi ajudada e sugerida para uma opção via verde, porque havemos de vociferar e deitar fel, quando não apenas aumentamos o stress e gastamos energia sem qualidade, como contaminamos o ambiente e nada resolvemos? E, se, no fundo, até são todos boas pessoas com zonas ocultas (as melhores) porque é que temos de ser nós a intui-lo e não elas a mostrá-lo? Precisamos de ser simples, mão amiga de ajuda efectiva, conseguir sorrir no meio da luta, e não sucumbirmos ao socialmente correcto da hermetização, de ser suposto andarmos todos macambúzios e austeros, reivindicativos e mal dispostos, outras armadilhas do ego que, pensando sempre em si, se esquece de que a fragilidade, os temores e anseios, os gritos de desespero e os choros escondidos, são denominador comum da natureza humana, e que não os precisamos nem devemos travestir em amargura e rancor. Só quem é livre, não se sente ameaçado por quem consegue ser feliz mesmo sem ser rico...

22.6.18

REALIDADE E ESPELHO

 
 
 
 
O excesso de confiança é proporcionalmente negativo a quem tem falta dela! Mas se no segundo caso requer a consciência do valor pessoal e intrínseco que cada um tem, mesmo que pense que não e que é algo que se deve trabalhar, é o primeiro caso que mais grassa.
 
Cheios de nós, presunçosos de que conseguimos muito e sabemos tudo, endeusada a razão e o ego, facilmente se cai na vanidade, na soberba intelectual e na arrogância, mesmo que facilmente se disfarce a coisa.

A formação humana será sempre a melhor forma de aferir do valor de uma pessoa. Sem um sobrecentramento narcísico, importa reconhecermos que a realização pessoal passa sempre pelo Outro, mesmo os desconhecidos. Caso contrário, seremos egos balofos, julgando encontrar no espelho a realização que só a partilha pode dar!

13.6.18

SANTO ANTÓNIO, FESTA E SOLIDÃO

Instintivamente somos impelidos ao Outro, somos impelidos à comunhão, está inscrito na nossa consituição como seres humanos que só somos com o Outro! É natural que, para além dos pregões,  santo António receba tantcartas e pedidos! De amor e de amizade!
 
 
Santo António já cá está, segue-se o São João no Porto e em Braga, São Pedro em Sintra e, claro está, um arraial colectivo um pouco por todo o país. As Festas dos Santos Populares não são o Teatro Nacional de São Carlos, uma ópera, um concerto de música e...rudita, uma palestra literária ou um bailado russo. Também não são um concerto de música hard-rock, eléctrica ou uma rave. Podem ser, aqui e ali, um misto de canções populares com uma espécie de música de carnaval after hours, mas são diferentes. Também não é fado, que é do povo. É o outro lado do fado, é o lado alegre que o português não tem. Mas é também a Partilha.
 
"O meu bairro é liiiiiindo" não cheira a competição mas a partilha. As pessoas saem de casa e sentem colectivamente momentos assim, porque a noção de pertença e de partilha estão intimamente ligadas, convocando do fundo de nós a saudável abertura de um abraço a um desconhecido, como um único coração na praça grande que são as ruas e a vida.
 
É assim que a humanidade se humaniza. Na partilha!
 
Mas voltemos ao início: a quantidade de pedidos secretos de amor e amizade, é sempre maior do que supomos; a vida é dinâmica, uns casam, outros namoram, outros suspiram, outros acham que têm muitos amigos, outros simplesmente não têm nenhuns, outros gostam de estar sós, mas não é desse silêncio salutar que falo, mas da solidão de quem não tem companhia, excepto a intervalos avulsos que serão sempre insuficientes para uma maior doação e realização como pessoas.
 
Resta-nos oferecer gratuitamente o nosso sorriso a quem passa, reconhecer e intuir as dores escondidas, perceber que nem todas as alegrias são alegres mas que também nem todo o sofrimento é dramático, e com manjericos ou martelinhos, com cartas ou sardinhas assadas, com selfies ou pinotes, há sempre alguém que está só...