5.12.16

DIA INTERNACIONAL DO VOLUNTÁRIO

Precisamos de tempo! E é isso o que dá um voluntário no dia internacional que hoje se comemora! Darmos ao outro o nosso tempo, é uma das maiores dádivas, mas tê-lo também para nós, é imperativo! Só quando estamos connosco mesmos, alimentamos a alma, ordenamos os pensamentos e ficamos com outra perspectiva!
 
 
Aquietar a mente, abrandar a azáfama louca de tudo e de nada e reorganizar o espaço interior, é tão importante como respirar, sob pena de já não entendermos nada e... não fruirmos o mundo nem a vida, enclausurados em arritmias com a capa do ritmo certo!
 
A higiene mental e o revigoramento anímico passam por aqui, exactamente como quando estamos com amigos e confraternizamos sem grandes preocupações!
 
 
Negarmos este espaço diário de silêncio connosco, é diminuir a capacidade de ouvir o outro e de percebermos como vai o nosso próprio valor... Darmo-nos tempo é também darmos tempo ao outro sem as desculpas de o não termos... Porque mais importante que uma prenda bonita, um jantar imaculado ou uma roupa cara, é o tempo que damos na simplicidade da alegria e do encontro interior que se faz sempre assim, sem pressas, como se presos num elevador da vida onde se ouve o mar e o silêncio, como se fosse de noite, uma paz que atravessa a alma e os diálogos e estamos ali, sem pressa, a darmo-nos...
 
Escrevia uma amiga ontem no seu facebook o que também define este estar: "Sabes que um jantar é dos bons quando passas uma tarde na cozinha a inventar, cinco horas na conversa e ninguém se lembra de pegar no tlm e tirar uma foto, e tens uma pilha de loiça para lavar mas nem estás minimamente chateada."!
 
Quando a aparência se sobrepõe, e o tempo é artificial, está tudo enquinado, e cabe-nos a nós interromper o ciclo do vazio! Neste início de semana em que se comemora o dia do voluntariado, é tão louvável e meritório o que cada uma dessas pessoas faz além do seu próprio tempo, quanto a higiene mental e o arejar de alma que connosco e com os outros possamos ter... Como a minha amiga no jantar "esquecido"...

18.11.16

DA VERTICALIDADE DO SER

O mundo está cheio de pessoas que pouco vêem além do seu próprio umbigo! Fazem das suas crenças a realidade e tornam-se injustas por isso! É esta, de resto, a definição de ignorância! Ignorante não é a pessoa que não sabe ler ou não tem um doutoramento! Ignorante é aquele que não tem noção do próprio mal que pratica, e que achando-se legitimado na própria ignorância continua a praticar o mal feliz e contente porque, tal como um tolo, não tem noção do que faz.
 
Tal como as multidões que são acéfalas e não pensam, antes vão guiadas pelo instinto colectivo e cego, assim as pessoas que não usam de inteligência emocional e não se conseguem distanciar de si mesmas! E sem conseguirmos ver além do umbigo, inflamam-se os egos e a injustiça corre como chuva de inverno achando todos que está um imenso sol. Nalguns impera o egoísmo, sob a capa de um pretenso amor, e tudo o que importa é o seu quinhão de existência! Interesses, preferências, hipocrisia, tudo servido com a egótica sensação de uma verdade absoluta e a máscara do socialmente correcto! Noutros é a mera tristeza de dançarem e bailarem sem se aperceberem das flechadas com que magoam os outros e continuarem pateticamente felizes!
 
A capacidade de pararmos para reflectir e fazer um upgrade de nós mesmos, de nos distanciarmos dos nossos interesses e visões pessoais, é fonte de higiene mental e remete uma vez mais para a inteligência emocional que todos devíamos praticar! É por isso que valorizo os que têm coluna vertebral e coerência e não sucumbem às conveniências e que tantas vezes pagam com a solidão o preço de se manterem fiéis ao carácter e ao sentido de justiça, termos raramente encontrados em quem não sabe fazer da vida um lugar de amor e amizade numa dádiva constante de si...

9.11.16

A PROPÓSITO DE TRUMP: ÉTICA E COMPORTAMENTO HUMANO

 
Em inteligência emocional e programação neurolinguística, ensinam-se técnicas e dão-se ferramentas para a melhor realização pessoal, visando uma maior assertividade e plena realização de si. Chamo sempre a atenção quando falo destas coisas com alguém, que a fronteira entre a humildade necessária para um efectivo crescimento e a mera eficácia pessoal na condução de vida que roça o egoísmo, é muito débil e imperceptível! Donald Trump tem excesso de autoestima, que não sendo trabalhada termina assim! Mas não são os casos isolados que me preocupam, antes a massa acrítica de gente que vai atrás. Quando a corrupção já se generalizou um pouco por todo o lado e a ética há muito desapareceu da vida quotidiana política de onde é suposto emanarem os exemplos para a sociedade que se pretende, resultados como este só podem ser uma consequência natural deste estado de coisas. António Costa auto denomina-se primeiro ministro formando um governo que nada teve a ver com o resultado das eleições, Marcelo Rebelo de Sousa quase branqueia o regime de Fidel Castro, Isaltino Morais e Fátima Felgueiras são condenados mas as populações aplaudem-nos exigindo que voltem, Sócrates não tem um pedacinho de verdade e é ovacionado como um herói, os gestores da banca eximidos de obrigações que no caso de um cidadão comum nem os ossos sobrariam, porque é que num país de excessos como é a América Donald Trump não seria eleito?
 
É esta reflexão diária da formação humana, de muita lucidez e da humildade necessária aliada à eficácia, que o ser humano precisa sempre de fazer de forma desafectada e acima da política, dos clubes, dos interesses, das visões meramente instintivas, para que a ética e os valores que não são bens transacionaveis do mercado dos interesses possa imperar, e evitar que estes dentes afiados de pessoas menores continuem a achar que o mundo assim vai bem...

8.11.16

AREJAR A ALMA

Precisamos de arejar a alma. Descansar dos atribulados tempos de crise, dos inevitáveis apertos de quem não nasceu rico, dos sonhos acumulados de ilusão.
 
De mudar de canal e passatempo, de fechar os ouvidos a tanto excesso de realidade. Precisamos de descansar a alma para outras perspectivas da realidade, sem um enfoque demasiado nas coisas, nas situações e nas pessoas.

Não importa como insuflar um renovado oxigénio na vida cinzenta de tantos de nós, mas urge fazê-lo para purificar as águas turvas de tanto esbracejar. A magia não existe em nenhum lado, que não na capacidade de olharmos com outra perspectiva o mundo que sonhamos.
 
Somos sempre a nossa própria cura ou doença. As coisas e os outros são meros amuletos de uma realidade que somos nós. Basta começar por estarmos um centímetro acima do chão, do ruído e da maledicência, basta começar pela elevação para, metidos num mundo obtuso, confuso e tantas vezes injusto, não sucumbirmos a forças cujo antídoto, afinal, somos nós...

14.9.16

RAZÃO E VERDADE

Sem distanciamento interior temos sempre tendência para justificar os nossos actos e os dos outros mesmo que a atitude seja reprovável! Além de habitarmos um mundo confuso e desordenado, legitimamo-lo pelas nossas acções e pelos nossos silêncios.
 
Inalamos a poluição humana com um tal sentido hiper-crítico que nos tornamos elos de uma massa escudada em si mesma, mas esse sentido critico não é de desafectação, de imparcialidade na aferição da realidade, mas de pura crítica sectária!
 
Assistimos a uma descaracterização do ser humano naquilo que devia ser a essência da verdade, e depois achamos normal desde as inverdades políticas, aos gestos incivilizados, erros de palmatória ou falta de puro sentido de ética!
 
Esquecemos dramaticamente que os valores não são bens transacionáveis conforme nos dê jeito ou não defendê-los! O sentido de justiça e imparcialidade devia ser sempre superior às opiniões de circunstância e conveniências de momento.
 
É necessária a aprendizagem do Amor, mais do que a simples empatia da solidariedade, e o Amor é sempre justo e verdadeiro! Não a imagem que fazemos dele! E o verdadeiro passaporte para a condição de ser Pessoa é a formação humana, porque só ela preserva os valores e garante a justiça! Cabe-nos, por isso, estar atentos e actualizar as nossas decisões. Antes que nos desumanizemos sem dar por isso.
 

31.8.16

TER E SER ALMA (II)



Preparamos o ego para tudo e ignoramos o essencial: a alma! A perda da alma é o mal das sociedades e das pessoas, que julgam que a realização e bem estar pessoal residem no êxito, que é tantas vezes apenas o outro lado do fracasso. E isso acontece precisamente porque falta a alma, a natureza da partilha, das outras latitudes do eu, que estão bloqueadas em considerandos de suposta realização pessoal quando não existe realização nenhuma: apenas intelectos estilizados e egos vaidosos na ilusão da plenitude!
 

Precisamos de alma! Só quando a alma está presente a natureza vive, e sem darmos alma aos gestos, vivemos cinzentos como um sol tapado pelas nuvens da soberba fazendo definhar o melhor que há em nós, porque só aceitando a condição humana da força e da fragilidade, poderemos interiorizar que o super homem é uma fantasia do ego, cabendo-nos a humildade do abraço e do sorriso! Precisamos sempre de alma e de partilha...

 

9.8.16

 
 
Todos gostamos de férias. É uma das melhores coisas. Mas fazemos férias como se fosse uma interrupção da existência, tal como desejamos bom fim de semana para só voltarmos a falar na segunda feira seguinte. Fazer férias não é tanto a desbunda hedonista, mas a descompressão, o retemperar das forcas vitais, lembrando-nos que também somos alma, espírito, essência - que cada um entende à sua maneira - e nesse descanso também físico e psicológico, encontrar o acolhimento e a disponibilidade interior que nem sempre temos.
 
 
Se me pedissem para me definir, seria pela simplicidade. Esta, subentende também a humildade e a alegria, mesmo quando não vislumbramos caminhos e só apetece afiar o dente. Simplicidade é estar de mãos abertas e alma receptiva, e como sempre costumo dizer, não se deve confundir com ingenuidade mas requer inocência. Estamos muito habituados a erguer camadas sobre camadas de defesas, mas sem entrega e sentido de humor, desumanizamo-nos. A sociedade não é mais do que a soma de cada um de nós, pelo que nem sempre colhe o argumento do "é assim", mas coragem para sermos.
 
 
O que é o essencial nas nossas vidas? Até aqui a confusão se instala, de tão endémica pertença às coisas e situações, e pouca às pessoas. Apegamo-nos a coisas, muitas coisas, como se pudéssemos dormir com elas ou receber o afago na solidão e dor. Em tantos locais do mundo, como África e outras comunidades, as pessoas vivem literalmente do essencial, sem invalidar as suas festas e rituais, que entre nós costumam ser mais para a foto com nomes pomposos como sunset party, entre outros eventos onde duvido que a felicidade resida. É tudo muito bom, claro, mas se pensarmos duas vezes na vida social que se leva, e se realmente queríamos ir se não fosse o convite, vamos acabar por perceber que no fundo dispensaríamos tanta dessa actividade, e teríamos mais espaço e muito menos stress dentro de nós.
 
 
Uma vida com o essencial nunca começa pelas coisas, passa por elas como cores que nos alegram a existência mas detém-se sempre no encontro. É uma palavra muito importante. O encontro. Connosco e com o outro igualmente cheio de tanta defesa. É esse encontro que faz pulsar as fibras humanas que se vitalizam e engrandecem, porque soubemos que viver não é acumular coisas ou preencher a agenda, mas este descalçar do mero "eu social", numa partilha que cabe a cada um fazer e descobrir.
 
 
As férias deviam ser sempre uma belíssima oportunidade para retemperar forças, como quem massaja a alma, como quem vai nutrir-se de vida, ou quiçá espaço para reflexão de onde estou, por onde caminho, onde quero realmente ir, e dessa forma, sujeitar à existência o supérfluo e o que pelo hábito julgamos ser necessidade, quando afinal a verdadeira necessidade está sempre no encontro connosco e na efectiva capacidade de amar...

19.6.16

SER EM PLENITUDE

 
Para se ser Pessoa integral precisamos de ter mundo mesmo que não sejamos viajados. Precisamos de ter noção da brevidade das coisas e com isso relativizar o que não deve ser empolado.
 
Precisamos de ter carácter, firmeza e bonomia, sem cair em concessões frouxas ou em rupturas anacrónicas, e sem termos de andar com atitudes austeras como quem acha que a vida tem mais valor se formos humanamente distantes!
 
Precisamos de saber que não somos eternos, que a morte não é um acidente, e que por isso o Agora e o Aqui têm uma importância infinitamente maior do que aquela que lhe concedemos.
 
Estamos sempre hipotecados no futuro, esquecendo-nos que pode não chegar como o sonhamos, porque a vida é dinâmica e não existem cauções.
 
E precisamos também de sonhar. A beleza existe sempre que vemos além da superficialidade diária. E precisamos de voltar atrás em tantas decisões, de refazer diariamente o nosso guia de valores e atitudes, actualizar o nosso caminhar. Quem não muda já se afundou na soberba da sua suposta razão.
 
Precisamos ainda de apagar os fogos diários de lixo humano tóxico (recriminações de tudo e de nada, altivez, arrogância, vulgaridade) e de arranjar tempo para arejar a alma e parar deste carrossel exagerado de estímulos que mata a contemplação e o pensamento, suga as energias, mitifica a razão e endeusa o vazio.
 
Vive-se num constante estado de espectáculo mas somos muito mais que marionetas em grupos de lazer ou com funções sociais.
 
E com humor e alegria, mesmo que seja para espantar a fealdade da vida, fazermos também nós a parte que nos cabe, descobrindo a cada instante novos caminhares...
 
 

9.6.16

BRILHANTE




Nos búzios dos sonhos
e na cintilação das estrelas
está o pulsar da minha
própria liberdade.

 
E de minhas mãos
evolam-se as cinzas
que me farão de novo
no caminho de uma vida!

28.5.16

A VIDA É CADA HOJE


 
 
Hoje só valemos pelo que formos amanhã. Maximiza-se o valor de tudo o que é sensorial, dinâmico, quantitativo. Esvazia-se a pessoa da sua interioridade num mundo de estímulos alienantes consecutivos, a cada nano segundo. Mas sobretudo valemos pelo que somos hoje, agora, e não esses futuros idílicos ou alienantes a que podemos nem chegar. É como se suspendessemos tudo o que podemos fazer de melhor com as desculpas de estarmos a meio caminho, mas o caminho que importa é aquele em que estamos no momento presente, não outro!
 
É o Outro a chave da existência. É o Outro que lhe confere significado e, por isso, é no Outro que nos realizamos. De resto, muitas vezes não sabemos o bem que fizemos ao Outro. Nem o Outro se apercebe do bem que nos fez a nós.
 
E o pior de tudo, é que muitas vezes leva-se quase uma vida inteira para se perceber que não houve partilha nem entrega nem amor, mas é exactamente isso que dá razão à existência!