31.3.09

PRÉMIO SAIR DAS PALAVRAS


Fui agraciado (ui, finíssimo) com mais um prémio que coloquei na barra lateral. Não tenho assim tantos, mas foi bom recebê-los porque demonstra carinho por quem me lê.

Vai daí, decidi eu mesmo fazer o meu prémio. Pensei numa taça e o nome do blogue "Sair das Palavras", mas como parece que é suposto personalizar-se o prémio com o endereço do blogue, ficava muito grande numa taça e, optei por este.

Então aqui fica em primeiríssima mão, a todos os que me seguem e lêem, e a quem desde já ofereço com a mesma alegria de quem recebe. Espero vê-lo nos vossos blogues.

Dedico-os a tod@s porque embora existam mais simpatias aqui e/ou mais identificações ali, o facto é que tento fazer dos blogues, não uma página internautica, mas uma amizade - pelo menos virtual -, com a certeza de que se encontra uma pessoa por detrás dele.

Abraços, beijinhos e obrigado eu :)


P.S. - Obviamente podem perpassá-lo e oferece-lo aos blogues e pessoas que quiserem, como sugeriu abaixo o Teórico, nos comentários. Não é exclusivo. É precisamente para presentearem também outros, tal como fazemos quando recebemos um prémio.


MOURINHO E PROVÉRBIOS INFORMÁTICOS


Quando da atribuição do título honoris causa a José Mourinho, aquele de temperamento irreverente e internacionalmente conhecido como The Special One, eis que o mesmo faz o seguinte discurso: "libertar o jogo e o treino de um determinismo mecanicista, de um construtivismo cartesiano, de fascinações positivistas e de uns fisiologismos energicistas mutilantes".

Ahã... Get it? Eu também gosto. Mousse de manga, batido de caramelo... ;) Não habia nexexidade. Porque foi ele buscar o saber de uma área (Filosofia) que não era a dele e que transpôs à falta de melhor? (digo eu?) Não tenho nada contra (nem a favor) de o titulo lhe ter sido concedido, mas este pedaço de discurso transcende o bom senso.)

Por isso, se é para rir, riam com estes provérbios que estão simplesmente deliciosos, adaptados à era da informática ;)

1. A pressa é inimiga da conexão.
2. Amigos, amigos, senhas à parte.
3. Antes só, do que em chats aborrecidos.
4. A arquivo dado não se olha o formato.
5. Diz-me que chat freqüentas dir-te-ei quem és.
6. Para bom provedor uma senha basta.
7. Não adianta chorar sobre arquivo apagado.
8. Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.
9. Hacker que ladra, não morde.
10. Mouse sujo limpa-se em casa.
11. Melhor prevenir do que formatar.
12. O barato sai caro.
13.Quando a esmola é demais, o santo desconfia que tem vírus anexado.
14. Quando um não quer, dois não teclam.
15. Quem ama um 486, Pentium 5 lhe parece.
16. Quem clica seus males multiplica.
17. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.
18. Quem envia o que quer, recebe o que não quer.
19. Quem não tem banda larga, caça com modem.
20.Quem nunca errou, que aperte a primeira tecla.
21. Quem semeia e-mails, colhe spams.
22. Quem tem dedo vai a Roma.com
23. Um é pouco, dois é bom, três é chat ou mailing list.
24. Vão-se os arquivos, ficam os back-ups.
25. Diz-me que computador tens e direi quem és.
26. O problema do computador é o USB (Usuário Super Burro).
27. Na informática nada se perde, nada se cria. Tudo se copia... e depois cola-se.
28. Quem ao "Sair das Palavras" vem, no "Sair das Palavras" fica ;)

29.3.09

Visto-me de Sombras



Visto-me de sombras.

Sou refém de mim.

Aceito o convite do silêncio.

Sigo em passos lentos para não incomodar a vida.


Assusto-me com as pessoas que têm sentimentos neutros.

Espanto-me com a palidez da tristeza.

Ruborizo-me com os escândalos da alegria.

Despeço-me dos sonhos.

Olho de soslaio a ilusão.

Pelas ruas da solidão, encontro a saudade embriagada.

Olhos cegos de esperança.

Com as mãos da dor, rezo um terço de lágrimas.

Prendo os pensamentos nos convés do tempo.

Tempo que ficou em mim sem nunca ter sido.

Fecho a cortina do dia.

Adormeço no colo da noite.

Até que a aurora me resgate.



Transparência Humana

Para além de achar o vídeo delicioso, transponho-o.
E porque não somos todos transparentes?

27.3.09

SIM, TU...

Não é o rapaz com cara de pato; é a Fonte de Trevi

Não é o rapaz; é o Coliseu.

Não é o rapaz; é a interface.



Era giro cada bloguista postar um minuto que fosse filmado do telemóvel, da web cam, ou máquina fotográfica, um filminho (ou apenas o som para os que insistem em anonimatos), a dizerem qualquer coisa, nem que fosse "Sou o Zé Manel, moro em Blog-Tuga, tenho a idade que quiserem, e quando é que fazemos um jantar?" Ou apenas um clip de som a dizerem o que vos aprouver. Desafio feito. Deixo estas três fotos para dar o exemplo (se bem que não precisava, com tantas aí ao lado). Depois posso gravar qualquer coisa, mas depois de haver reciprocidade. Um blog não é nada se não estiver ninguém do outro lado para interagir.


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Outra coisa gira é a idade. Vou fazer anos em breve. Quem me conhece sabe que costumo comemorar o meu dia de anos sozinho. Manias. Porque é o meu dia D (neste caso literalmente) ;) Podendo não parecer (!) fico meio tímido se me fazem ovações. Mas agora já não sou assim. Leiam umas linhas abaixo. Uma vez num campo de férias da Quimigal, escolheu-se aí um encontro de jovens de todo o Portugal. Os organizadores sabiam que eu fazia anos no domingo (foi de 6ª à noite até domingo e fizeram-se amizades), e apesar de saberem que eles sabiam, decidiram no almoço de despedida do domingo (foi 15 de Abril, pronto) ;) dizer no final qualquer coisa deste estilo: "Bem, hoje temos aqui um jovem que faz anos [éramos 150]". Comecei a ficar encolhido, o pessoal que estava na minha mesa (daquelas redondas tipo casamentos e baptizados) ouvia com naturalidade porque não sabia, e eu comecei uma conversa qualquer para lhes desviar as atenções do que estava a ser dito para o geral. Mas o inevitável aconteceu e uns minutos depois lá estava tudo a cantar o "parabéns a você"... (que pele de galinha) e eu meio aparvalhado, tipo, não olhem p'ra mim que não sou eu e a cantar e a bater palmas para desviar as atenções, até que alguns no final decidem pegar em mim ao colo (sim, é verdade) e atirar-me três vezes ao ar. (Convenhamos que também era mais levezinho)... ;) Jesus Christ! Foi trauma ;)


Eu sei que estas coisas não interessam aos outros (mas também tenho de fazer o meu apostolado de partilha para não dizerem que pouco falo de mim, eh eh), mas já antes eu era muito cioso do meu dia de anos. Costumava oferecer um postal, ou um texto muito pessoal onde me mostrava, aos amig@s mais intim@s, por correio. Sim, é verdade. E durou muitos anos. Hoje, que estou quase a fazer 25 [eh eh, já vão ver mais à frente a minha idade)] dou por mim a dar-me num blogue (modernices) sem ser exactamente "olhem parti uma unha" e receber 300 comentários por isso. Sabem que há enésimos blogues assim. Até acho giro, mas nem sempre. Se for continuado, não só se torna estranho quem escreveu como sobretudo quem comenta. Coisa diferente é falarmos dos nosso estados de espírito ou como correm os projectos ou a falta deles, como correu o dia etc. Os blogues têm essa função catártica para muita gente e é dos mais pessoais que gosto, o que não invalida outras temáticas.

Mas agora acho que gosto mais de comemorar a data de forma diferente. Aceitam-se inscrições para quem quiser passar um dia horrível com um lobinho que costuma falar muito quando os interlocutores são monossilábicos ou perderam a lingua, e costuma falar pouco quando se dá a situação contrária. Teriam por certa uma experiência traumática para contar no blogue, como tão bem fazem o Peter of Pan ou o Rafeiro Perfumado, que escrevem deliciosamente coisas sérias a brincar. Mas as inscrições depois terão de ser afuniladas até só haver uma pessoa, duas ou três. Sim, sou muito intimista.

Ok, deixando agora os meus minutos de fama, toda esta conversa para dizer que um site que partilho com vocês onde podem ver as vossas idades nos diferentes planetas do nossos sistema solar. Para terem uma ideia, este ano farei 186 anos (sim, 186) a 29 de Abril ( e não a 15, que é o dia) no planeta Mercúrio; 73 em Vénus (mas só em Outubro); 23 em Marte (já em Junho); 3 aninhos em Júpiter (mas em 2011), 1 ano em Saturno (mas em 2023), e ainda não fiz um ano pela idade terrestre em Urano, Neptuno e Plutão. Vejam também a vossa idade ;)

O desafio está lançado. Não se cortem ;) E colocarei aqui os links dos blogues que aceitarem. Com destaque. :)


Até já e obrigado.


***



Nota: para quem nao tenha passado por , edito de novo um anterior post.


Nos blogues, os seus autores partilham um pouco da sua vida. Enigmaticamente, anonimamente, falando de coisas comesinhas e importantes, mas sempre sem que tenhamos a password para aceder ao "real". Não é que seja necessario expor-nos, como quando se faz num diário íntimo, mas hoje os blogues são os antigos diários. Só alguns decifrarão muita coisa, mas porque não também deixar outra tanta de forma clara? Felizmente isso também acontece em muitos blogues onde os seus autores fazem perguntas muito simples e directas sobre o que achamos em relação à situaçao pessoal que colocam- e isso revela humildade - (sejamos quem for que estejamos a ler), e os comentários tornam-se diálogos em diferido. (...)


Gosto dos blogues em que tanto se fala da dor que foi aquele dia de solidão, como da euforia de estar com amigos, como de lançarem reptos a outros ou falarem de assuntos da actualidade, ou partilharem videos ou... Esses para mim, desculpem-me todos, são os mais completos. E nao estou a falar do meu que ainda é um bebé de quase 3 meses e a linha orientadora do meu blogue nao obedece necessariamente a um padrão. Isso é redutor. (...)

Este é, então, o meu repto. Que com um pouco de boa vontade (acho que nao é preciso coragem) todos punhamos num post, apenas a nossa foto que pode ficar ilustrada com um pensamento nosso ou de outrém, como fez o DoYou Believe In Angels. [um filme, uma gravação, uma voz...] Não porque o rosto seja feio ou bonito ou porque nao faziamos ideia de como era a pessoa, mas precisamente para nao se fazerem ideias e podermos "incorporar" no nosso padrão de visualização do blogue, não apenas o mundo interior da pessoa mas também o corpo, a cara que transporta na vida. Se alguém invocar ser feio, sem graça ou o que for, respondo que devemos gostar de nós nao gostando sempre de nós. Ou seja, nao basta aceitar o que se é, mas aprender a gostar do que se é. Da mesma maneira que deve haver uma gestão emocional, deve tambem existir uma gestão da nossa relação com o corpo. É que cada um de nós nao tem corpo. É corpo. Sem o corpo biológico ninguem pode ser feliz. E temos de aprender a viver com o corpo sem ser segundo a grelha da leitura estética do tempo em que vivemos. O corpo é outra linguagem; está sempre a falar. Também não é por acaso que somatizamos. Somos um todo. Por isso diria isto: nao ha corpo e alma. Há corpo animado. Não ha afecto sem corpo. Nem o corpo é algo para se comparar, porque o ideal de beleza depende da fase da vida e do nosso próprio padrão. (...)


Nós também somos rosto, e se por vezes partilhamos tanto indo ao fundo da alma, é estranho ser o anonimato o outro lado dessa revelação. Há casos e casos, claro. Fica o repto. Achei gira a ideia concretizada ali, no blogue, e fiquei inspirado para vos desafiar a fazer o mesmo. Para quê? Para consubstanciar melhor a partilha... :)

26.3.09

A SIDA E A IGREJA

Há coisas que importa reflectir. Sou a favor do preservativo, mas não da maneira como muitos são. A minha opinião foi transmitida e não vou voltar ao tema directamente.

O que me traz hoje à colação é a reflexão crítica destas duas citações que de seguida faço. Devemos sempre ver o outro lado da moeda, concordemos com o Papa, sejamos ateus, agnósticos ou crentes. Pessoalmente tenho sempre um grande distanciamento e atitude crítica em relação a tudo, Igreja incluída. Mas é esse mesmo distanciamento que me permite tomar posições individuais, próprias, sem deixar de tentar perceber e de conhecer e louvar, quando é o caso, sob pena de sermos os reaccionários oficiais da Nação sem conhecimento do muito que se faz, pegando nas pontas soltas do sensacionalismo e não falando de todo um vasto trabalho que está por trás. E como me move o sentido de justiça e não gosto de ver acossadas pessoas ou instituições sem lhe fazerem o retrato todo e não apenas o que interessa, deixo aqui estas reflexões. O tema podia ser a homossexualidade (que a Igreja compreende mas não aceita, o que acho um erro); a eutanásia (que da pano para mangas), as drogas, ou outro assunto sobre o qual eu pudesse ter uma posição indefinida (que, ao contrário de muitos, não sou sabedor de tudo e conhecedor com soluções infalíveis e dedos apontados).


Não. Tento ponderar, fazer uma interdisciplinaridade das varias áreas do conhecimento sem esquecer a ética e a moral (não somos meros seres instintivos... ou somos?) e a partir daí tentar ter opinião própria. E não apenas porque é giro malhar, sem mais quês, ainda que aqui e ali possa haver razão.


peço que nao me bombardeiem o blogue ;)


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"Na resposta a um jornalista sobre esta questão, Bento XVI responde nos seguintes termos "(…) não se pode solucionar este flagelo apenas com a distribuição de profilácticos: pelo contrário, existe o risco de aumentar o problema." Quem lide de perto com a sida sabe que é mesmo assim (veja-se o caso português em que apesar da distribuição gratuita de preservativos e da troca de seringas não melhora os seus indicadores). O combate a este flagelo passa hoje, graças ao progresso científico, por outras coisas, mais complexas, mais difíceis e mais caras e às quais os doentes africanos não têm acesso (nem muitos portugueses…). Tão-pouco o Papa foi aos Camarões recomendar a abstinência sexual como solução para a sida. Exortou sim à humanização das relações interpessoais em geral, e da sexualidade em particular.



Para além disto o Papa falou de tudo o que realmente interessa: a corrupção, o desperdício de recursos, o tribalismo, a lei do mais forte, a particular situação das mulheres, a fome, a doença, o imperativo da paz. Os milhões de africanos que caminharam ao encontro do Papa fizeram-no com o espírito de confiança que a Igreja cimentou nesses países onde está, não apenas na liturgia dos templos, mas no terreno, junto das populações, cuidando, tratando, acolhendo, provendo, como pode, à satisfação das suas necessidades mais básicas. Neste Continente que tantos dão de barato como "perdido", a Igreja desenvolve diariamente mil e uma acções junto daqueles que a geografia privou de toda a dignidade."

"A Igreja Católica é responsável por mais de um quarto das instituições ligadas ao tratamento dos doentes, em todo o mundo. Atribuindo a actual situação económica a um "défice de ética nas estruturas económicas", o Papa disse que é "aqui que a Igreja pode dar o seu contributo".


Em 2004, a Santa Sé apresentou a Fundação “O Bom Samaritano”, uma espécie de Fundo Global da Igreja Católica que tem como objectivo ajudar economicamente os doentes mais necessitados, de modo particular os contagiados pelo HIV. O esforço da Igreja Católica concentra-se na capacitação de profissionais da saúde, prevenção, cuidado, assistência e acompanhamento quer dos doentes quer dos seus familiares. Dados do ONUSIDA mostram que mais de um quarto de todas as instituições ligadas ao tratamento dos doentes de SIDA são iniciativa da Igreja Católica, sobretudo nos países mais pobres. Os religiosos e religiosas da Igreja Católica são responsáveis pelos cuidados e a assistência a 27% dos doentes de SIDA em todo o mundo,uma resposta que nem sempre é visível, obscurecida pela atenção quase exclusiva que se reservou à questão do preservativo. Os institutos religiosos estão empenhados em várias frentes:tratamento médico, prevenção geral, prevenção da transmissão mãe-filho, cuidados dos órfãos e das famílias atingidas, assistência espiritual, educação sexual e, por fim a pesquisa, em especial para se encontrar uma vacina contra a doença. A Igreja Católica está particularmente activa na África austral, onde a pandemia da SIDA alcançou a difusão de 30% na população entre 25 e40 anos e onde houve uma queda da expectativa de vida de 60 para 35anos.


DREAM: A SIDA apresenta-se em África associada a outros problemas: a pobreza, a desnutrição, a tuberculose, a malária, o escasso nível de educação sanitária, só para citar alguns exemplos. Extirpar a infecção por HIV deste contexto, não é possível. É necessária uma maior admissão deresponsabilidade: não só e não tanto em relação à doença, a SIDA, mas sobretudo, em relação ao sistema sanitário, o africano.


A luta contra a SIDA, nessa perspectiva, pode tornar-se no banco de prova de uma globalização mais responsável, mais humana, de um empenho em contracorrente em relação ao crescente desinteresse internacional para com a África. A Comunidade católica de Santo Egídio entendeu responder elaborando e promovendo o programa DREAM (Drug Resource Enhancement against AIDSand Malnutrition), contra a SIDA e a desnutrição. DREAM representa a realização de um sonho (significado da palavra em inglês), uma abordagem diferente à SIDA que unisse prevenção e terapia, uma abordagem diferente a todo o universo sanitário africano,sem as correntes do pessimismo e da resignação. Este programa de luta contra o HIV/SIDA em África permitiu assistir mais de 25 mil pacientes, para além de ter oferecido tratamento preventivo a mais de 20 mil adultos e crianças.Os 19 centros presentes em seis países africanos, incluindo Moçambiquee a Guiné-Bissau oferecem antiretrovirais, educação sanitária, testes de diagnóstico, suplementos nutricionais e o controlo e cura de infecções. Activo desde 2002, o DREAM (Drug Resource Enhancement against AIDS andMalnutrition) está também presente no Quénia, na Tanzânia, na Nigéria, na Guiné e no Malawi. O programa, totalmente gratuito, revelou-se um dos programas mais eficazes na prevenção e tratamento do HIV/SIDA nos países da África subsaariana.


97% das crianças que nasceram de mães seropositivas que beneficiaram do programa nasceram sãs e, depois de terem iniciado a terapia antiretroviral completa proposta por DREAM, mais de 90% dos adultos vivem bem e estão em condições de recomeçarem a trabalhar e asustentar a própria família.


Salvar da SIDA 800 crianças por dia é o objectivo da última campanha global lançada pela Caritas, intitulada “HAART” (Highly ActiveAnti-Retroviral Therapy – terapia antiretroviral altamente activa), promovendo um maior acesso a testes e tratamento do HIV para os menores. Com a campanha HAART (com um sonoridade semelhante à palavra coração -«heart» - em inglês), a organização católica para a solidariedade e a ajuda humanitária pede a governos e companhias farmacêuticas que desenvolvam tratamentos que podem salvar a vida de centenas de crianças, a cada dia que passa.

Em comunicado oficial, a Caritas recorda que as crianças nos países mais pobres não têm acesso a medicamentos pediátricos, que lhes poderiam permitir uma vida mais longa e saudável. Por outro lado, quando consegue ser testados, já é demasiado tarde, na maioria dos casos.A organização católica lembra que muitas das crianças que morrem diariamente nem sequer teriam sido afectadas pelo HIV se as suas mães tivessem sido correctamente tratadas durante a gravidez. A Caritas convida jovens de todo o mundo a unirem-se à campanha ,pressionando os governos e companhias farmacêuticas.


Francesca Merico, delegada da “Caritas Internationalis” junto da ONU,em Genebra, diz que “sem tratamento adequado, mais de um terço das crianças nascidas com HIV irão morrer antes do seu primeiro aniversário e metade delas antes dos dois anos de idade”.Esta responsável acusa as companhias farmacêuticas de não mostrarem interesse nos tratamentos antiretrovirais para crianças porque estes se destinam, sobretudo, “aos países pobres”. “Como é possível que o lucro se sobreponha às pessoas? Queremos que os líderes políticos digam às crianças do mundo que promoveram e respeitaram o seu direito à saúde”,

25.3.09

Star Wars... Ou nem tanto...



Falo muito que gosto da partilha e das fotos pessoais do quotidiano como vejo nalguns blogues, mas alguém me escreve para o mail a dizer que também coloque mais de mim. Bem, muitos dos meus posts são muito de mim. Não gosto muito de escrever por encomenda. O que me sai é sentido, mas não sou novelesco nem conseguiria elaborar um romance queirosiano ou qualquer coisa assim. Sabemos que tudo o que um escritor escreve tem sempre algo de si; não necessariamente muito. Mas TODOS têm sempre algo deles. Por mais ficcionada que seja a obra. No meu caso costumo ser mais visceral, mais vulcânico, mas intenso e devotado, mais espontâneo, whatever you wanna call... Porque sentido. Porque vivido. Ainda que em doses diferentes. Posso partir de uma ficção e colá-la a uma realidade ou o contrário. Posso estar a pedir socorro sem que o notem. Posso estar a dar força a outros estando eu a morrer. Mas tudo isso depende da sensibilidade de quem lê.

Voltando ao mail (volta e meia recebo mails, que respondo sempre, muitas vezes com temáticas inusitadas, que nada têm a ver com algum post em particular mas que levou quem viu o meu cantinho a escrever-me pelos mais variados motivos, e como sou humano e não um ser virtual atrás de um blogue, nada do que é humano reputo alheio a mim.


Assim, aqui ficam umas fotos de duas naves do Star Wars que vão saindo com uma periodicidade quinzenal, embora eu estivesse muito mais entusiasmado se a colecção fosse dos personagens da Guerra das Estrelas (Obi Wan, Luck Skywalker, Darth Vader, Princesa Leya, R2D2, C3PO, and so on, and so on...). Mais ou menos como aqueles de que tirei foto na exposição e postei aqui, mas como não se pode ter tudo fico-me pelas naves.


Vêem como se diz muito de nós a propósito de nada? ;)
Abraços, beijos, o que quiserem a rodos.
Porque o amor é universal.

E agora não digam que só escrevo textos profundos ;) O que não faltam nalguns posts são montagens em que até eu me farto de aparecer ;)


Tornemo-nos menos anónimos na fria web.


Até já.

24.3.09

DIA 28 DE MARÇO


Como a maioria já saberá (até porque agora também passa na televisão) este apagão realiza-se no próximo dia 28, sábado. Entre as 20.30h e as 21.30h vão ser desligados muitos dos interruptores de Casas, Monumentos e Empresas na cidade de Lisboa, que aderiu pela primeira vez, juntando-se a outras 930 cidades participantes neste evento.

Cristo-Rei - Ponte 25 de Abril - Torre de Belém - Mosteiro dos Jerónimos - Castelo de São Jorge - Padrão das Descobertas - Centro Cultural de Belém - Museu da Electricidade - Paços do Concelho . . . serão os pontos que ficarão às escuras em prol da campanha global que alerta para a luta contra as alterações climáticas. Nova Zelândia será o primeiro país a desligar os geradores, devido ao fuso horário diferente, que se vai estender por Paris, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Pequim... e por aí fora!

É um Orgulho Portugal aderir, como leio num blogue e subscrevo com inteira propriedade.

Neste video vemos um reveillon ao contrário: o momento em que cidades, monumentos... são desligados. Ora vejam...

Como diz um amigo netiano,

Hugs n' smiles :)

O Jardineiro


Correu lacrimejante. Só o vento nocturno lhe afagava o rosto. Mas porquê? Porque havia as coisas de ser assim? Sempre. Sempre. Sempre. E quando de repente, sem aviso prévio, encontrara materializada a alma num rosto e num ser, os dias brilharam e tudo parecia mentira. Mas não. Estava ali. De mãos dadas. De coração entregue. E fugiram para jardins que não supunham poder visitar. Pelo menos tão cedo. Conheceram cheiros e cores e aquela entrega que só a alma tem o privilégio de dar ou receber. Muitas vezes as duas coisas. Interrogações anacrónicas num painel de vida que subitamente se enchera como um aluvião de sentimentos. Em catadupa. Os contrastes mesquinhos da vida obstaculizavam mais tempo, maior serenidade, mas o essencial estava lá, botões cuja flor se adivinhava simples mas bela.

O tempo passou. Não muito. E uma entrega era paixão. Mas a outra devia ser amor. Tinha de ser amor. Pela primeira vez pensou realmente o que era o amor. O querer bem? O estar presente mesmo na ausência que tentavam encurtar? O deixar-se ir sem procurar mais nada nem ninguém, porque ali, mesmo ao lado, se encontrava materializada uma entrega mútua?

O tempo foi célere. Mas enganou. Um dia, muitos dias depois, os deuses colocaram a cidade à disposição dos dois. Aquela cidade que estava interditada por quilómetros de desejo e vontade de partilha, estava agora ali. Pronta a ser um palco continuado de um jardim cujo perfume se podia exalar pela atmosfera citadina, como um jardim botânico no meio da cidade, ou uma herdade feita de silêncio. E de luz. Pelo meio deste interregno, entre os interpolados encontros, uma mácula aparecera. Devagar, como se o lado oculto de uma personalidade ousasse ser mais ele. Reclamando para si razões que a partilha rejeitava. E mais razões. Tantas e tão cegas até partir o cristal da entrega, porque duvidosos perfumes se tinham instalado, qual flor que encapotadamente colorida faz adormecer quem a cheira.
De passo em passo, de razão em razão, a rosa necessitou de um jardineiro. Do mesmo, presumia-se. Mas cada vez mais o jardineiro reclamava razões que as rosas não entendem. Até que um dia, com o sopro do mar e da lua que em tempos fora madrinha, o jardineiro leu a cartilha de um botânico e quis ser como ele. Daqui colher flores. Dali saber-lhe os nomes. Mas cuidando em construir uma estufa. Segura. Inabalável. Uma questão de tempo.
Então a rosa sentiu-o. Tocou-lhe sorridente lembrando o colo que o jardineiro lhe dava. Mas ele recusou. Invocou razões. Sempre razões. Mas desta vez era diferente. Pediu-lhe se o acompanhava a uma exposição botânica. Seria apenas uma flor de experiência. Arrancar-lhe-ia apenas uma ou duas pétalas. E recoloca-la-ia no seu lugar. Um vaso. Modesto. Simples. Que antes fora um altar. A rosa não percebeu. Queria apenas sentir de novo o cuidado e o carinho. E quem sabe, pertencer-lhe sempre. Mas foi quando o jardineiro, de fito no mundo e na diversidade de espécies, deslumbrado com as coisas que o campo não oferecia, lhe disse que não. Não virás comigo, mas poderás estar sempre que quiseres. Sabes, é que encontrei outras flores. Mais fortes, capazes de serem transplantadas, e tu apenas me dás uma parte.
A rosa manteve a cor. Lembrou-se que havia ajudado o jardineiro a livrar-se dos espinhos da vida. Lembrou-se de como quando conhecera o jardineiro. Débil, vacilante, à beira de se atirar a um rio, desacreditando a existência das flores. Retirou-o pelas palavras e pela delicadeza da entrega. Noites, madrugas e tardes silentes. Calorosas. E ele parecera não apenas ter esquecido tudo isso como agora usa-lo contra ela. Mas não. Nunca nada é por mal.
Então a rosa esfumou-se por entre transeuntes, como se fosse uma flor desbaratada de um perfume que não guardou. O jardineiro optara por uma rosa da cidade, cores vibrantes, talvez cinzelada por tintas excêntricas, como as rosas azuis apenas porque dão mais cor.
Porque chora esta rosa? - perguntou alguém quando a viu num vaso de uma florista. E a florista respondeu: Ah, provavelmente é daquelas que não se adaptam a tudo. Temos de a deitar fora.
E jogada no canto das suas pétalas, confundiu-se com um lírio do campo. E aí ficou. Até o Sol amarelecer as suas folhas.

...Morrer,...

Morrer é amar até ao fim ...

23.3.09

Kidding :)

Fans anónimos ;)
A minha paixão pelo Star Wars
(depois do Space 1999) chega a tudo ;)

Autocarro fretado a promover este cantinho ;)


Promoção: para tod@s


A Brisa aconselha a visitar ;)



Como perder peso ;)



O ANCIÃO


Diz um conto que havia um ancião que passava os dias sentado junto ao poço na entrada da povoação. Um dia, chegou um rapaz e perguntou-lhe "Nunca estive por aqui; como são os habitantes desta cidade"? e o ancião respondeu-lhe: "Como são os habitantes da cidade de onde vens?". E o jovem respondeu: "Egoistas e maus, por isso fiquei feliz de ter saido de lá". E o ancião respondeu-lhe que os habitantes daquela cidade também eram assim.

Pouco depois chegou outro rapaz que perguntou ao ancião como eram as pessoas daquela cidade, e este devolveu a pergunta: "Como eram os da tua?", ao que o jovem respondeu: "Eram bons, generosos, hospitaleiros, honestos e trabalhadores. Tinha tão bons amigos que me custou muito separar-me deles". E o ancião respondeu-lhe: "Os habitantes desta cidade também são assim".

Um homem que estava por perto e que ouvira a conversa, perguntou: "Porque respondeste assim a estas duas pessoas?"

"Repare" - disse o ancião. "Cada pessoa é o que é o seu coração. Quem nada encontrou de bom no seu passado, também nao encontrará aqui. Ao contrário, aquele que tinha bons amigos na cidade, também os encontrará aqui".

As pessoas reflectem-se a si mesmas e só encontram o que esperam encontrar.

21.3.09

OS POETAS DE VERDADE

A propósito do dia de hoje - Dia Mundial da Poesia


Que estranhos seres são estes que vindo ao mundo e percepcionando nas entrelinhas, esfumam a sua existência numa vida que o não foi? Que seres humanos são estes, que engolindo forçadamente a solidão se enclausuram desterrados num mundo que não é deles? Que génese vivencial faz os poetas de verdade e não os institucionais? O que lhes faz correr nas veias o delírio do autêntico, a anarquia do social? E que pacóvios somos nós para lermos poesia como quem compra um romance? Não é verdade que o romance ficticia mundos e situações mas a poesia rasga o próprio sentir? Somos analfabetos dos alfabetos dos outros. E a coisa complica-se quando parece não haver correspondência entre signos que eventualmente nos pudessem aproximar dos demais. Um poeta é um louco, um suicida, um errante! Será? Pode ser uma xamã moderno, um feiticeiro antigo, um demiurgo!


Diz Brandhey que devemos aprender a guiar o nosso barco pelas estrelas e não pelas luzes dos barcos que passam. Talvez que os poetas já nasçam cegos às luzes dos barcos que passam, e por isso guiam o seu pelas estrelas, o que equivale a dizer que se demarcam do convencional, não porque pretendam uma ruptura, mas porque sentem assim. Tudo se torna tão insignificante para um poeta. Um poeta de verdade. Não um institucional. Não há padrões, presentes rígidos. Há futuros incertos, futuros passados, excessos do vazio, da incomunicabilidade e do sentir.


Escreve assim Agostinho Baptista:

“Envelheço. As minhas mãos levantam-se velozmente para os cálices, para as suas flores de envenenada magia à volta dos amigos. Os amigos que já não estão aqui, diante do mar, nesta tarde que passa. Recordar é morrer. Porque no rosto daqueles que já não vejo, nas sua canções desaparecidas, eu também desapareci”.

Eu não sou poeta, mas sei que os loucos é que mudam o mundo, cravam-lhe contornos como a chamar uma serenidade que para outros é loucura.

Eu não sou poeta, mas pairam sobre mim visões do mesmo mundo. E respeito. E intrigo-me, e atribuo à alma tamanha dimensão. Talvez seja isso. Os poetas são pessoas inacabadas porque lhes brilha muito o espírito. Mas metidos numa pele desconfortável, não sabem que o são. E desacreditam quase tudo. Porque a vida não o é, quando o mar é azul e outros o vêem cinzento. Quando não sabem que são já, eles mesmos, centelhas de eternidade.

“O que vejo já não se pode cantar. Espero que o vento passe... escuro, lento... então, entrarei nele, cintilante, leve... e desapareço” – diz Al Berto.

Ninguém me encomendou um epitáfio, mas a todos os poetas, os poetas de verdade e não os institucionais, o bom Deus saberá acolher no regaço da incomensurabilidade.

20.3.09

A VISITA DO PRINCIPEZINHO


Sentei-me num pequeno recanto da noite olhando as estrelas sem pensar em nada. Hipnotizam-me naquela quietude. Penso em tudo. Fervilho de ideias. Mesmo sabendo que nunca as porei em prática. Não sou tão forte quanto me julgam.Lembro-me de alguns gestos insignificantes na minha vida paciente e, sorrio-lhes, como se vivesse da Esperança ou de uma fatal ingenuidade.

- Os homens não entendem o poder da simplicidade; só cuidam da ambição...
Apressei-me a levantar-me e dirigi-me na direcção da voz .

- Foi no verão – prosseguiu a voz débil e doce. Foi no verão que caí aqui, já há muito tempo, e passei um ano entre vós. Depois recolhi ao meu asteróide para onde levei a minha ovelha e a minha rosa. Foi também no verão que um dia o meu amigo que me desenhou a caixa para a ovelha, deixou o corpo e passou junto de mim. Sabes, as crianças que encontrei estavam todas muito diferentes, e os adultos que vi eram ainda mais estranhos do que as historias do Antoine. O mais triste é que parece que é tudo verdade. Acho que o meu amigo Antoine vai ficar contente quando souber que o pôr do sol lá no meu planeta pequenino, vale mais do que os interesses dos homens.

- Não, eu não sou o Antoine, não sou tão inteligente, nem nunca te teria conseguido ajudar como ele o fez. Ele era perspicaz, e mesmo estando perdido, era um génio. E tu... Ah, de ti não se fala. A tua sabedoria, a tua simplicidade, o teu próprio mistério...

- Os homens vão entendendo o importante com as experiências do mal – volveu o Principezinho. Faz apenas parte do processo. Mas quando perceberem o valor de se estar preso a alguém, compreenderão também melhor aquilo a que chamas mistério. Até lá, só precisam de cair umas quantas vezes, talvez muitas, porque são muito orgulhosos e teimosos, mesmo os que dizem que não, e nessa altura, mais do que a minha ovelha ou a minha frágil rosa, será a beleza do amor eterno a tomar o seu lugar.

- Ah, Principezinho, mas o teu amigo já não está cá... – disse-lhe eu tão triste, que quase lhe pedi para me levar com ele. Mas ele brincou com os dedos pequeninos, sorriu-me quase traquinas, e disse como que a repreender-me:

- Daniel, eu deixei o meu corpo porque era muito pesado para um planeta tão pequeno. O Antoine de Saint Exupery fez a mesma viagem... Só uns instantes... e já está. Novas estrelas tomam conta de nós, e então seremos tudo aquilo a que estávamos destinados... ...Olha, está a amanhecer...Estendeu-me a mão e ficámos sintonizados num silêncio de paz.

Toda minha ansiedade desaparecera, como quem relativiza outros acontecimentos depois de perceber o que é realmente importante, e as suas mãos esfumavam-se das minhas, toscas e cansadas, à medida que o alvorecer se tornava mais forte. Alguns frémitos ao longe certificavam o raiar do dia, e as estrelas que tinham permanecido fiéis ao encontro, transportavam o Principezinho numa música que só o silencio conhece.

Da próxima vez, se o encontrar, vou-lhe pedir como se arranja força para viver num mundo que não é nosso.