30.4.09

FIZ EM TI A MINHA VIDA

Até onde devemos ir na nossa confiança, até que limite devemos dar, devemos ou não medir a nossa generosidade? Entre o que damos e o que guardamos não sempre a procura de um equilíbrio que permita uma saída airosa, caso nos tenhamos enganado? É assim a historia de cada um: aprender o que significa confiar e amar, descobrir como a generosidade e a entrega vai ultrapassando os limites que naturalmente colocamos, conhecer o outro com a certeza de que o amor dado não é desperdiçado.

Em caso de dúvida, mais felicidade em dar do que em guardar. Entregamo-nos na oferta que fazemos, vencemos o medo de vir a faltar, e ousamos uma radical confiança. Há momentos assim, de uma dádiva sem contagem, a uma insegurança confiante, a um voo de asas que não tínhamos. E isto tanto é válido na amizade como no amor.

Da viúva de Saint Exupery, o autor de "O Principezinho", Consuelo, guardei a oração que ele escreveu para ela dizer todas as noites.


"Senhor,
Não vos canseis muito. Não vale a pena. Fazei-me simplesmente como sou. Pareço vaidosa nas coisas pequenas mas sou humilde nas grandes. Pareço egoísta nas coisas pequenas, mas nas grandes sou capaz de dar tudo, até a vida. Pareço muitas vezes impura nas coisas pequenas, mas sou feliz na pureza.

Senhor,
Faze-me sempre semelhante àquela que o meu marido sabe ler em mim.
Senhor, salva o meu marido, pois ele ama-me verdadeiramente e eu ficaria muito órfã sem ele; mas fazei, Senhor, que ele morra antes de mim, porque ele tem aquele ar de muito sólido mas sente uma grande angústia quando não me ouve fazer barulho em casa.

Senhor,
Poupai-o principalmente à angústia. Fazei que eu faça sempre barulho em casa, ainda que de vez em quando tenha de partir alguma coisa. Ajudai-me a ser fiel e a não ver os que ele despreza ou que o detestam. Isso causa-lhe infelicidade, porque ele fez em mim a sua vida. Protegei, Senhor, a nossa casa.

Vossa Consuelo.

Amén".


Talvez eu vos pareça pela escrita uma pessoa forte, um rochedo inabalável. Nada de mais errado. Quantos não se vangloriam em afiar o dente, a ignorar-nos ou a cantar vitórias? Limito-me a chorar palavras, enquanto outros as vomitam.

Quis partilhar esta lição de amor convosco. Ela foi a sua rosa e a sua raposa.


28.4.09

Falar-te-ei de amor até estares mal...

Hoje queria escrever só duas palavras sobre a Amizade e o Amor que tantas vezes se entrosam. Muitas vezes não é o que acontece mas a forma como lidamos com o que acontece que faz toda a diferença. Supunhamos alguém que faz inúmeros disparates na sua relação de amizade e/ou amor. Pode ser que magoe o outro, mas tenho para mim que não é tanto o acto em si, mas a forma como lidou com ele. Se em simultâneo com o que quer que tenha feito não der quaisquer sinais de receptividade, fechando-se automaticamente numa certeza ou razão, então sim, o acto torna-se duplamente grave. Porque a forma e a substância ficam igualmente ditadoras. Ou seja, se a substância é a causa primeira (magoar o outro, mal entendido, orgulho, teimosia, diferença de carácter, mentira... acrescentem o que quiserem...), a forma pode atenuar o agravo (pela receptividade, por sinais), que de alguma forma levarão de novo ao abraço e à comunhão, mesmo que com diferenças na maneira de ser e de pensar, dado que ser amigo, não é partilhar necessariamente dos mesmos ideais, e seguir apenas os mesmos caminhos. É chamarmos o outro à colação, como dizia num outro post, e se ele se mantiver fechado num egoísmo infantil do qual talvez não se tenha ainda apercebido (o egoísmo e a certeza da nossa pseudo-infalibilidade cegam-nos à evidência), então aí a escolha será do outro, se quer ouvir o que não gosta ou apenas ouvir o que quer. E a comparação arrasta consigo o juízo, e quando somos nós o juiz, a sentença tem de ser uma defesa. O julgar torna-se quase inevitável e o juízo destrói uma relação (seja ela que tipo de relação for).

Uma coisa é fazermos algo de censurável, e outra, muito diferente, é que essa pessoa seja em si mesma censurável como pessoa. Uma andorinha não faz o verão e uma fraqueza não faz o homem fraco. O engano de sempre é passar da condenação da acção à condenação da pessoa. Posso continuar a gostar de uma pessoa, apesar de não gostar de algumas das coisas que faz. O importante é não generalizar, não estabelecer categorias. Isso é julgar a pessoa antes que ela seja julgada. As etiquetas falam. As fórmulas convencem. Os títulos ofuscam. Os que temos como referência, são também, afinal, falíveis e errantes. O que ouvimos dizer e tomamos como certo, turva-nos a visão da justiça, e é o pior juízo porque não tem a aparência de o ser.

A democracia não funciona nos sentimentos. Esforçar-se em ter por todos o mesmo afecto, rapidamente iria degenerar em ter por todos um afecto mínimo. Não nos é facil manifestar o amor que temos uns para com os outros. Desconfiamos das palavras, menosprezamos os sentimentos, fugimos ao sentimentalismo. O amor tem de ser efectivo e prático. Obras são amores e não boas razões. Se alguma coisa que possamos fazer, -lo-emos de todo o coração, mas se repararem, acabamos por não fazer nada pelos amigos. O que é que podemos fazer por eles? Claro que faremos todos os favores e todos os recados que nos peçam para fazer quando se oferecer a ocasião, mas esta poucas vezes se oferece efectivamente. O facto é que na maior parte dos dias e das horas não nada que possamos "fazer" pelo amigo.

A insegurança vem da solidão, da falta de afecto e de apoio. Se deixamos o amor só para as "obras", a amizade arrefece depressa.

Até já!


(Cabe-me um particular obrigado em relação aos comentários que deixaram no meu último post, independentemente de concordar ou não com eles. A todos, muito, muito obrigado. Regra geral, como ja disse tanta vez, não costumo comentar o que me escrevem, mas tal como digo, leio cada e-mail, cada comentário, como se fosse o único).


Nota: Acabo de ler o último comentário publicado no anterior post, que termina assim: "acho louváveis os constantes desafios que colocas aos teus leitores. Assim como, o teu 'projecto' de tornar a blogosfera mais humana. (se é que me permites a fazer tal síntese :)) Isso transparece um pouco da tua própria Humanidade e forma de ser. Coisa que, olhando simplesmente para a tua fotografia, para o teu rosto, eu nunca conseguiria aferir". Nem de propósito, Luis. Também sempre tive a sensação de que me devem olhar como um "professor doutor" de nariz emproado. Não sei porquê. E se retiro o teu comentario que acabo de ler, é porque enfatiza o que digo neste, embora numa perspectiva diferente.

Vêem como um simples rosto nos pode dar impressões contrárias do que somos? Imaginem agora o resto que falo neste post. Não disse já que era um lobinho? Sou demasiado frágil, mas precisamente por isso, as defesas são maiores e, talvez por isso, o "ar" o que transparece do proprio rosto represente o que nao sou... De qualquer forma também pensava que tinha um ar terno, lol... Chuiff...
Bem, até já outra vez ;) eh eh
Daniel (Lobinho)

26.4.09

Daqui e dali =;)

Arte by Pinto da Costa


Amig@s, não sabem o quão contente fico quando recebo elogios (quem não fica) embora não dispense a verticalidade nos valores. Um desses elogios, para além de falar o que lhe aprouve - e seria imodéstia postar aqui -, e de me sensibilizar a nível pessoal, dizia que tinha explorado melhor o blogue e chegara à conclusão que afinal eu não era tão formal e sério quanto julgava. Claro que não. Uso fato e gravata assim como t-shirt e ténis em quase todos os momentos em que estou com as pessoas. Falo metaforicamente. O Homem é um todo, e não somos só pensamento e espírito; somos também corpo e acto. Daí eu continuamente lembrar que postem fotos e pequenos vídeos, whatever, como muita vez fiz. A Humildade, a Simplicidade, a Alegria, a Sensibilidade e a Inteligência, quando conjugadas, são características que me cativam e que mais aprecio nas pessoas. E de minuto em minuto, de blogue em blogue, de "vida em vida", caminhamos na realização plena do ser humano, porque somos todos desconhecidos até nos tornarmos amigos.

Tenho lido blogues que me deixam sem comentar, tal o humanismo, o testemunho, a experiência de vida. Coisas poucas, de momentos, de dias, de passado, em breves linhas ou noutros textos mais completos, mas ali estão pessoas expostas, despidas de si. E apesar de não terem fotos (o que não é inocente, neste caso, mas porque não?) o facto é que se revelam sem ser com pseudónimos, avatares ou nicks, tendo muitos desses blogues nome e localidade. Mas independentemente disso e com todo o respeito por quem não o faz, é bonito saber que nesta galáxia virtual, existem sóis e estrelas que representam bem a Pessoa Humana (costuma dizer-se assim, não é pleonasmo, lol) e me deixam, talvez não mais pequeno, mas pelo menos não tão único (mas nem por isso melhor) quanto por vezes possa julgar ser, acompanhados como estamos, mais do que julgamos, nesta maravilhosa estrada da Vida, com tudo o que tem de sinuoso e de belo.

Deixo-vos o quadro de arte e esta piada abaixo, quer a conheçam ou não, anódina e bem disposta, e quero aproveitar para agradecer a simpatia, amizade e cordialidade de quem me escreve e visita. Leio cada linha de cada comentário como se fosse a única pessoa na blogosfera. (O mesmo para os e.mails, claro, embora sejam a excepção).

Não vale a pena fecharmo-nos em gaiolas de certezas absolutas, orgulhos desmedidos ou falsas modéstias, quando temos uma vida por viver. Por mim, é o que tento, e o que aprendo (também) aqui.

Abraços e beijinhos a rodos e a todos ;) que sabem que não tenho quaisquer pruridos nisso. Não rapazes e raparigas. Há pessoas. E devemos dar gratuitamente o que gratuitamente recebemos. E agora vamos à piada para isto não ficar muito insosso nem só com os morcegos pendurados lá em cima ;)

Até já. E não desistam. De mim. De vocês. De se colocarem em cima das mesas como no final do Dead Poets Society, (as revoluções começam por dentro) ainda que sacrifiquem amizades ou amiguismos. De lutar pela dignidade do ser humano, mesmo nos aspectos mais desonrados. Mas também não esqueçam que só quem é interiormente livre sabe perdoar, e que só quem é interiormente livre saber pedir perdão. O resto é pó e cinza no tempo de vida que temos.

Boa Semana a tod@s :=)

Daniel (Lobinho)

Nota: É verdade, para quem me pergunta o porquê de Lobinho, expliquei aqui. Além do mais é uma palavra doce, e eu julgo-me assim. Pensem o que quiserem porque nao ha sexo nos sentimentos. E que houvesse... ;)




****



Um avião está a caminho de Toronto, quando uma loura, na classe económica, levanta-se, caminha para a primeira classe e senta-se ali. A hospedeira pede para ver o passaporte e diz para a loura que pagou em classe económica e que devia sentar-se no fundo. A loura responde: - Sou loura, sou bonita, vou para Toronto e vou ficar aqui mesmo. A hospedeira vai até à cabine e fala ao piloto e co-piloto que tem uma loira sentada na primeira classe, que deveria estar na classe económica, e não quer voltar para o seu lugar. O co-piloto dirige-se à loura e tenta explicar que ela apenas pagou por classe económica, e que deve sentar-se no seu lugar. A loura responde:- Sou loura, sou bonita, vou para Toronto e vou ficar bem aqui. O co-piloto diz ao piloto que provavelmente deveriam ter a polícia à espera quando aterrassem para prender esta mulher. O piloto diz: - Você disse que ela é loura? Eu vou falar com ela, sou casado com uma loura e falo 'loirês'. Dirige-se à loura e diz-lhe qualquer coisa ao ouvido. Ela diz:- Oh, peço desculpa. Levanta-se e vai para o seu lugar na classe económica. A hospedeira e o co-piloto estão boquiabertos, e perguntam-lhe o que é que ele disse para a fazer mudar de ideias. Ele responde:- É simples. Disse-lhe: "a primeira classe não vai para Toronto..."


24.4.09

O TEMPO E A VIDA


O tempo não marca a vida. Mesmo quando não somos nada. Mesmo quando não queremos ser nada. Mesmo quando aspiramos a ser tudo. O tempo é um respeitável senhor que não devemos subestimar, mas não é ele que marca as contrariedades, que nos troca as voltas, que nos faz pensar nos porquês!

A vida sim! Comanda os nossos destinos, prega-nos partidas, sorri-nos quando menos pensamos, enxovalha-nos, protege-nos, obriga-nos a crescer, sempre mascarada, sempre metida nos sete véus ainda que não dance. E usurpa-nos, e embala-nos, e brinca com o mais sagrado que temos em nós! E acorrenta-nos, prega-nos sustos, faz-nos acordar de repente para um mundo maravilhoso! Renova-nos, delicia-nos, defronta-nos, faz-nos renascer.

Por isso o tempo não marca a vida, as nossas aventuras, o nosso aferrolhar ou a nossa dádiva, mas baliza fronteiras, estabelece limites, e é desta forma que é um senhor respeitável que não devemos subestimar. Ainda assim, somos carne mas também somos espírito. Somos frágeis mas também somos fortes. Somos humanos, mas também somos certeza. E se muitos nos queixamos da vida, também ela espera mais de nós. Se nós a aturamos, também ela nos atura! Espera que não sejamos tão mesquinhos e rotineiros, lutando por uma côdea de peixe como fazem as gaivotas. De não nos preocuparmos tanto que, quando damos por nós temos pensado mais do que vivido. E se a morte nos espreita já naquela esquina? Que vã glória, afinal. Que violenta esperança irrealizada. Que sentir fracassado. Que importa tudo o resto se a vida não tem limites, se o viver não acaba aqui? Mas então se não acaba aqui, o que fazer afinal? Muitos respiram um éter social e nem se apercebem disso. É como eu dizia no outro post: acostumamo-nos.

Mas porque viver é algo mais do que estar vivo, não importa tanto como é a vida depois da morte, mas o que fazemos durante ela...

23.4.09

HUMOR E OUTRAS IMAGENS ;)

Este é um prémio que acabo de receber da Storyteller. Fiquei francamente surpreso, agradeci-lhe e publico, para não acontecer com os outros prémios que nunca postava, mas que coloquei sempre aqui na barra ao lado, no final, como ainda o faço e onde agora coloco, grato, este. E é um selo bem bonito. Tal como disse à Storyteller no post de agradecimento, não precisamos ser expoentes máximos seja do que for para receber um prémio que nos anima. E embora diga que a faço pensar e por isso me ofereceu o prémio, quem não gosta de mimos? Eu confesso que gosto. E não digo "oh, não, mais um prémio"... São manifestações de amizade, que, pelo menos a mim, me sabem bem :=) Dedico-o a todos vocês que me lêem. E vou pôr no cantinho dos prémios aqui ao lado. E agora, aproveitando este post, coloco umas parvoeiras que, apesar de pugnar por um forte humanismo, quem me conhece sabe pessoalmente, sabe que sou himalaias de divertido, eh eh, e sou um amante nato do riso e das imitações ;) (embora não transpareça no blogue, mas já tanta coisa normal do dia a dia).
Até já.




Alugo para o verão ;)

É o meu próximo PC. Sai caro porque cada vez que houver problemas, lá vai o "Self Destruct" mas preservo a minha saúde mental... e é por isso que vou alugar caro o chapéu de cima ;)


Cada um guerreia com o que pode ;)


A minha sempre devoção ao Star Wars,
aqui em versão pop ;)

Não sei tocar. Mas canto.Believe me.


Em incentivo a quem não escreve comentários e/ou para o mail
e em homenagem aos que já o fazem.

É um free pass para concertos ;)
Apenas válido on-line mas não se pode ter tudo ;)


church street / gay street (lol)

Qualquer dia gravo uma frase ou um poema.
E vocês? Para quando fotos, gravações, filmes?

publicidade levada à letra ;)


versão pop'arte ;)

Ele há coisas ;)

Versão moderna que estar ali sempre, cansa.
Sempre se distrai.

Piano high-tech. ;)


O grande Darth Vader lol


Descobri isto do Leonardo da Vinci.
Era bem avançado à época, não? ;)

Se ela usa, usemos nós ;)

;)

Pelos menos as cenouras não devem ser tão letais ;)

mais pop'arte ;)


Afinal era Mona Lisa interpretada por Sharon Stone.

Mais descobertas na pintura renascentista.

idem looool

Foi só para a cerimónia ;)


A seguir colocava umas montagens minhas, mas ja coloquei muitas e fotografias também, e ainda vou vendo pouco nos blogues. Go ahead. Partilhem. Há alguns que já o vão fazendo. Com filminhos e fotos. Mas são muito poucos. Espero que tenham gostado de um post mais descomprimido ;) É também uma maneira de colocar um sorriso nas pessoas de alguns blogues que se mostram directa ou indirectamente em baixo. Obrigado por me lerem, visitarem, escreverem, comentarem. Abraços e beijinhos a tod@s.
Até já.

22.4.09

ACOSTUMAMO-NOS


Acostumamo-nos. Mas não devíamos. Acostumamo-nos a morar nas nossas razões sem janelas ao redor. Como quem mora num apartamento dos fundos que não tem vista. E como não tem uma vista, acostumamo-nos a não olhar para fora. E porque não olhamos para fora, acostumamo-nos a não abrir as cortinas. E como não abrimos as cortinas, acostumamo-nos a acender mais cedo a luz. E, à medida que nos acostumamos, esquecemo-nos do sol, do ar, da imensidão.

Acostumamo-nos a acordar sobressaltados porque está na hora. A tomar café a correr porque estamos atrasados. A comer qualquer coisa rápido porque não dá para almoçar. A deitar-nos cedo e dormirmos como se não o fizéssemos há muito, sem ter vivido o dia.

Acostumamo-nos a abrir o jornal e a ler sobre guerras. E aceitando a guerra, aceitamos os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceitamos não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitamos ler todos os dias sobre guerras e números.

Acostumamo-nos a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagaremos mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar mais pelas coisas que, afinal, não precisamos. Quanto vale um nascer do sol? Um estar com. Um darmos uma folga a nós mesmos?

Acostumamo-nos a andar nas ruas e a ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e ver os anúncios. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. Mas esquecemos por defeito o transeunte, o colega, a amigo, o familiar, o anónimo.

Acostumamo-nos à poluição, às salas fechadas de ar condicionado. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. À coisificação do outro.

Acostumamo-nos a não ouvir pássaros, a esquecer o galo da madrugada, a dizer "olá" e "adeus" como quem carrega em botões on/off, a ouvir dizer mal de tudo, aos compadrios. Acostumamo-nos a não arejar o espírito. A pensar que somos eternos e absolutos. Sem inerrância.

Acostumamo-nos a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai-se afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Até acharmos tudo normal e nada nos pesar na consciência.

E com isto acostumamo-nos a poupar a vida, que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

21.4.09

PROCURO-TE


A Lua já vai longe.
O Sol já se ergue para lá do Mar.

Procuro-te.

Encontro-te em todo o lado.
Mas não te vejo.


20.4.09

HOJE FALEI DE MIM


Juro que me inibo um pouco quando recebo prémios (pode não parecer mas sou um pouco retraído nestas coisas e/ou quando me fazem elogios), e por isso apenas os coloco na barra lateral e agradeço sem fazer um post sobre eles, mas desta vez vou então seguir as regras e colocar o prémio que recebi em simultâneo da Myosotis, do Rabiscos e Safanões e da mf (o pequeno ouriço) bem como do Minha Literatura Agora que mais uma vez me presenteia. Também recebi um desafio da mf mas que no fundo é dirigido a quem quiser pegar nele, por isso vão até lá e aceitem o desafio. São daquelas coisas que dão a conhecer um pouco de nós (ou não) mas apenas na forma. Eu fá-lo-ei noutro dia. Obrigado pequeno ouriço.
Era suposto repassá-los, mas tal como já referi aqui, ofereço-os a todos quantos me seguem, ou apenas passaram por aqui. Até porque tenho o meu próprio selo/prémio como queiram chamar, que basta copiá-lo e colocá-lo nas vossas páginas. Mas como nunca passei os outros prémios a ninguém, façam o favor de começar por este que hoje recebo,e copiem todos os selos que recebi, dado que todos me foram oferecidos mas não os costumava postar. Já sabem: barra lateral direita no final. TODOS ELES. São windos ;) Para quem não tinha, agora é o que não vai faltar :) Entrego-os com atraso, mas pronto. Entrego, é o que interessa.

Nesta altura, ser-me-ia difícil elencar blogues: não seriam todos, confesso, [o que é próprio da natureza humana criarmos maior empatias com uns do que com outros independentemente do motivo que nem por vezes nós sabemos], mas quase todos. E eu gosto mais de dar do que de receber, embora, confesse, o meu primeiro premiozinho me tivesse sabido tãaao bem, e alguns (poucos) desafios que tive mas que agradeci, respondi e criei um revival dessas coisas, para mim novas, e soube-me tão bem o meu primeiro premiozinho, eu não conhecia ninguém nesta galáxia da interactividade blogosferiana, que me senti reconfortado como uma criança sorridente e completamente lambuzada a comer um belo pedaço de chocolate. Por isso, quem só me lê agora, embora agradecendo em particular, mais uma vez à Myosotis, ao Rabiscos e Safanões, ao Minha Literatura Agora e à mf, faça o favor de me honrar (sim é a mim que honram) em levar o meu selo para os vossos blogues.

Aproveito para responder a alguns mails que de quando em vez recebo, dado que a temática é mais ou menos geral. Tenho um enorme sentido de justiça, e isso parecerá estranho a quem me conhece, porque quando se trata de uma questão de justiça, tout-court, (pode ser um acontecimento social, por ex.) eu simplesmente saio de mim e pontifico-me na defesa do que considero ser o mínimo que posso fazer em defesa daquilo que seja elementar e básico.

Tal não torna a minha opinião uma verdade absoluta, como escrevi num post mais atrás, mas faz-me defender daquele núcleo base de princípios morais e humanos que supostamente não carecem de argumentação por todos comungarem deles. Nesse sentido, torno-me irascível na defesa do respeito de cada um, e não me importo de perder amizades em prol desse mesmo sentido de justiça. Dizermos apenas o que o outro quer ouvir não é ser amigo. Amigo também diz educadamente o que não queremos ouvir, no sentido de nos ajudar a crescer. Se depois muda, amua, ou nos declara persona non grata, é com ele. Mas a nossa parte ficou feita. Por outro lado, sou imensamente frágil e vulnerável. Sim, sou honesto, sou humilde, não me considero superior a ninguém, penso ser humilde demais (esqueçamos a humildade na defesa dos direitos porque aí tem de haver firmeza), e acredito que também me subvalorizo. Já agora que tanto iam pressionando para falar mais de mim e menos abstractamente, detesto vitimizações e choros e lamentos, não acredito no destino (somos nós que o fazemos) embora acredite em Deus, ou se preferirem, na definição de Shakespeare para os pretensos sábios (ou os doutos ignorantes, no dizer de Sócrates) , onde refere que há mais coisas entre o céu e a terra do que na nossa filosofia. Não nos esgotamos em nós mesmos. Isso é soberba intelectual pura. E sim, sou terno e meigo e fofo -eh eh- (lá vem a explicação do nick Lobinho também já feita mais atrás) e conheço as minhas virtudes, potencialidades e também as minhas limitações. Mas também me irritam aquelas pessoas que pareceram feitas sob encomenda, ou seja, parece terem vindo ao mundo para dizerem mal de tudo. Não há nada, mas literalmente nada que esteja bem, que se aproveite. Tudo é mau. E não me refiro à política, mas ao geral. Sou apreciador do riso inteligente e adoro rir, e muito mais ainda aquelas ironias bem feitas a la gato fedorento [ embora tantos bloguistas o consigam ainda fazer melhor, sobretudo aqueles que têm páginas muito próprias e não só ], que criticam de forma simultaneamente séria e lúdica, mas sem ser com o mesmo barro de quem critica tudo com ar solene. Estes últimos, que são reaccionários por natureza, que estão sempre a dizer mal de tudo, em que nada está bem, em que tudo se resolve a ferro e fogo ou sem sequer pensarem um pouco antes de mais uma vez afiarem a lingua e o pensamento sem cuidarem de ver mais além, devem ser pessoas muito importantes, muito auto-suficientes, tão certas nas opiniões que mal se dão ao trabalho de pensar que podem estar errados. A estas pessoas assim, sempre a dizerem mal de tudo, francamente irrita-me. Caramba, algo de bom -de haver na sociedade, nas pessoas e no mundo em que vivemos, com tudo que de mau e grandioso.

Sim. Sou um daqueles ingénuos que o mundo ainda tem, mas nem por isso abdico de crescer sem me adulterar, como referi pelos meus anos, tendo na defesa da dignidade humana o meu ponto mais alto, ainda que possa vir a ser ostracizado. E são estas duas naturezas cruelmente homogeneizadas no meu plasma vivencial, que fazem de mim um lobinho, um não crítico de bota abaixo, um ser vulnerável, mas igualmente um efectivo paladino do sentido da Justiça, Dignidade e Respeito do e pelo ser humano.

Não ganhei ainda anti-corpos contra pessoas que subitamente se revelam outras, e isso faz-me saltar a tampa julgando que os outros vão entender que se calhar não estavam tão certos quanto isso, mesmo que não concordem com tudo. E é quando me apercebo que faltam os ingredientes que mais aprecio no ser humano: a simplicidade sem ser simplório ou simplista; a Humildade (oh a Humildade..., quase num baú da Historia), e a sensibilidade para as situações e as pessoas. A inteligência por si só, é um intelecto à deriva. Mas nem tudo o que é lógico é racional. Por isso está hoje na mesa a Inteligência Emocional e não apenas a cognitiva. Se não bebermos dos valores e princípios humanos (e reparem que é também por isso que estamos na crise internacional que estamos), seremos fracos humanos com orgulho topo de gama. E muitos ainda se gabam disso.

Respeito com inteira propriedade (ainda que possa não concordar aqui ou ali) quem use brincos e piercings e tatuagens e lantejoulas e faça cavalinhos com motas, ou ande de skate em corrimões públicos, ou abane o capacete em cima de colunas de discotecas até quase todos pararem (eu já o fiz de tal forma estava embrenhado na música), ou use calças rotas ou óculos de moda com um preço exorbitante, ou uma t-shirt que vale por um fato (não, eu não uso fatos), ou veja a noiva em cima de uma mota em vez de um carro com latas atrás, ou corra na rua sozinho com lágrimas nos olhos, ou simplesmente expluda numa situação mais crítica e mande o outro àquele lado, tudo isso é intrínseco a cada momento do ser humano que ousa, embora não por hábito. Sim, respeito tudo o que possa parecer estranho com inteira propriedade. É por isso que me debato contra os preconceitos. Não aceito a discriminação seja do que ou de quem for. Porque é pobre, porque pertence a uma seita que nem religião é, porque é esotérico, porque é ultra conservador ou ultraliberal, porque é chato ou teimoso, porque é fofinho demais, ou porque gosta de coisas estranhas (como aquele futebolista uns anos que se viu a braços com a confissão da mulher ao dizer que ele gostava de usar a lingerie dela), ou as pessoas de etnias várias (o que tem ser-se negro, amarelo, branco, cigano....?), ou os Amish (aquele povo muito peculiar), ou as pessoas homossexuais masculinas e femininas (mas escolheram ser assim?). Tudo respeito com a máxima verdade. O que não respeito e aqui sim, não admito e por isso me insurjo, é contra os conluios, os amiguismos, [ talvez por isso costume dizer que se fosse político, seria um deputado independente ], o ouvir uma coisa e tomá-la como verdadeira só porque quem no-la disse é amigo (e será? com duvidosa formação humana?), enfim, a chamada difamação tácita que, ainda por cima, o outro pode nunca chegar a saber de que foi alvo. Estes são os anticorpos que ainda não tenho. E por isso não me justifico. Tento violentar a verdade, como um parto necessário a alguém que quer fazer de uma realidade um nado-morto, quando afinal nasceu bem. Isso, meus amigos, mexe comigo até ao tutano, porque para finalizar este longuíssimo post que nem eu sabia que ia escrever (a culpa é dos prémios que recebi e de alguns e-mails atrasados, embora poucos), o sentido de justiça e do respeito pelo outro, merece sempre que ouçamos todas as partes, todas as versões, o que não significa que por isso tenhamos de decidir seja o que for, mas pela mesma ordem de razão, também não devemos correr o risco de abraçarmos uns enquanto apunhalamos outros. Sejamos honestos na nossa mediocridade de nos pensarmos bons.

Alguém tem um iogurte ou um docinho cremoso que daqui a pouco estou a comer o teclado só para não parar a escrita? ;) É que vai tudo por atacado.

Na barra do lado, deixo sempre uns dias a votação da pergunta anterior, e depois apago para nova votação da semana. À pergunta sobre quem eram as entrevistadoras favoritas, entre Constança Cunha e Sá, Fátima Campos Ferreira e Judite de Sousa, ganhou esta última com uma margem relativamente grande. Na semana anterior, de qual o melhor comentador, entre Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Sousa Tavares e Vasco Pulido Valente, ganhou Marcelo Rebelo de Sousa com a mesma folga com que esta semana ganhou Judite.

Beijinhos e abraços a rodos a todos, (levem o que quiserem, não tenho pruridos) e muito francamente, este blogue não faria sentido sem vocês. Move-me a partilha. E por isso vos estou sempre a instigar a partilhar. Com fotos, com palavras, com coisas do dia a dia, whatever, mas façam-nos também para além do resto que já fazem nos vossos blogues. Fica o sempre eterno repto;)

Aproveito para agradecer a algumas pessoas que obviamente não conhecia nem conheço, mas se foram juntando ao "Sair das Palavras". Tanta gente simples que começou mais ou menos ao mesmo tempo que eu, outros que se foram dando mais a conhecer ou estão a começar agora, nomeadamente nas suas artes e nas fotos que começaram a postar, desde férias até um fim de semana ou um dia normal em casa ou algo que viram na rua - que muito agradeço já que tanto insisti em nos darmos mais - e outras pessoas que já andam imenso tempo e devagarinho foram entrando neste canto.

É como digo: quanto maior a rede de amigos ainda que virtuais e com quem possamos partilhar pontos de vista ou simplesmente aprender e ver conteúdos e blogues, melhor. Não sou muito apreciador de seguir só determinados blogues porque também não nos enriquecemos muito. Para isso tenho contactos dos amigos reais no telemóvel. Ainda que, a qualquer momento, qualquer amigo virtual possa passar a real. Mas entendo e respeito, lá está, que muitos assim o façam.

Deve faltar escrever alguma coisa, mas também já me estou a perder com sono, e como não costumo falar assim de mim, aqui fica com retroactivos.

Fiquem bem, obrigado pelos comentários que não tenho por hábito responder, mas que obviamente considero. Costumo preferir mais comentar os outros blogues, sem prejuizo da grande e natural satisfação em receber comentários, como é claro.

A todos, uma BÓPTIMA semana, e como dizia Saint Exupery:

Eu não preciso de ti

E tu não precisas de mim

Mas se tu me cativas

Nós precisaremos um do outro

19.4.09

MERECER O AMOR


Deixo-vos um conto que não é meu mas sempre apreciei. Trata da dignidade do amor.
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Uma bela princesa andava à procura de um consorte. Aristocratas e endinheirados senhores tinham chegado de todas as partes para oferecer os seus maravilhosos presentes. Jóias, terras, exércitos, e tronos constituíam os dotes para conquistar tão especial criatura. Entre candidatos, encontrava-se um jovem plebeu que não tinha outra riqueza que não fosse o amor e a perseverança.Quando chegou o seu momento de falar, disse: "Princesa, amei-te toda a minha vida. Como sou um homem pobre e não tenho tesouros para te dar, ofereço-te o meu sacrifício como prova de amor... Estarei 100 dias sentado debaixo da tua janela, sem outro alimento para além da chuva e sem mais roupa que a que trago vestida... É esse o meu dote".A princesa, comovida com tal manifestação de amor, decidiu aceitar: "Terás a tua oportunidade: se passares a prova, casarás comigo".Assim se passaram as horas e os dias. O pretendente sentou-se, suportando os ventos, a neve e as noites geladas. Sem pestanejar, com o olhar fixo na varanda da sua amada, o corajoso vassalo continuou firme no seu empenho, sem vacilar um momento sequer. DE vez em quando, a cortina da janela real deixava transparecer a esbelta figura da princesa, a qual, com um nobre gesto e um sorriso, aprovava os esforços dele. Tudo corria às mil maravilhas. Alguns optimistas até já tinham começado a planear os festejos. Ao chegar o 99º dia, os habitantes da região tinham ido animar o futuro monarca.Tudo era alegria e festa, até que, de repente, o jovem levantou-se e, sem dar explicação alguma, afastou-se lentamente do lugar.Uma semanas depois, enquanto deambulava por um caminho solitário, um menino da região alcançou-o e perguntou-lhe atrevidamente: "Que aconteceu? Porque perdeste esta oportunidade quando estavas a um passo de atingir o objectivo? Porque te retiraste?"Com uma profunda consternação e algumas lágrimas mal dissimuladas, ele respondeu em voz baixa: "Não me aliviou nem um dia de sofrimento... Nem uma hora sequer... Não merecia o meu amor...".