30.11.09

De Profundis


"A sociedade, tal como está constituída, não terá lugar para mim, nem nada para me oferecer, mas a natureza, cuja doce chuva cai lentamente sobre o justo e o injusto, terá grutas nas rochas onde me possa esconder, e vales secretos onde em silêncio eu possa chorar. Ela cobrirá de estrelas a noite para que eu possa passear na escuridão sem tropeçar, e mandará que o vento apague os meus passos para que não possam seguir a dor do meu rasto. Ela lavar-me-á nas suas águas abundantes, e com ervas amargas irá tornar-me são"


(Oscar Wilde, De Profundis)

28.11.09

DO JANTAR DE BLOGUISTAS

Tudo começou no Casino Estoril pago com os donativos dos blogs e terminou em Lisboa ;)

Tradução rafeirosa do livro do Jorge "Are You Ladrating to Me"
(Sim, o Rafeiro Perfumado esteve presente).

Com souvenirs destes, qualquer jantar é apetecível ;) Kidding.

Cada um deixou num livrinho que o Gonçalo levou para este e próximos encontros, as suas impressões do jantar (leia-se, também das pessoas).

"Lobinho só sossegou com a Sebenta do Nando. Gonçalo prometeu levá-lo a um infantário".
Foi algo que recebi com imenso carinho, e ainda bem que me calhou a mim. Com dedicatória, pois claro :)

O livrinho que o Gonçalo guarda e onde também vocês hão-de escrever :) Basta participar no próximo encontro.

Estava tão bem o grupo até eu chegar...
***

Não queria escrever sobre o encontro de bloguistas (blogueiros) que decorreu no passado sábado dia 21 e foi amplamente divulgado, mas tenho recebido mails de quem não foi para que conte. E também vou fazê-lo porque infelizmente prometi no anterior post, mas mais por homenagem a quem foi. É mais uma maneira de dizer obrigado.

Já aqui referi o meu agradecimento e sentida admiração pelo promotor do Encontro Nacional de Bloguistas, o grande Gonçalo Cardoso do blog O Sabor da Palavra, que se empenhou afincada e entusiasticamente para que cada pessoa no seu blogue, mesmo sem nos conhecermos e talvez exactamente por isso, convidasse os seus amigos/seguidores a participarem de um jantar informal, amigo, onde os blogues ficariam como que secundarizados para dar lugar às pessoas, saindo das palavras. Uns aderiram, outros não. Uns (não) puderam, outros guardam-se para o próximo. Estive até ao último minuto sem conseguir garantir uma resposta ao Gonçalo que, todavia, atencioso e óptimo organizador como se revelou nos pormenores, tinha garantido mais dois ou três lugares para pessoas de útima hora, just in case.

Considerando que tanto preconizo uma menos fria web e uma personalizaçao pelos textos, fotos, sem falar do título do meu próprio blog ("Sair das Palavras") que de alguma forma deu o mote ao jantar, tinha de ir. Confesso que não sou grande adepto de encontros, jantaradas, etc. Se eu disser que tenho vergonha ou que sou tímido não vão acreditar, mas é o que acontece. Mas como incorporo na mesma razão a contemplação, a beleza do nostálgico, o indizível do sentimento e a alegria que brota naturalmemnte como quem se entrega, fiz por estar de corpo inteiro como se já conhecesse a todos. Uma defesa. Não uma segurança. Mas ainda asssim, eu.

É importante sairmos de nós e não nos ficarmos pela virtualidade e sermos ainda mais reais, revelando não apenas o mundo interior mas também o corpo que transportamos na vida. Nós também somos rosto, e se por vezes partilhamos tanto indo ao fundo da alma, é estranho ser o anonimato o outro lado dessa revelação. Da mesma maneira que deve haver uma gestão emocional, deve também existir uma gestão da nossa relação com o corpo. É que cada um de nós não tem corpo. É corpo. O corpo é outra linguagem; está sempre a falar. Também não é por acaso que somatizamos. Somos um todo. Não há corpo e alma. Há corpo animado. E, tal como já referi em post anterior, o Gonçalo pretendeu neutralizar o máximo possível da virtualidade, convocando-nos ao encontro. E ainda bem que fui. Porque antes de mais, obriguei-me a sair de mim. Eu, que sou intimista e não gosto muito de grandes encontros. E porque todos os presentes mostraram ser pessoas de nível, nas suas diversas formas de apresentação espontânea. O Gonçalo teve depois a delicadeza de simplesmente dizer o que achou dos presentes, no seu próprio blog, e penso que ninguém se atreve a discordar dele. Eu não teria feito melhor e comungo muito das suas impressões. Como, pelo que leio, o resto do grupo.

Então lá fui. Eu, um tímido por natureza (ou deverei dizer frágil?), não conhecendo ninguém, tornou-se um bocadinho pior aparecer ali, mas outros o tinham feito, e é nisso que reside o mérito. Ia apoiado num artefacto que o Gonçalo tinha pedido que cada um levasse, representando o seu blog (um poema, uma música, um texto, aquilo que cada um entendesse descrever-se melhor). O meu artefacto era um texto de duas toneladas (não, não tenho poder de síntese, como se vê) e uma caixinha de um azul madrugada que, uma vez aberta, não continha nada, a não ser um papelinho com uma citação de Saint Exupery: "O essencial é invisivel aos olhos". E não vou dizer o que outros levaram porque seria deselegância, tal como seria deselegância colocar fotos dos participantes, embora as tenhamos trocado entre nós por e-mail. Mas sou adepto de que se coloquem fotos do jantar, dos encontros, o que seja, mas não abusaria da privacidade de cada um, e só por isso não coloco.

Quando digo que ia apoiado no artefacto, quero significar que ia sem conhecer ninguém, como uma criança no primeiro dia de escola (eu avisei que era assim, apesar de não parecer pessoalmente) completamente só, mas sabendo não ser o único, e como tributo mínimo ao organizador que tanto carinho e dedicaçao colocou no encontro, acreditem que, nem que fosse por essa dedicação, interesse e genuinidade, teria de ir. O Gonçalo assumiu o encontro como uma causa. E está a pensar promover mais, da próxima vez no Norte, não já em Lisboa, e dentro de pouco tempo, por isso estejam atentos ao próximo convite que vai sempre para quem quiser.

Querem então os pormenores, pedem no meu mail. Eu vou deixar duas situações. Uma delas há-de ter sido ;) É que isto de se contar uma coisa destas é difícil e eu já sou prolixo a escrever para o fazer ainda mais. E, repito, se o faço é por homenagem aos presentes.

Situação Um:

Acabámos todos por jantar o mesmo: risotto de espargos verdes com ovo mexido e azeite de trufa (finíssimo). Vá lá que a coisa acabou por sair em conta, tendo havido alguns momentos intimistas. Um deles foi a leitura de poemas da Natália, o texto do Gonçalo e finalmente o meu, com música ambiente para o efeito, as luzes ligeiramente mais reduzidas, ficando @ orador@ com a luz a incidir sobre si, enquanto nós escutávamos deliciados em momentos intercalados com outras trocas de artefactos. Foram momentos únicos diluídos com a boa disposição geral, como se já quase nos conhecessemos. Os blogs chegaram a ficar momentaneamente secundarizados. E, de repente, quase éramos velhos amigos.


Situação Dois:

Depois de várias sugestões na preparação do encontro, o restaurante foi aceite e cada um pediu o que quis. Houve momentos intimistas pela simples leitura de textos/poemas, que representavam a pessoa e/ou blogue, mas uma vez que éramos apenas uma mesa entre outras, embora a mais cheia do simpático e intimista restaurante, provavelmente só ouviu condignamente a leitura a pessoa que estava imediatamemte a seguir ou eventualmente até duas depois do orador, tendo os restantes aproveitado para irem pedindo as sobremesas ou o café, uma vez que o garçon também se ia impacientando por já sermos os últimos. O que nao deixou de ser caricato e hilariante. Imaginem a situação: leitura intimista de um poema e três pessoas depois "pode ser um doce de framboesa" ou "quem é que tem a minha máquina?"! Divino. Trocámos os artefactos olhando como quem não quer a coisa para as horas porque todos tinhamos de ir embora cedo naquela noite (uma terrivel coincidência). Mas nada disso impediu o contacto que cada um teve, ainda que de raspão, com o mundo do outro.


Seja como tenha sido, quero dizer-vos que conheci pessoas maravilhosas (e agora não estou a brincar) e que não duvido que alguma delas tivesse deixado de ser ela mesma para ser mais cortês, ou simpática ou socialmente correcta. A começar por mim. Não falarei sobre nenhum dos participantes em particular, porque como já antes referi, comungo da análise tão objectiva, simpática e simultaneamente delicada que o Gonçalo fez de cada um de nós. Pessoalmente nao me canso de o elogiar, sendo que o meu maior elogio foi ter participado num encontro que pretendeu tão amigo e o mais divulgado possível. Bem hajas pela atenção, dedicação, empenho e carinho, quer na preparaçao do encontro quer na execução do mesmo. É bom saber que ainda há pessoas assim.

Apenas um registo: o Jorge, o célebre autor do blog Rafeiro Perfumado, confidenciou-me (sim, ele ficou a meu lado) que depois do jantar mudou um pouco a visão sobre algumas coisas e pessoas, pelo que não sabe se o seu próximo livro será outra compilação dos seus humorísticos textos, ou já a inovaçao do blog "Cão de Raça Pulguento" (por contraposição a Rafeiro Perfumado, obviamente).

Last but not the least. Houve alguém que entrou quase por último. Atirou-se a quase todos em beijos e abraços tentando adivinhar os nomes. Confesso que fiquei um pouco surpreso e comentei: "Quem é aquele que conhece toda a gente"? Lá soubemos quem era. Um rapaz que apesar de ter um blog com um pendor reflexivo e onde não deixa de se expor, ainda que de uma forma talvez um pouco nostalgica, chegou ali como se fossem todos conhecidos e só me apeteceu usar o título do livro do Jorge ("Are you ladrating to me"?) embora por educação não o fizesse. Deve ter sido o que aconteceu com os outros. Mas a determinada altura do jantar disse a todos que era muito tímido e todos devem ter pensado que estava no gozo. Acabou por me dizer que era mesmo tímido, e que se extroverteu precisamente por isso. Não sei se acreditaram mas eu acreditei piamente nele. Pessoalmente extroverte-se. Na "intimidade" do blogue, dá o resto. Mas nem todos conseguem ver a fragilidade mascarada de segurança que nos faz voltar para dentro das palavras. É apenas abertura e partilha. Mas quem não conhece julga-o folgazão. Mas eu sei quão frágil é. É apenas simpático, digo eu.

Obrigado, amig@s. Foi bom conhecer-vos. Já vo-lo disse nos vossos blogues, pessoalmente ou por mail. Mas não é de mais enfatizá-lo. E queria dizer que não me esqueci de tantos que não foram, e fiz um brinde interior à sua presença, apesar de nao ser muito dado a estas coisas mas já falei sobre isso. Espero, porém, que estejam presentes no próximo encontro - estejam atentos ao blog do Gonçalo embora eu depois também divulgue-, e terão a surpresa que tão gratamente tive: um encontro de amizade onde a blogosfera não passou de um mero assessório, e fomos nós os verdadeiros protagonistas, inviabilizando por este encontro a virtualidade do ser.


Daniel (Lobinho)


24.11.09

SIMPLESMENTE SER


Dizia eu há dias a um espontâneo grupo de amigos, que mal fora se eu dissesse o que digo no blog, convocando as pessoas a serem simplesmente elas, sem defesas e com naturalidade, e eu me apresentasse reservado ou intimidatório. Todavia, obviamente que não andamos com a fragilidade do ser nas mãos, como que fazendo o outro pagar essa factura a que é alheio, e por isso o riso escancarado e sincero, sentido, mas igualmente defesa natural para um interior por vezes triste. Todos temos as nossas pequenas glórias e frustrações, mas geralmente guardamos as vulnerabilidades para momentos de maior intimidade: connosco mesmos, com amigos... O que não invalida a pacífica coexistência de um ser natural e espontâneo - como que já conhecendo os outros -, quanto reservado e tímido... naquilo que não diz. Talvez que os que mais riem e os que mais soltos são (sendo eu um desses), sejam afinal os mais frágeis, e na razão inversa os aparentemente tímidos ou simplesmente mais sóbrios embora receptivos, tenham uma maior resistência às adversidades. Mas como não há geometria no ser humano, somos sempre muito mais do que aquilo que possamos explicar.

Eu gosto muito de rir, de brincar com as pessoas no sentido da partilha e da alegria (não do gozo), mas comporto vários mundos onde no mesmo dia temos chuva e sol, embora não subitamente... mas quase. E a música subverte-me essa hiper-sensibilidade, como uma hemodiálise dos sentimentos. Coloco uns phones e transporto-me para longe, onde músicas e canções me fazem escorregar em espirais de vida com sóis e luas de sentir, percorrendo galeões agitados de mares e esplendorosos caminhos de gelo, ou por entre giestas e altas copas, vibrantes, pujantes, sentindo cada molécula e tendão, cada nervo e veia, em partículas cheias de ritmo, um extravasamento onde a própria vida estremece de emoção. Mas também nesses phones me transporto aos sons da minha alma, onde fadas e duendes e seres míticos subitamente saltam de uma qualquer floresta e nos inundam com magia e com a sensação de não pertencermos aqui, deixando-me triste para quem me visse de fora, mas na realidade apenas sentindo a música calma, ou triste, ou mesmo macambúzia, ou simplesmente inadjectivável, tão suave e doce, que nesses interpolados momentos de êxtase e agonia, se descompressam aguilhões reais e imaginários que todos os dias nos assolam, por não pertencermos aqui, por a alma clamar por um lugar que não é este, ou simplesmente pela alegria entornada na partilha imediata de um ser feliz.

Todos os dias sobrevivo na alegre ingenuidade da infância, e talvez por isso uma fragilidade tão grande quanto o meu apreço pelo humor. Mas nunca me julguem forte. Não sou. Preciso, não do elogio gratuito, mas das palavras simples de amor e carinho que me revigoram a alma. Talvez porque me mostre aparentemente intrépido, mas não sou. Ou como diz um amigo meu, é importante o elogio fácil, que não é o mesmo que gratuito, já que é aquele que simplesmente se dá quando corresponde ao que sentimos e não o cordial, ou porque as pessoas precisam de se sentir reforçadas, elevadas, apoiadas.

Decorreu, entretanto, o jantar de bloguistas (ou blogueiros). Noutro post falarei sobre ele. Para já, o agradecimento público ao promotor do evento, Gonçalo Cardoso do blog Sabor da Palavra, que com empenho e grande entusiasmo, pretendeu neutralizar o máximo possível da virtualidade, convocando-nos ao encontro. E o meu público agradecimento de igual forma a todos os presentes que, tal como refere o Gonçalo, mostraram ser pessoas de nível, nas suas diversas formas de apresentação espontânea, muito embora houvesse já um conhecimento semi-prévio pelos blogs, alguns nem isso. Acreditem, nunca é a mesma coisa.

A tod@s os que me seguem, e independentemente do encontro que houve, aproveito para agradecer os comentários que sempre me deixam. Sabem, eu não costumo comentá-los, (o que não invalida não o fazer); inter-ajo mais nos outros blogues, comentando eu, mas fico sempre muito agradecido, porque aquilo que para uns pode ser pouco ou natural, para outros significa muito. E isso acontece com os comentários que recebo. comentários que por mais que eu quisesse agradecer não conseguiria, mas são os que me resgatam tantas vezes sem o saberem. Não que não tenha amigos ou vida própria, mas porque por vezes a virtualidade, tal como a música, serve de alçapão para hemodializarmos o sentir. Seja ele qual for. De que adianta falarmos muito se dissermos pouco de nós, do essencial e da vida?

É por isto que continuo na virtualidade blogosférica sem deixar de ser alguém real. Também se medem temperaturas e também nos escondemos num aconchego que, por vezes, não sabíamos existir.

Lobinho

22.11.09

QUANDO A DOR SE TORNA AMOR


O passo é lento. A música serena-me o espírito mas o corpo cede à pressão das intempéries. Como se saísse uma lágrima de simultânea dor e reconforto, qual mãe que acaba de dar à luz o seu menino. Os sorrisos são espontâneos, talvez contagiantes, sinceros, mas no outro lado da rua vivem pobres sem cor nem luz nem risos nem cultura nem entendimento para os senhores do mundo. Porém, com o dom da sensibilidade. Como quem se habituou à dor. Cruzo-me com eles. Emprestem-me o anonimato. Eles dizem-me consabidamente que o tempo é meu, e geri-lo faz a diferença.Triste solitário que ri e se soergue na imensidão da partilha.Aquela que se faz luz no fogacho do vazio. Ah como doem as gaivotas a sobrevoar o mar. Como dói o indizivel do abraço envergonhado. A dor é única. Vivê-la passa pelo exemplo da relatividade das coisas e da vida. Quantas almas não vogam solitárias? E amanhã serei outro na mesma lágrima vertida em riso. Porque o riso é o sol que te posso dar na própria chuva que recebo.

20.11.09

CANÇÃO DO AMIGO


O amigo que ainda mal conhecera, ousou lançar um alerta. Disse que precisava de colo. Depois pediu - num paradoxo que só o amor entende e não a lógica -, que o evitasse precisamente por isso. Mas o Amigo respondeu-lhe: Jamais te evitaria. Um Amigo é isso mesmo: afaga a alma do outro, dá-lhe colo, e não o deixa ficar sozinho ou ir embora sem se certificar que não morrerá pelo caminho. Mais: fica com ele até ao fim. Por isso pede-me o que quiseres, menos que te deixe. Sabes, o Amor tem a lógica que a Lógica não tem. A Lógica diz que respeitemos o outro, mas não percebe os sinais que quem vê com o coração percebe. É por isso que ficarei contigo e não te deixarei partir...

E, no céu, os anjos cantaram o amor na terra. E no coração do Amigo, um novo sol se fez.

17.11.09

QUANTO DE NÓS?

9h da manhã. Siena (Itália)

Entre o ter e o dar dividimo-nos ao longo de toda a vida. Muitos julgam que só podem dar quando tiverem em abundância, e outros tantos planeiam ser muito generosos se lhes sair o euromilhões. É tão fácil esquecer que as maiores dádivas quase nunca têm a ver com quantidade ou com coisas materiais. No fundo, o que temos que não nos tenha sido dado? A começar pela vida, passando pelo dom da amizade e o milagre do amor, é importante o nosso trabalho e esforço, mas quanto existe de dúvida que dependeu mais de outros do que de nós? E também há o medo de dar, de confiar (que é dar-me a alguém), de correr riscos por algo maior. Porque o dar implica deixar de ser dono de algo (e somos verdadeiramente donos de quê?). Tempo, dinheiro, saúde, fama, coisas que consideramos tão essenciais, mas tão facilmente se esboroam perante a inevitabilidade da morte. Quando pensamos e agimos dependentes do medo, é difícil o salto generoso e aberto que toda a dádiva implica. Medo do outro, do que pensa diferente, da novidade, quantos medos podemos descobrir? E quando o medo vence, enterra-se sempre uma riqueza.

Perante a história de cada um, sentimo-nos também a precisar de algo ou de alguém, ou a auto-suficiência já se tornou uma segunda veste com que tapamos as nossas debilidades? E se continuar com raciocínios em catadupa, rapidamente chego aos números versus ser humano. Os números tomaram conta do nosso mundo. É óptimo quando as contas saem bem e temos dinheiro nos bolsos, mas para mim, os números são frios, de uma lógica imbatível, capazes de nos deslumbrar (o simples facto de pensar no euromilhões, por exemplo) mas também de nos aterrorizar (veja-se a actual crise financeira mundial). Os números quantificam e podem ser racionais e irracionais. Eu sou mais das palavras. Porque têm alma, que é coisa que os números nunca terão! Com as palavras penso e construo, sonho e projecto, erro e aprendo, escolho e amo. É com palavras que decido o que fazer com os números e dou sentido ao muito e ao pouco. Por isso recuso que o ser humano seja um número ou tratado como tal, que a vida se meça no número dos anos, que o trabalho se reduza à obtenção de um salário, que uma pessoa valha pelos números da conta bancária, que o amor se quantifique no que é meu e no que é teu ou no politicamente correcto. O amor não se contabiliza. A entrega também não. Mas são exigentes.

Carregamos tesouros. Os que levamos no coração. Não basta mudar o embrulho. É preciso ir à força contagiante da alegria. A alegria que dá trabalho porque implica procura dos seus sinais, simplicidade para se maravilhar e encantar. E quanta soberba intelectual não há por aí? E quantos vivem a sua vida num quadrado da sua existência como se as restantes pessoas fossem figurantes do seu palco? E quantos julgam já saber tudo, quando afinal ainda não sabem nada?...

A nossa vida não terá valido a pena se não nos tivermos doado. Pensem nisso.

REVELAÇÕES MUSICAIS ... e alguns provérbios

Todos conhecemos os provérbios, mas confesso que era um ignorante em relação à forma correcta de dizer a maior parte deles. Vejam estes exemplos: popularmente diz-se: 'Não páras quieto, parece que tens bicho carpinteiro.' Quando o correcto é 'Não páras quieto, parece que tens bicho no corpo inteiro.'

Mais exemplos: 'Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.'' Enquanto o correcto é: 'Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.'

‘Cor de burro quando foge.' O correcto é: 'Corro de burro quando foge!'

Outro, que todos dizem de uma maneira errada: 'Quem tem boca vai a Roma.' O correcto é: 'Quem tem boca vaia Roma.' (do verbo vaiar)

'Cuspido e escarrado' - quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa. O correcto é: 'Esculpido em Carrara.' (tipo de mármore)

Mais um famoso...: 'Quem não tem cão, caça com gato.' O correcto é: 'Quem não tem cão, caça como gato'... ou seja, sozinho!

Diziam correctamente alguns destes ditados? Eu não sabia.


Deixo-vos agora com duas vozes surpreendentes muito jovens que apareceram no "Ídolos". Este primeiro vídeo parece um cantor já maduro com carreira; imaginem ouvir só, sem imagem, se preferirem. O outro a seguir é, noutro registo, simplesmente ímpar.

Beijinhos, abraços e obrigado pela vossa sempre amizade. Há alguns blogues onde tenho ido com menos tempo e por isso não comento, mas nenhum está esquecido :)

Até já.









15.11.09

CHUVA MIUDINHA


Amadurecemos quando a ofensa já não nos ofende e matámos o orgulho.

Amamos quando todos se tornam iguais diante das nossas atitudes.

Sofremos quando nos apegamos aos bens materiais.

Iludimo-nos quando acreditamos que estamos prontos, maduros e seguros.

Aprendemos quando a lição, seja pelo amor ou pela dor, rectifica o nosso agir.

Conquistamos quando deixamos a marca na alma de alguém com um gesto amoroso.

Seremos felizes quando as nossas mãos calejadas ou não pelo trabalho, servirem mais para ajudar do que para atirar pedras. Quando descruzarmos os braços diante do sofrimento alheio e a humildade se sobrepuser ao egoísmo.

Seremos felizes quando descobrirmos finalmente, que somos todos passageiros do mesmo barco, movidos pelos remos das nossas atitudes. Dignifiquemo-nos com a assertividade do coração. Firmes mas suaves. Justos e não justiceiros. Afáveis e não sonsos.

Um grande beijinho e abraço a todos neste introspectivo tempo de chuva miudinha.


13.11.09

OS IGNAROS


Os espertos são os néscios da condição humana. Usam todas as ferramentas pessoais ao seu dispor para concretizar o mais mesquinho objectivo, e sentem-se grandes por isso. Tanto pode ser a simples desonestidade como o golpe do baú, os ardis financeiros ou a carapuça reluzente que esconde uma dantesca ignorância. Mas existe um défice no meio de tudo isto. Grave. Uma lacuna não preenchida que acaba por ter um efeito real. E é exactamente por isso que só aquele que sabe calar o barulho do mundo, não se deixa impressionar com o barulho dos outros numa desgastante rotina de servidão humana. É, aliás, a este nível, que se desenvolvem os instintos que mais criticamos.

Somos intrinsecamente bons, mas automatizamo-nos para constantes duelos de que somos proponentes, e depois já não passamos sem eles. Aí sim, toda a miséria chegaria abstrusamente à superfície, e juntos sucumbiriam ante a verdadeira finitude. Por isso usam limalhas artificiais onde se consegue um patamar que, não sendo o horizonte, também esconde o cano de esgoto. E, com essa notável capacidade de camuflagem, o edifício em construção acaba sempre por ser o andar-modelo.

Não critico o uso das capacidades primitivas de percepção, e o concomitante uso da esperteza, já que podem não conseguir mais do que isso. Talvez, afinal, não sejam inteligentes. Só a formação humana garante à pessoa que não caia sistematicamente naquela zona primária, estanque e voraz, onde nos colocamos acima de todos, antes optando pelo núcleo de valores que enformam a vida na sua própria dignidade. Aquilo que critico é o recurso contínuo ao imediato em detrimento de propósitos mais dignos do que básicos instintos.

A capacidade de nos afirmarmos com o pleno sentido de Humanidade, passa inevitavelmente pela coragem de sermos nós próprios, sem irmos atrás do que ouvimos, sem subterfúgios ou sentimentos de vergonha perante aquilo que possa ser socialmente incorrecto. A era moderna não são as modas efémeras ou o politicamente correcto, mas o núcleo de valores que possamos ter e transmitir! De outra forma, não passaremos de espectadores passivos num mundo redutor e anónimo.


***

Dos comentários anteriores, permitam-me escrever isto, sem demérito de nenhum outro, de que estou sempre agradecido.

Dulce,
Obrigado pelas suas palavras mas não volte a fazer o mesmo: não se subestime nem ache que tem de dizer coisas bonitas ou que não está à altura. Eu penso o mesmo de tantos outros blogs. Estamos sempre à altura de nós mesmos e isso basta. Obrigado pelas suas tocantes palavras, mais do que pela erudição que queria que tivessem. É aí, no coração e na simplicidade que me sinto "erudito" e eu mesmo. Nunca no resto. NUNCA.
Obrigado, Dulce, por não me tornar único.

Queria igualmente dar hoje os parabéns ao clips de vidro, um blog que faz hoje um ano.

12.11.09

VISTO-ME DE SOMBRAS


Visto-me de sombras. Sou refém de mim. Aceito o convite do silêncio. Sigo em passos lentos para não incomodar a vida. Assusto-me com as pessoas que têm sentimentos neutros. Espanto-me com a palidez da tristeza. Revolto-me com as injustiças. Despeço-me dos sonhos. Olho de soslaio a ilusão.

Pelas ruas da solidão, encontro a saudade embriagada. Olhos cegos de esperança. Com as mãos da dor, rezo um terço de lágrimas. Prendo os pensamentos nos convés do tempo. Tempo que ficou em mim sem nunca ter sido. Fecho a cortina do dia. Adormeço no colo da noite. Até que a aurora me resgate.

***

Deixem-me ir aos vossos blogs com mais tempo do que a atenção que neste momento merecem e não vos posso dar, tá? Não que estejam esquecidos. Chego a espreitá-los e tudo, mas como digo, merecem maior atenção pela simpatia e amizade com que me brindam, do que aquela que neste momento posso dar.

Queria também agradecer à Nade o selo que me ofertou já há dias. Ofereço-o a quem quiser levar. Basta clicar no link. Obrigado Nade. Já está na barra lateral dos selinhos com que me ofertam tanta amizade e carinho.

E dizer à Ailime que me comoveu o seu comentário dois posts atrás, mas não me julgue assim tão exemplar e muito menos peça desculpa por ter copiado o post e enviado para o seu filho. Eu é que agradeço que me tenha aproveitado para alguma coisa. Só somos exemplares quando temos quem nos siga. E eu não passo de um suspiro que o Tempo carrega sem ele mesmo saber...

11.11.09

MÚSICA E EMOÇÃO

Se há coisa que mexe comigo, é a espontaneidade presumidamente sincera, a alegria da partilha e o abraço universal do encontro. Por isso queria deixar aqui dois vídeos onde as massas anónimas acorrem como quem entra naturalmente numa festa que é de todos. Há como que um ímpeto assustadoramente forte dentro de mim quando acontecem estes gestos no frio quotidiano, onde as distâncias interiores e defesas se esbatem ou anulam - ainda que temporariamente - e todos perfilhamos a mesma universalidade, a mesma música, a mesma canção: a da Vida, a da Partilha.

Quantos "venha daí esse abraço" não deixamos de dar por orgulho ou exagerado respeito? Quantos sorrisos não damos por vergonha ou simples contenção? Se não precisamos de risos idiotas e piadas sonsas, também não precisamos de escudos humanos onde apenas confraternizamos com os amigos do costume, com a família, e alguns colegas. Bah! Nada disso. A ideia do "venha daí esse abraço" é-me muito cara porque pode simplesmente acontecer entre pessoas que se não conhecem... E é aqui que reside o mérito: no sairmos de nós e ir ao encontro... mesmo de quem não conhecemos.

Sou tímido, mas com a abertura que tento dar para testemunhar e levar outros a fazer o mesmo, acabo por me entregar facilmente. Não vos tiro mais tempo e deixo-vos hoje com dois vídeos que ilustram exactamente isto que vos digo. O primeiro é de um anúncio feito em Abril deste ano na Trafalgar Square, e o segundo já o tinha postado em Julho, mas vale a pena rever :)

Voltarei ao tema de Novembro. Os vossos comentários têm-me deixado a pensar :)

Fruam as músicas.

Até já e... vale a pena colocarem uns phones e ouvirem/verem os vídeos abaixo durante o tempo todo da duração. Digamos que hoje é um post de música e partilha.

Obrigado. E vocês? Não sentem um estremeção de alma quando testemunham aquela energia espontânea e instantânea, como o que digo acima e se vê nestes filmes? :) Gosto muito do segundo... várias músicas, concerto ao ar livre. E do primeiro pela parte gira dos microfones dados de repente para um karaoke colectivo.




9.11.09

PECADO DE UM HOMEM SÓ

Porta lateral da Nova Igreja de Fátima


Estou sentado numa rocha ao pé do mar. É tão calma e limpa esta água ao pé de mim. Como gostava de ter ali alguém que me contasse contos de criança e de mar e me afagasse o cabelo sem se importar com mais nada. Como o “Setembro” de Woody Allen onde a fotografia é da cor do Outono e só me apetece ficar lá... Eternamente!

Sei que é fuga de mim mesmo, mas que desertem agora considerações moralistas ou psicanalíticas sobre a realização vivencial, o caminho da responsabilidade, a afasia da personalidade! Todos os filmes parecem perpetuar a vida, mas a dor é crescimento, e por isso permito condoer-me e baixar as defesas do riso instantâneo (embora sincero), e do optimismo médio para um ser psicasténico!

Conta-me histórias, oh mar. Fala tu comigo porque vens e vais com a mesma suavidade sem trazeres novos pensamentos à conversa que tivemos. Fala comigo mar, banha-me os olhos e sopra-me o cabelo. Sustém-me nas tuas ondas e diz que a vida também é riso, que a vida também é sonho. E quando chorar estarei confundido com as tuas próprias lágrimas. Só preciso descansar um pouco. Assim, contigo. E ao nascer do sol irei embora para casa. Outro eu, lavado, puro, mas também manchado. A natureza não se racionaliza e os sentimentos dos homens também não.

Olá, tudo bem? – dizem-me.
Olá, como vais? – Respondo a sorrir.

E o ciclo repete-se até encontrar de novo o mar.
Sou o pecado de um homem só...


8.11.09

BEM - AVENTURADOS

Assis

Bem aventurados os que não amam o outro, porque não hão-de sofrer.

Bem aventurados os que não choram, porque não conhecerão a dor.

Bem aventurados os que não seguem a verdade, porque possuirão a terra.

Bem aventurados os orgulhosos, porque viverão felizes.

Bem aventurados os egoístas, porque terão tudo o que o mundo pode dar.

Bem aventurados os que reclamam a verdade como sua, porque não serão julgados.

Bem aventurados os que não têm fome nem sede de justiça, porque o mundo já é seu.

Bem aventurados os que ocultam a verdade com hipocrisias, porque terão quem os bajule.

Bem aventurados os intriguistas, porque a sua vida tem mais sabor.

...E porém, bem aventurados são os que amam e por isso sofrem; os que choram e conhecem a dor, os que seguem a verdade e são humildes, os misericordiosos e simples da terra, os generosos de coração e os apagados da ribalta porque esses conhecem a vida como dádiva, o Amor como condição humana, a Partilha como necessidade e oferenda, e a Simplicidade como condição para o verdadeiro Reino.

Porque Viver é sofrer e alegrar-se!
Porque Dar e Receber é o como da Vida!
Porque o Amor é o porquê da Humanidade...

Mas sem risos, nem lágrimas, nem trabalho, nem desencanto, nem erro, nem partilha, nem generosidade, nem compaixão, tudo o resto é fictício na realidade suprema da vida.

Alegrai-vos, pois, porque a vossa recompensa, por mais estranho que pareça, começa em parte nesta vida. E se olharmos o que nos acontece como fruto de uma caminhada pessoal e única, aceitando o riso transbordante de alegria, e o sofrimento inerente à nossa condição de homens, então somos de facto bem-aventurados porque fomos chamados a realizar o ser.

***

Não podia deixar de agradecer esta homenagem do Pedro Ferreira que me deixa sensibilizado e corado. Obrigado, Amigo. O respeito e admiração são mútuos. Estou babadíssimo e a montagem está muito bonita. Obrigado. Das palavras, não consigo dizer nada.

Obrigado, também, Carla, pelo mimo :)

No sábado, dia 21, há um encontro geral de bloguistas para quem quiser ir que está a ser organizado pelo Gonçalo. Sou tímido, mas se vocês forem, eu vou. É uma oportunidade de nos conhecermos. Até dia 15 organizem uma resposta positiva, sim? E divulguem nos vossos blogues. É só copiar a imagem aí ao lado. Obrigado.


6.11.09

NOVEMBRO

Tirada na Praça S. Marcos (Veneza)

Não sou daqueles que perdem a esperança, mas vejo muitas vidas em dificuldade, ou andam à deriva, ou se acantonam em becos sem saída. Esta sociedade precisa de se humanizar. Não basta o progresso cientifico e técnico, se a desumanização é um facto inegável. Assistimos à perda de valores fundamentais, a corredores de ilusão e de nadas e, mais do que disse há dois posts atrás sobre o Dia dos Fiéis Defuntos, até a morte é olhada como tabu.

À juventude oferece-se a beleza, à eficácia o lucro, à exaltação da vida o progresso da riqueza, à consciência a fuga e a ocultação, à serenidade e à interioridade o imediato e a exterioridade. Pensa-se como se vive em vez de se viver como se pensa. A medida do Homem é ser cadáver e cemitério. De Cujus, como se diz em Direito. Uma sociedade sem eternidade ignora a morte e desumaniza-se.

Novembro entra em todas as casas como um caminho de fim de tarde, onde há silêncios gritantes, porquês sem resposta, flores com sentido e lágrimas que exprimem amor. Se o homem é pó e amor, então não volta ao pó. Não podemos dizer que na morte não há nada. É um mistério e lá pode estar o maior tesouro. A morte faz parte da vida e só acontece quando deixamos de amar. É dentro do coração que a vida se transcende e não no engano de um beijo no corpo daqueles que amamos. É preciso humanizar a vida para que ela não seja apenas um ponto final. Quem disse que era?

É fácil caminhar por meio de banalidades, facilitismos e justificações para todos os comportamentos possíveis. Também não é difícil encontrar gente desiludida de tudo e a tentar apagar a consciência que não se cala por um instante. A vida dá o que nós lhe damos.

O mundo é belo, mas não é para ser devorado rapidamente. Não é para ser vivido de fora para dentro, mas de dentro para fora.

Abro os caminhos de Novembro e devíamos fazê-lo cheios de transcendência e amor. Humanizar a vida, para que o mundo se torne mais humano. Enchermo-nos de amor, respeito e dignidade, onde começa a verdadeira vocação e a certeza de um caminho para a eternidade.

3.11.09

DESAFIO, PRÉMIOS, ENCONTRO NACIONAL BLOGUISTAS


Olá a todos. Agradecendo uma vez mais a sempre amizade e comentários, hoje é dia de recados, começando por agradecer a gentileza das pessoas que me têm ofertado selos/prémios/mimos. Este de cima foi-me oferecido pela Teresa Santos. " Este selinho tem por finalidade distinguir, e passo a citar, «Blogs que, além da assiduidade das postagens e do esmero com que são feitos, nos provocam a necessidade de reflectir, questionar, aprender e – sobretudo – que instigam almas e mentes à procura de conhecimento e sabedoria.»" Cof, cof, me blushing. Obrigado, Teresa. Passo-o a quem me lê, com particular ressalva para a Lusibero, Luis Gonçalves Ferreira, Ana Sofia Serrano, Fatucha, Ailime, Moonlight, Pena, Clips de Vidro, Sítio Peludo, Paulo Intemporal, Gato do Castelo, Ana Paiva, Divinus, Da.Maia, Paulo Sempre, Pedro Ferreira e Gonçalo do "Sabor da palavra".

Foi-me oferecido pela Charlotte, pela Maria e pelo clipsdevidro e pela Carla. Obrigado a todos, também já está na barra lateral dos prémios :) Está oferecido a quem o quiser levar.


Ainda a Ana Sofia Serrano (Mortalerosa) ofereceu-me este prémio das cinco revelações que vai igualmente para todos vós, mas obriga a completar estas frases: a) Eu já ... b) Eu nunca … c) Eu sei ... d) Eu quero … e) Eu sonho … Ofereço-o em particular à Susana da Terra de Encanto, à Lusibero, à Teresa santos, à Kotta, à karochinha, Charlotte, Carla (do blog Tatuagens)Moonlight, Malu e ao Arco Íris.

A carantonha aqui em cima vem do desafio do Luis Gonçalves Ferreira instiga a que na web, nas diferentes redes sociais (twitter, facebook, hi5, blogs) divulguemos a Operação Nariz Vermelho. A contribuição permite que continuemos a partilhar alegria, sorrisos e solidariedade com as crianças hospitalizadas sendo várias as formas de ajudar: fazer-se sócio da organização ou comprar narizes vermelhos para oferecer – 2€ cada e ainda por dar azo à imaginação e contribuir de forma criativa, por exemplo, oferecer os narizes da Operação Nariz Vermelho em festas de aniversário, aos convidados num casamento, no Natal, etc. Ou simplesmente ligar para o número 760 305 305 que já estão a ajudar. Como não apanhei ainda nenhum nariz para comprar e me fotografar, fiz esta montagem onde um suposto nariz vermelho me invade todo, numa mensagem em que tento dizer que as causas nos devem sempre absorver por inteiro. É que, no repto, o Luis colocou regras (como se pode ler no blog), a saber:

"Tirem uma fotografia (de preferência pessoal) com um sorriso e um nariz de palhaço no rosto (pintem-no, façam montagem, mas empalhacem-se);

Publiquem essa foto, juntamente com o número de telefone da causa. Peçam para que liguem para o número e ajudem. Afinal é essa a contribuição que a Operação nos pede;

Entreguem o desafio a alguns blogues, notificando-os devidamente;
Paralelamente, deixem o desafio aberto à restante comunidade das redes sociais. Com uma foto podemos levar isto ao Facebook, Hi5, Twitter... Até onde a solidariedade de cada um permitir."
A AnAndrade já o fez... e eu também...

Feita a minha parte, apelo a todos que acolham este desafio. Obrigado.


Last but not the least, o Gonçalo, uma força de criatividade, inteligência, humor, simpatia e humildade, já há um tempo que delineou um encontro de blogueiros (ou bloguistas, como quiserem), e embora eu mesmo não deva ir, (apesar de tudo sou mais tímido do que aparento, eh eh) e já lhe tenha prometido um encontro quando ele quiser, aqui estou a publicitar o jantar que é uma óptima ideia de as pessoas se conhecerem melhor. Se daqueles que por aqui passam estiverem interessados em ir, podem escrever para o Gonçalo e de passagem deixem aqui uma anotação para eu saber quem pretende ir.


Se algum prémio houve que me esqueci de colocar, peço desculpa. E brevemente ofertarei o meu próprio prémio, número dois, do Sair das Palavras como em tempos prometido, i know ;)
Até já a todos com muitos beijinhos e muitos abraços. Devemos dar gratuitamente o que gratuitamente recebemos...

1.11.09

IN MEMORIAM

Mosteiro da Batalha


Antecipando segunda feira, dia dos Fiéis Defuntos, hoje é um dia que leva muita gente ao cemitério numa romaria que se perpetua até passarmos à mesma condição. Mas o que é isso de defunto? E o que é ísso de fiel? Uma pessoa que soube fazer-se representar a si própria pela verticalidade dos seus valores e dos seus princípios? Se um “defunto” é um ser inanimado, então quase todos andamos em exéquias, e se ser-se “fiel” é possuir valores não domesticáveis, então a terminologia usada é uma homenagem graciosa.

A questão que se coloca não pende para os que desapareceram do nosso convívio, mas para nós que continuamos o fado da criação, seguindo exemplos, moldando atitudes, aprendendo o erro! A experiência faz-nos! A morte também. Afinal, que catálogo de emoções seguimos nós, ao ponto de hipotecarmos a vida? A que prescrições sociais estamos nós restringidos? À lógica do racionalismo puro? À moral egoísta? E tudo isto para quê? Credibilidade social?

Ainda que mortos, e talvez por isso, dizem-nos consabidamente que o tempo é agora nosso. Para isso, mais do que lembrá-los, é necessário reflectir sobre nós mesmos. No juízo colectivo do socialmente correcto, nos cumprimentos e favores capciosos que fingem altruísmo e atenção, no passaporte obsessivamente carimbado com o visto da casa, do carro, do emprego e da família até à contracapa da reforma! Se viver for isto, então mais do que lançar um olhar ao passado pela recordação sentida de quem amámos, há que atribuir-lhes o exclusivo da vida, porque se os mortos têm a natural legitimidade de nada poder fazer, nós temos a ínsita obrigação de saber morrer antes do dia final. Morrer não é extinguir-se, mas dar-se. E dar é um acto de amor, de criatividade e de Vida!

Nada vale do que teorizamos na metafísica do viver. Nada vale sem o amor inteiro e não pluri-partido, como uma baby-sitter que presta atenção a todos e a ninguém! Porque como o Sol irradia o seu brilho e fulgor sem se importar com a sensibilidade de quem passa à luz, assim o Amor deve fazer, sem cuidar do egoísmo alheio. Muita gente vai hoje aos cemitérios, mas talvez, afinal, que os mortos sejamos nós.