26.10.09
GRUPO DE JOVENS: UM CÂNTICO
24.10.09
HUMILDES COMO AS COBRAS

Somos cerebrais, inteligentes e modernos. Sabemos tudo. Só não sabemos que somos farrapos da nossa condição. Socializámo-nos à exaustão. Engolimos pedaços de nós mesmos acreditados que estamos na ditadura do pragmatismo e da racionalidade.
Para além de habitarmos um mundo confuso e desordenado, legitimamo-lo pelas nossas acções e pelos nossos silêncios. Em nome do progresso, da mudança, dos interesses pessoais e de uma felicidade de plástico; em nome do dinheiro e do status, das conveniências e do orgulho, legitimamos o senso comum e chamamos de ultrapassado aquilo que deve ser imutável, como os valores morais e humanos regidos por uma ética, mas a que torcemos o nariz como quem olha uma peça de vestuário perdida num sótão e que teve o seu tempo.
A amizade passa a companheirismo, a honra a falsidade, a palavra a verborreia, o amor a sexo, a verdade a cinismo, a alegria a um espectáculo artificial. A tudo isto junta-se uma boa dose de know how social, um jogo de cintura encapotado com as mais nobres intenções, e vamos lá esquecer a ética, a moral, ou gestos tão desusados como a capacidade de entrega, o desinteresse e a simplicidade.
Tornamo-nos sarcásticos, violentos, depressivos e instáveis. Inalamos a poluição humana com um tal sentido hiper-crítico, que nos tornamos elos de uma massa escudada em si mesma. Somos educados para ter sucesso, mas não somos ensinados a amar. E imiscuimo-nos fatalmente na multidão anónima que, irónica e paradoxalmente, padroniza este modo de viver. Assistimos a uma descaracterização do ser humano. Ao contrário do que muitas vezes pensamos, a felicidade não reside na acumulação de bens ou na figuras de engraçados e espertalhaços que fazemos perante os outros. Precisamos uns dos outros. Como aquela frase que diz que precisamos de mãos para nascer, mas são outras mãos que nos enterram!
De que vale a pequena ou grande erudição se não formos capazes de gestos de amor? De que vale um dia de quarenta e oito horas de trabalho, se cavarmos depressões a médio prazo? De que vale, enfim, o nariz torcido, se quando nos atiramos para a cama no final do dia continuamos tão mortais como quando acordamos? Julgamo-nos omnipotentes e infalíveis. E um dia damos connosco a rir de tanto disparate... se formos a tempo. Basta ver a solidão e a desistência de tanta gente. Mesmo sem a admitirem. Outros acabam por viver virtualmente bebendo na vida dos outros...
22.10.09
DO AMOR
21.10.09
SARAMAGO: PRÉMIO DIVINO

Imaginem esta situação. Do meu ponto de vista acharia um ataque à liberdade individual de não crer, e uma enorme soberba intelectual porque detentor de uma verdade absoluta que nem a Igreja ou o Corão têm. Para além de mal educado e ofensivo. Foi o que Saramago fez. Só que ao contrário. É no respeito que reside a diferença. Não no afiar do dente.
Atacar a liberdade de cada um porque aderiu a uma religião, porque a nega ou porque fica na dúvida sobre a existência de Deus, é não usar a razão, mas legitimar-se uma supremacia “divina” que não tem, como fazem os crentes fanáticos ou como fez Saramago ao defender tão ostensivamente o seu ateísmo. Julgava-o mais inteligente...
19.10.09
SILÊNCIO DE MIM
Tento reprimir esta patetice de me entregar aos outros como sei que o não fariam comigo. E não o fariam por simplesmente se ajeitarem terrivelmente bem ao mundo em que vivem, usufruindo do gozo das coisas, do prazer legítimo e da dor inevitável. Não se trata de egoísmo mas do comum do ser. Tem também a ver com a educação de sentimentos, com a fragilidade do ser ou com temperamentos. Enfim, cada qual luta pela sua parte, pelo seu ideal, pelo seu bem estar e orgulho naturais. E acho que sim, que está certo, que nos devemos fazer prevalecer, só que neste campo não me consigo enfrentar sem me ferir. Não tenho poderes sobrenaturais, e quando vejo um verdadeiro pobre daqueles que não fazem barulho (e são afinal os mais necessitados) que quando damos por eles já deixámos passar muito sofrimento ou já não estão cá; quando aperto a mão a um doente no hospital ou beijo o rosto de uma senhora de idade esperando voltar à sua vida normal e caseira, cristaliza-se-me o coração, fere-se-me a alma, molha-se-me o ser. E descendo as escadas de qualquer hospital, passando numa rua onde não vejo um pobre a clamar justiça porque esses não apenas não o fazem assim como ainda são prejudicados, ou um pai ou mãe esperando notícias do médico que vela pelo seu menino, sinto-me perdido e impotente.
A omnipotência é de Deus mas a solidariedade e vivência cristãs são próprias do Homem projectadas pelo exemplo de Cristo.
Nick Drake desmorona-se num banco de jardim só e triste.
Mário de Sá Carneiro sorve-se.
Jim Morrison transcende-se.
Cristo deixa-se vilipendiar e faz silêncio. Porque havia eu de falar recorrentemente do que os outros dizem, sentenciam e julgam?
Como posso aventar a hipótese do amanhã se o Hoje não for completo? Como me vangloriar no mal alheio e no que imputo? Como supor da minha condição um super-homem que um dia será cinza? Gostava de morrer de manhã. Ou melhor, que a minha transformação se desse num acordar tão confiante, tão alegre, tão tranquilo e compulsivamente vivo, que seria mais um ritmo clamoroso na orquestra da Vida, ou uma estrela tocada pela música de Vangelis ou ainda pelo burburinho das ondas do oceano no seu pulsar vital...
E como no final de uma área de Tchaickowsky, eis finalmente a garra e o despontar da vida. Viver sempre, sem miserabilismos nem auto-piedade, mas oferecendo e sofrendo a dor como algo de maior que um desígnio propôs. Não sei para quê, e é quando Deus Se torna ausente, mas Ele saberá. Isso devia bastar-me. E só pelo reverso da vida se percebe o horizonte para o qual fomos criados e sem o qual não podemos viver.
Para sempre aqui. Mesmo sem nada dizer.
17.10.09
...Dai-me Nada...
15.10.09
...Lágrimas...
14.10.09
DAS ELEIÇÕES E O 13º DIA
Entretanto, ontem dia 13 celebrámos a aparição de Nossa Senhora de Fátima, Independentemente de sermos ou não crentes. Dialogar sobre Deus não é fácil. Sobre Nossa Senhora também não. Mas quem não interiorizar de que algo aconteceu de 13 de Maio a 13 de Outubro de 1917 na Cova da Iria como se fosse uma invenção, é um iliterato histórico. Como poderiam três crianças saber da Rússia, da Guerra Mundial, das palavras que Maria lhes dizia, de não se amedrontarem com o azeite a ferver ameaçado com a polícia de então e o governador de Ourém, até darem a vida pela Mensagem? Porque haviam de dormir com cordéis atados ao corpo para fazerem sacrifícios? Os três pastorinhos já todos desaparecidos, com a morte natural da Irmã Lúcia há três anos, numa das aparições foi-lhes dito que não usassem o cinto, as cordas, mas antes rezassem, e rezassem muito.
E o episódio da cadeia, onde foram colocados temporariamente, e todos os reclusos da época, apesar de num momento primeiro se terem mostrado indiferentes e gozões, acabaram por se ajoelhar quando os viram a rezar ajoelhados com uma imagem pendurada num prego da cela.
E se ainda assim tiverem dúvidas, como desacreditar os jornalistas do jornal "O Século" (equivalente hoje ao Diário de Noticias e ao Jornal de Noticias, que presenciaram a chamada dança do Sol, sendo que nesse 13 de Outubro chovia torrencialmente, e de um minuto para o outro, após a aparição, a terra ficou como nos desertos, seca e enrugada, com frestas de secura de um sol imenso. Ninguém viu Nossa Senhora, nem Francisco a chegou a ver, mas via-a Lúcia, que com tanta descrença lhe pediu que fizesse um milagre para que acreditassem neles. E como poderiam eles saber que naquele dia àquela hora Nossa Senhora apareceria, e todos seriam testemunhas, centenas de pessoas idas de todos os cantos de Portugal, assistir àquele momento?
Dialogar sobre Deus não é fácil. Sobre Nossa Senhora (embora não seja dogma de fé na Igreja Católica tal como não é o Santo Sudário, mas que são venerados) também não. Extrema-se as relações. De um lado os crentes, convencidos da Fé a querer converter o mundo. Do outro lado, os descrentes, sempre cheios de razões para atacar quem não vê com os seus "óculos".
Entretanto, Deus ainda é. Nossa Senhora também. Acima dos fanatismos de uns e do ódio de outros. Porque só o amor é que vence. O filme que vos deixo abaixo é uma produção inglesa, independente, mas com muito rigor histórico e uma sensibilidade humana e espiritual extraordinária. Mais do que um documento histórico ou uma ficção comercial, O 13º Dia é uma convicção da actualidade da mensagem de Fátima. Por isso, partilho um pequeno, mas significativo, diálogo do filme:
«- Irmã Lúcia: Em Outubro vieram as chuvas...a minha mãe disse que era a maneira que o Céu tinha de pôr um ponto final nos disparates infantis, mas para mim, eram as lágrimas dos anjos que choravam por todos aqueles que nunca acreditariam. E eu rezei para que o milagre que Nossa Senhora nos tinha prometido fosse suficientemente grande para o mundo inteiro ver.
- Prisioneiro: Oh....um repórter?
- Reis: Então, o que pensa realmente? É uma invenção? Ou inspiração divina?
- Reis: A vontade de Deus. Então não é apenas a imaginação das crianças?
- Santos: Não senhor, elas não inventam.
- Reis: Não?
- Santos: A minha Lúcia não mente; os primos dela não mentem. Você e todos os estranhos que pensam que sabem tudo. As minhas colheitas estão arruinadas. A Cova está arruinada. Todos os dias mais e mais pessoas invadem a minha terra como gafanhotos. A minha família está a sofrer...
- Reis: Lamenta este "favoritismo" de Deus?
- Santos: É inútil lamentar o que não está nas nossas mãos.
- Prisioneiro: Eu vi-os. Os pastorinhos na prisão vieram e rezaram connosco. O Governo não quer que nós, pobres, saibamos da grandeza de Nossa Senhora. Ouvimos dizer que eles vão atirar bombas sobre a multidão desta vez!
- Reis: Quem diz?
- Prisioneiro: Muita gente.
- Reis: Mas vai na mesma?
- Prisioneiro: Ó senhor, vai acontecer um milagre. Quem não arriscaria a vida por um milagre?
- Reis: Parece muito seguro...
- Prisioneiro: Senhor, eu falei com as crianças, os pastorinhos. Acredito neles.
- Reis: Eles converteram-no?
- Prisioneiro: Abriram-me os olhos.»
10.10.09
...SE OUTROS CAMINHOS PERCORRERES...
Gosto de saborear a brisa sem olhar as horas. De dormir dias a fio no canto das fadas, e acordar num mundo que só é feio se o fizer ainda mais. Não há nada melhor que um encontro com o mar, com um café numa esplanada calma. Não há nada melhor que a simplicidade de se ser simples, justo embora nas medidas exactas. E ficar feliz como uma criança a quem qualquer brinquedo é a melhor coisa do mundo. Feliz pelo deslizar dos carros num quotidiano turvo, onde é sempre necessário vermos com outros olhos a poluição. A poluição humana. Se dissermos mal da chuva, que medo escondemos? Se dissermos bem do Sol, que vazio actualizamos? Se condenarmos o mundo, que mundo temos nós? E o mundo interior feito afinal de quê? De cópias insanas por efeito dominó de uma vida cansativa? É sempre a perspectiva que conta e não tanto aquilo que realmente se vê. "O essencial é invisível aos olhos". "Foi o tempo que perdeste com a rosa que tornou a rosa tão importante para ti". Qual o nosso tempo? Cronológico e interior? Já respiraste o cheiro dos cedros mesmo sem os veres? Ou dos nenúfares e plátanos de uma foto ou porque os teus olhos os presenciam?
Que presenciam teus olhos? O bem que há ou o mal que existe? Ambos existirão sempre, mas da resposta e do amor que tiveres, farás prevalecer um sobre o outro. Queixas-te da vida mas também ela se queixa de ti. Que fizeste já hoje por ela?
Eu fiz pouco. Limitei-me ao cheiro dos olmos, cedros, heras, juncos. Ao descafeinado numa chávena, e à preguiça de estar sentado a sentir o entardecer. O amanhecer. Quando tudo dorme. Só o espírito é que não. Mas senti a vida. Tal como quando no frenesim de uma música eléctrica se dança espavoridamente em constelações de ritmo e pulsação, pujança viva de estados de alma, de entrega e de viver. Só temos uma vida. Pensar de mais é diminuir a tranquilidade e fenecer o espírito. Sem paz interior, seremos sempre almas ansiosas que por qualquer gota de água ou temperamento, amaldiçoa o outro e o mundo.
Manhã silente. Respira fundo a Humanidade. O teu coração será verdadeiramente rubro e o teu espírito beberá a Paz. Se outros caminhos percorreres...
JUDITE DE SOUSA E SÓCRATES: "AMOR" INESPERADO ;););)
9.10.09
NÃO MEREÇO O NOBEL
Recai sobre os seus ombros a "quase" governação do mundo, mas está ciente de que não é portador de pós mágicos e sobretudo faz política com as duas mãos, sem esconder jogo. E estar ciente das limitações e da crise económica, e dos conflitos do mundo árabe, etc etc etc, mas ter optimismo e realismo em dosagens equiparadas, fá-lo mais responsável e sereno.
RESPOSTA A ANÚNCIO
8.10.09
EU É QUE ESTOU CERTO
Mas em primeiro lugar devemos admitir a possibilidade de nos enganarmos.
Teoricamente, é fácil admiti-la, porque nenhum de nós se considera perfeito. Excepção feita a quem acreditou numa ideia e fez dela um facto, com tudo o que de desumano e injusto cria na sua própria vida e na dos outros.
A dificuldade surge quando temos de reconhecer que uma determinada atitude nossa está errada.
Se não conseguimos ter uma certa desconfiança de nós próprios, ficamos sem auto-crítica e, sem esta, não nos podemos corrigir.
***
Obrigado por tantas palavras de apreço que recebi. Um abraço é sempre reconfortante, e tal como as crianças na sua sapiência que desarma os adultos, por vezes é ele que nos tira do pedestal onde nos colocámos, ou na mentira onde julgávamos estar certos.E quando a Verdade não se prova, tal como o Amor, então podemos levar uma vida inteira a acreditar numa mentira.
7.10.09
UM ABRAÇO NA WEB
Hoje deixo dois "cartoons"... e um enooorme abraço. O cartoon do tabaco é intemporal, e o da gripe, oportuno :) Achei giro e quis partilhar ;) Ora aqui vai.
Entretanto, recebi um belo abraço. Esse abraço vem com um pequeno desafio, e vem do R. do Gato do Castelo. Agradeço publicamente e, depois de lhe ter pedido autorização, exibo o desenho que ele mesmo fez para ilustrar o abraço que, por sua vez, recebeu. O desenho (e o abraço) é este:
O desafio consiste em responder a estas perguntas:
1 - Quem mais gostas de abraçar no presente?
2 - Quem nunca abraçarias?
3 - Quem davas tudo para poder abraçar?
Vou responder às perguntas e passar, quer o abraço, quer o desafio. O abraço vai para tanta gente que me segue publica e anonimamente, mas em particular queria nomear aquelas pessoas que, por motivos diferentes, me merecem consideração, amizade e estima, e que por nos seguirmos mutuamente há tanto tempo, ou outros motivos, gostaria de destacar.
* Élio Filomena (distante mas não ausente)
* Ana Paiva (pela força que tem; eu sou tão palonço e fragilizo-me tanto que gostava de ser assim);
* Luis Gonçalves Ferreira (Suor de Um Rosto) - e os seus brilhantes comentários
* Pedro Ferreira (Pt Fotografia e maravilhoso Mundo) - a sua dedicação, o seu sentido humanista, um ser especial
* Maria Ribeiro (Lusibero) - um amizade daquelas que se fica a perceber que são para a vida
* JSP (Sítio Peludo) - daquelas amizades intuitivas e belas e longas
* Paulo (Intemporal) - pela caracterização singular do seu ser
*Carla Silva (Tatuagens) - pela simplicidade que hoje tanto falta
* Graça Pereira (Zambeziana) - pela cordialidade com todos e pelo nobre afã catequético
* Susana (Terra de Encanto) - pela nobre dedicação na sua profissão e pela sensibilidade
* Ana Sofia Serrano (mortalerosa) - uma grande amiga ainda que virtual
*Shakti - pela sua forma tão própria
*Karlytus (Carpe Diem) - pela amizade constante
*Teresa Santos (cronicas da Teresa) - pelo carinho
*Forteifeio - pela isenção, amizade e verticalidade de valores
* Jobé - pela arte do blog e pela amizade que se cimentou ao longo do tempo
*Felix (Sinestesia) - pelo poder de isenção e pelo livro aberto que mostra ser
* Su (Wake Up Little Susie) - uma amizade linda pelas simples linhas que escreve
* Electric Dreams - pela devoção e justeza
* Gonçalo Duarte Reis - pela amizade ímpar
* Divinus - pelo sentido de justiça... e de amor
* DaMaia - pela perspicácia e bondade
*João Caetano (Joka Intus) - pela amizade com anos
* Abraço - pela paz e simplicidade dos gestos
*Multiolhares (pela paz)
*Rafeiro Perfumado - por motivos óbvios do blog mas também pelos pedaços que vai
deixando de si
*Peter of Pan - por outro blog humorista e igualmente pela pessoa que é
*Ricardo Marques - que discretamente se dedica ao blog e ao seu desporto com carinho
*Guidind Star - pela amabilidade e certeza
*André Couto (por Detrás do Muro) - um amigo que se tem revelado precisamente isso.
*Charlotte - pela sapiência
* Jorge Ferro Rosa (Cardeno da Alma) - pela qualidade literária
* AnAndrade (Cãimbras Mentais) - pela amizade e verticalidade
* Sad Tear (pela tão grande simplicidade)
* X-Bear (Há Espaço Para Todos) - pela amizade mútua e pelo seu caminho
* Pena (Memórias Vivas e Reais) - pela pessoa que suplanta o blog, tal a intensidade
* Kotta1947 (pela graciosidade do blog)
*Korrosiva (Korrosão) - por ser tudo menos isso :)
* Ailime (Canto Meu e Uma Rota Diferente) - uma amiga "recente"que prezo muito e que expõe com simplicidade o seu amor a Deus e não só;
* Gingerbread Girl - pela acutilância mas também amizade
* Richy - Divagações psicossomaticas (pela sensibilidade que denota em tudo o que escreve) * Do You believe In Angels - pela simpatia e contínua vontade de se transcender
* Praeclaera Sunta Rara - pelos seus postos imediatos, ao sabor do vento, mas respeitosos
*Myosotis - pela antiga amizade virtual. desde os inícios do blog.
* Khora - por andar desaparecido e ser uma daquelas pessoas cuja inteligência brilha
* Arco Iris - pela simplicidade
* Mikas - pela amizade
* Formiga (Formiga tem Catarro) pela simplicidade do blog
*mf (O Pequeno Ouriço) pela longa amizade virtual e pela simplicidade dos seus posts
* Factucha (Para lá das Lentes) pelos posts leves, curtos, incisivos, e sua autodescoberta
* Izzie (pelo mérito da escrita e da amizade)
* Sonho (pela suavidade e desdramatização dos seus posts simplificando tudo)
* StoryTeller (também pela simplicidade do blog)
* Bruce ( pela pessoa que é, pela observância, pela capacidade de ir ao fundo das coisas)
* Im-Provavel (pela originalidade do blog)
* Vida Abstracta (porque tanto se aprende)
*Karochinha (O Meu EU) - uma amiga de ha longa data na web
* Pássaro Sonhador (porque faz reflectir)
* Luis Ene (Ene Coisas) - pela qualidade e perseverança do e no que escreve
* Pedro Trovão do Rosário - pela férrea virtude das causas
* António Saldanha - pelo blog insustentavelmente bom
* Joana Souto Franco - aquela sempre amiga
* Robin K (pela sensibilidade)
* Arco Iris (pela sempre disponibilidade no seu blog)
* Norberto Marques (pela delicadeza que parece demonstrar)
* Clips de Vidro (pela promessa que é)
* Gonçalo (O sabor da palavra) - pela inteligência, objectividade e ponderação
Para estas pessoas todas em particular, vai este abraço com "dois braços tão grandes, mas tão grandes, capazes de engolfar o mundo, e um coração que não cabe lá dentro". Com muitos deles temos pontos de vista diferentes. Mas nem por isso posso deixar de mencionar. Discordar não é fazer juizos ou tormar partido pelas aparências, mas os diferentes pontos de vista no respeito e na amizade, na autenticidade e na partilha, é que também enriquecem. O bota abaixo, as querelas pessoais, o criticar tudo e todos só porque sim, não têm aqui lugar. Já não é o mundo tão mau para ainda o tornarmos pior por acções e omissões? Tenho apreço por muitos mais blogs e respectivas pessoas, mas quis apenas enfatizar estes, e como a lista é longa perdoem não colocar os links.
O desafio está feito, o abraço dado, e agora repassem ambos a quem quiserem. Um mínimo de cinco pessoas. Porque o amor é gratuito e o abraço também. E quando não há nenhuma intenção que não a partilha, entao menos do que cinco pessoas seria ser exclusivista. E tenho para mim que a amizade não é, nao pode ser, exclusiva de ninguém, sob pena de ser seguidismo e amiguismo, e nao Amizade pura, sincera, leal e aberta. Mesmo para os que ainda não são amigos.
1 - Quem mais gostas de abraçar no presente?
2 - Quem nunca abraçarias?
Não há ninguém que nunca abraçaria. Bastava que mostrasse ser humano, mesmo errando. No entanto, tenho alguma aversão aos skin heads, pela maneira como vêem o holocausto e pelo modus vivendi que não beneficia ninguém. Nem aos próprios.
3 - Quem davas tudo para poder abraçar?
A minha MÃE.
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5.10.09
O ESPÍRITO DA LEI

A Justiça é o acto de julgar o comportamento alheio pelas acções exteriores, castigando-o ou premiando-o, e assenta na fronteira mais débil que encontro no Homem: a Lei... e o Amor. Julgar, implica antes de mais um humilde conhecimento de nós mesmos, já que se me considerar impoluto, símbolo de justiça e de virtude, posso estar a ser o meu próprio bilhete para a viagem à desumanização e consequentemente à injustiça. Quando fazemos teoria somos os senhores absolutos da dialéctica, mas quando descemos aos factos, sentimo-nos superados por aqueles que os vivem.
A justiça humana é a mais precária condição que conheço. Basta que alguém sem escrúpulos reúna provas falsas, testemunhos comprados e consciências abortivas, para provarem na sala de um tribunal o oposto ao que esse mesmo tribunal representa: a injustiça e a mentira. Valha-nos o in dubio pro reu, principio jurídico a partir do qual do qual mais vale um criminoso à solta do que um inocente preso. Mas também no dia a dia montamos os nossos tribunais e declaramos as nossas sentenças, senhores absolutos e inerrantes. Somos assim tão bons?
Sempre actual é a terrível afirmação de Rousseau e que sempre gostei muito de citar. “O Homem nunca é suficientemente forte para ser sempre o senhor, se não transformar a sua força em direito e a sua obediência em dever”.
A autoridade da justiça não reside nela mesma e muito menos na subserviência à lei (justiça e lei são diferentes), mas ao espírito que a preside. Por isso é que só o amor entendido na justiça do Homem pode e sempre deve julgar.
1.10.09
SABES QUE SE PODE MORRER DE SOLIDÃO?

O Homem foi feito para amar (entendam o amor da forma que quiserem). O Homem é, por natureza, um ser relacional e, todavia, gravita indefinidamente à volta de si mesmo, dos seus preconceitos e verdades absolutas, e esquece que o amor não tem correntes: é oblativo, entrega incondicional, e é por isso que quando as pessoas vêem muito amor, desconfiam, porque pensam sempre que terá de haver contrapartidas para tão grande desinteresse. A Amizade também é isso, mas quando queremos tornar os amigos exclusivos, passou a ser manipulação. E embora o Homem seja um ser relacional, necessita também do silêncio. A outra face da mesma moeda. É por meio dele que crescemos, que vemos se o nosso espelho nos diz o que queremos ou o que realmente somos, e é por meio dele que alimentamos a alma, que nos colocamos acima dos outros animais, que contemplamos e nos esvaziamos para podermos simplesmente ser.
Todavia, houve alguns comentários em particular que tentaram estabelecer a diferença - tal como eu tentei explicar no post - entre silencio e solidão. Mafa_R escreveu que “Solidão não é, não pode ser o querer estar sozinho. Há no ser humano necessidade de contactar com outros e, quanto a mim, Solidão é o sentimento que se tem de rejeição por parte dos outros. E isto pode doer muitíssimo.” O André Couto foi, talvez, quem mais tentou desenvolver o encontro connosco mesmos nesse necessário silêncio (e como me identifico contigo, André, quando dizes que “Dias há em que movo montanhas e nada me trava, noutros apenas o peso da minha existência se torna algo quase insustentável”, mas isto já somos nós a ir mais longe para além das supostas definições. Identifiquei-me muito mesmo, até porque tenho uma energia irregular. Mas voltando aos comentários sobre silêncio e solidão, tout-court, e sob pena de me ter explicado mal no anterior post, daria a minha opinião mais concisamente onde, de facto, diferencio o silêncio da solidão.
Salvo melhor opinião, tenho para mim que a solidão vem sempre acompanhada de dor, pelo que não penso haver solidão voluntária: há gostar de estar só, mas isso não é solidão porque não está associado a um sofrimento auto-infligido ou não; é apenas o prazer de gostar de estar só. Solidão implica dor, abandono, desalento. Estar só, não. E estar só (silêncio) é factor de crescimento, tal como quando levamos com amarguras em cima, traições ou difamações, porque ficamos a conhecer melhor a natureza humana (e/ou aquelas pessoas em particular) mesmo nos que se dizem os melhores sob a capa de grande naturalidade e humildade. Mas acredito que estar só é crescermos, é alimentarmos a alma, é estarmos connosco para nos podermos ter a nós próprios, sob pena de termos uma pessoa que nem nós conhecemos jugando conhecer muito bem: nós mesmos.
Como digo mais acima, fomos feitos para amar, para nos relacionarmos, o que implica o auto-conhecimento, os espaços de silêncio (a mais ninguém é dado contemplar o mar, a beleza, as estrelas, o seu próprio silêncio, do que ao Ser Humano). É pena que o Homem, com todo o progresso, se tenha esquecido que há homens cujo valor e dignidade não reside em rigorosamente mais nada do que no amor que brota de si mesmo. E esse amor já requereu o silêncio de si. Mas não a solidão. Essa, suponho que só a solidão dos próprios pensamentos. O resto é silêncio, arejar o espírito, crescermos, estarmos deliciosamente sós connosco mesmos, qual brisa silente num dia de calor. Sem o silêncio de nós, seríamos tão mais ruidosos, que nem a nós nos suportaríamos. E quem nao faz silêncio dentro e fora de si, não está em condições de crescer. Como dizia no post anterior, quando nos sentimos sós (de solidão) não é por não termos outros: é por não nos termos a nós mesmos...








